Raphael Maciel Carneiro; Pascoal Teófilo Carvalho Gonçalves
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1571, 2026
1-28
A produção acadêmica sobre
cooperação internacional para o
acesso à tecnologia e conhecimento
no Século XXI: uma revisão
sistemática de literatura comparativa
entre o período dos ODM e ODS
The academic production on
international cooperation for access to
technology and knowledge in the 21st
Century: a systematic literature review
comparing the MDG and SDG periods.
La producción académica sobre
cooperación internacional para el acceso
a tecnología y conocimiento en el Siglo
XXI: una revisión sistemática de la
literatura comparativa entre el período
de los ODM y los ODS.
DOI: 10.21530/ci.v21n1.2026.1571
Raphael Maciel Carneiro
1
Pascoal Teófilo Carvalho Gonçalves
2
Resumo
O presente artigo se concentra na transição dos Objetivos do Milênio
(ODM) para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e
como isto afetou a produção acadêmica sobre cooperação técnica
1 Mestre em Relações Internacionais pela Universidade de São Paulo – USP, São
Paulo – SP, Brasil. (raphaelmacielcarneiro@gmail.com). ORCID: https://orcid.
org/0009-0005-1171-9621.
2 Doutor em Ciência Política pela UNICAMP. Professor da Universidade Federal
da Paraíba – UFPB, João Pessoa – PB, Brasil. (pascoalgoncalves@gmail.com).
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1336-3148.
Artigo submetido em 02/04/2025 e aprovado em 10/02/2026.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
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Este é um artigo
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ISSN 2526-9038
A produção acadêmica sobre cooperação internacional para o acesso à tecnologia [...]
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internacional para difusão de tecnologia e conhecimento. Para isso, compara a produção
acadêmica sobre o tema entre os períodos de 2000-2015 e 2016-2025. O recorte se justifica
pela meta 17.6 dos ODS, que busca melhorar a cooperação internacional nessa área. A
metodologia empregada é a Revisão Sistemática de Literatura (RSL) baseada no protocolo
PRISMA. A conclusão é que, mesmo com os esforços da ODS para o maior protagonismo
do Sul Global, a produção acadêmica se mantém dominada pelos países do Norte.
Palavras-chave: Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, Cooperação Internacional,
Revisão Sistemática de Literatura, Tecnologia.
Abstract
This article examines the transition from Millennium Development Goals (MDGs) to
Sustainable Development Goals (SDGs) and its impact on academic research about
international technical cooperation for technology and knowledge diffusion. The study
compares academic production between 2000-2015 and 2016-2025, focusing on SDG Target
17.6, which aims to enhance international cooperation in this field. The methodology
employs a Systematic Literature Review (SLR) following the PRISMA protocol. Findings
indicate that, even with the SDGs’ efforts to give greater prominence to the Global South,
academic production remains dominated by countries in the North.
Keywords: Sustainable Development Goals, International Cooperation, Systematic Literature
Review, Technology.
Resumen
Este artículo examina la transición de los ODM a los ODS y su impacto en estudios sobre
cooperación técnica internacional para transferencia tecnológica. Compara producción
académica entre 2000-2015 y 2016-2025, enfocándose en el ODS 17.6 (cooperación Norte-
Sur y Sur-Sur). Mediante una Revisión Sistemática (PRISMA), se identifican cambios en
los patrones de investigación. Los resultados revelan que, incluso con los esfuerzos de los
ODS por dar mayor prominencia al Sur Global, la producción académica sigue estando
dominada por los países del Norte.
Palabras clave: Objetivos de Desarrollo Sostenible, Cooperación Internacional, Revisión
Sistemática de Literatura, Tecnología.
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1. Introdução
Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) (2000-2015) foram
um marco no início do século XXI, com grande importância nos debates sobre
desenvolvimento internacional. Os ODMs definiram metas e criaram indicadores
a serem alcançados até 2015, mas não ficaram imunes a problemas em sua
elaboração como agenda da ONU e conceitualização política (Fukuda-Parr 2016).
Em 2015 estes foram substituídos pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
(ODS), que passaram a pautar a agenda internacional de desenvolvimento da
ONU definindo objetivos e metas para 2030.
O foco deste artigo é analisar a produção acadêmica do campo das relações
internacionais relacionadas ao ODS 17 — “Parcerias e meios de implementação”
— e especificamente a meta 17.6, que visa melhorar a Cooperação Internacional
Norte-Sul (CNS), Sul-Sul (CSS) e Triangular (CTR) para o acesso de tecnologias
e conhecimentos. Este trabalho parte da seguinte indagação: “qual o impacto
dos ODS sobre a literatura acadêmica internacional sobre cooperação técnica
para o desenvolvimento?”. Para tanto, comparamos, por meio de uma
revisão sistemática de literatura, a produção acadêmica sobre cooperação
internacional e acesso à tecnologia e conhecimento entre os períodos de 2000-
2015 e 2016-2025.
Deve-se destacar que as métricas para o avanço da meta 17.6 da ODS são
irrelevantes para o presente artigo, visto que o objetivo da análise é avaliar a
mudança, ou não, da produção científica relacionada à transferência tecnológica
por meio da cooperação após o lançamento da Agenda 2030 — uma agenda que
visava às necessidades dos países em desenvolvimento. Além disso, o presente
trabalho não se limitará a analisar somente artigos que tratam de cooperações
que se encaixam nas três categorias delimitadas pela ODS 17, pois, como o
objetivo é avaliar a mudança neste campo do conhecimento, é necessário avaliar
a presença de outras formas de cooperação e se estas perderam, ou não, o espaço
na academia com a mudança da agenda de desenvolvimento internacional.
Para responder essa questão e alcançar nosso objetivo geral inicialmente,
os dados bibliométricos dos artigos selecionados foram quantificados para os
períodos das ODM e ODS. Ademais, em uma discussão substantiva sobre os
artigos, identificamos os tipos de cooperação abordados enquanto objeto dos
estudos e relacionamos com a afiliação dos autores dos artigos. Também foi feito
um resumo final sobre os assuntos tratados em cada artigo utilizado na revisão.
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Uma questão que permeia a análise é o fato de que a agenda para o
desenvolvimento, em especial a voltada para a cooperação internacional,
encontrou-se historicamente ao lado de ideias do Norte Global. Nesse sentido,
a transferência de tecnologia e conhecimento do Norte para o Sul era vista como
uma necessidade para o desenvolvimento dos países periféricos, porém, aos
moldes e interesses dos países desenvolvidos. Da mesma forma, há hegemonia
na produção acadêmica do Norte Global no campo das relações internacionais
por fatores históricos e econômicos, que vão além das próprias agendas de
desenvolvimento. Porém, as ODS se mostraram como um passo importante para
interesses do Sul, algo que, ao mesmo tempo que reflete os anseios de tomadores
de decisões, estudiosos e da sociedade civil, também é uma ferramenta para
moldar o debate público e acadêmico. Portanto, o presente trabalho se justifica
ao avaliar se essa mudança de agenda de desenvolvimento teve algum peso na
prática da produção acadêmica.
Para isso, o artigo está dividido em três partes para além desta introdução
e a conclusão final. Num primeiro momento, contextualiza-se brevemente a
cooperação internacional para desenvolvimento como parte da agenda global e
sua interseção com o ODM e ODS, além de explicitar a hegemonia da produção
acadêmica a partir de outros autores e definir os tipos de cooperação analisados
neste trabalho. A seguir, detalhamos a metodologia utilizada, a Revisão Sistemática
de Literatura e como a mesma é utilizada de acordo com o protocolo PRISMA.
A seção também descreve os procedimentos metodológicos realizados nesta
pesquisa, que permitem sua replicação, e as ressalvas metodológicas existentes.
A última seção apresenta os resultados da análise, dividida em aspectos descritivos
e substantivos.
Em termos de resultados, verificamos que há uma mudança gradual na agenda
de pesquisa sobre transferência tecnológica entre os períodos abordados nas
questões temáticas; entretanto, apesar do esforço das ODS em trazer protagonismo
para as pautas do Sul, a hegemonia acadêmica dos países desenvolvidos ainda
se mantém — tanto nos assuntos tratados quanto nas afiliações institucionais
dos autores. Além disso, constatamos o predomínio da produção acadêmica
no norte global, embora o leste asiático, em particular a China, possua grande
destaque como polo de produção de conhecimento na área analisada.
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2. ODM, ODS e a produção hegemônica acadêmica do Norte Global
No início do século XXI, tanto os ODMs quanto os ODS foram agendas
internacionais que se voltaram para a cooperação internacional como meio de
promoção do desenvolvimento. Os ODMs foram a agenda de desenvolvimento
vigente entre o ano 2000 e 2015, sendo substituídos pelos ODS, de 2015 a 2030.
Os ODMs definiram objetivos, cronogramas e delimitaram áreas prioritárias
para o desenvolvimento em oito objetivos relacionados a áreas de atuação
nacional e internacional. A Agenda de Desenvolvimento do Milênio (2000-2015)
conseguiu organizar uma ampla gama de indicadores socioeconômicos e métricas
relacionadas ao desenvolvimento das ODMs, bem como um grande número de
propostas de políticas públicas difundidas ao redor do globo entre os anos de
2000 e 2015 (Jannuzzi e De Carlo 2018).
Todavia, os ODMs foram amplamente criticados por questões relacionadas
à sua elaboração e ao seu foco político-econômico. De acordo com Fukuda-Parr
(2016), a implementação dos ODMs ocorreu sem um amplo debate nos órgãos
consultivos das Nações Unidas para a formulação de suas metas, o que resultou
em uma dissonância entre a agenda e os atores interessados. Além disso, os
ODMs possuíam um foco no apoio econômico Norte-Sul para o desenvolvimento
das regiões periféricas do sistema internacional, sem questionar a origem desse
subdesenvolvimento e pobreza em tais regiões (Fukuda-Parr 2016).
Com a proximidade de 2015 e a inevitabilidade do fim das metas propostas
pelas ODMs, a Conferência Rio +20, em 2012, serviu como definidora inicial
das novas dimensões para a formulação de uma agenda de desenvolvimento
internacional, que substituiria as ODMs. Para compensar as falhas da antiga
agenda, foi definido, ao longo de três anos de negociações e conferências, que
houvesse um equilíbrio entre três dimensões da sustentabilidade — econômica,
social e ambiental (Kanie, Abe e Iguchi 2014). Assim, baseado nesses novos
critérios, os ODS foram aprovados na 70ª Assembleia Geral da ONU, entre 25 e
27 de setembro de 2015, por mais de 190 países.
A nova agenda do desenvolvimento global para 2030 deu maior ênfase na
questão ambiental e social, em detrimento do maior foco no caráter econômico
que era visto nas décadas anteriores de desenvolvimento. Além disso, as ODS
aperfeiçoaram as metas e indicadores que haviam sido propostos nos ODMs,
além de aumentarem a quantidade de objetivos para 17 e 169 metas. Dentre esses
novos objetivos, o tema da cooperação internacional para acesso à tecnologia é
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delimitado de forma clara no ODS 17, especificamente na meta 17.6: melhorar a
cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e Triangular regional e internacional e o acesso à
ciência, tecnologia e inovação, e aumentar o compartilhamento de conhecimentos
em termos mutuamente acordados, inclusive por meio de uma melhor coordenação
entre os mecanismos existentes, particularmente no nível das Nações Unidas, e
por meio de um mecanismo de facilitação de tecnologia global.
Nesse sentido, cabe indagar se a literatura acadêmica em relação à transferência
tecnológica foi impactada pela mudança de ODM para ODS. Afinal, a Agenda
de Desenvolvimento do Milênio possuía um caráter mais voltado para um
protagonismo do Norte Global em apoio ao desenvolvimento do Sul, enquanto
os ODS possuem um caráter mais voltado para um protagonismo do Sul Global.
Este trabalho parte do pressuposto de que esse foco inicial das ODMs na relação
de Norte para Sul ainda estava ancorado na ideia de que o desenvolvimento
envolvia a disseminação de ideias econômicas e de marcos institucionais de
cunho liberal, mais especificamente do Norte Global (Santos Filho 2005).
Noda (2020) em sua pesquisa afirma que a hegemonia acadêmica ocidental
possui origens coloniais a partir das relações assimétricas entre os países e do
preconceito subconsciente existente para com a produção acadêmica do Sul
Global. Da mesma forma, Hwang (2005) também argumenta que o campo da
produção acadêmica e científica historicamente tem sido dominado pela Europa
e Estados Unidos, algo que influencia tanto o pensamento dos países do Norte
quanto do Sul, quando se trata de denominar onde é produzida a “ciência
superior” e a “pequena ciência”. Ademais, a maioria dos países subdesenvolvidos
não possui recursos para investir no desenvolvimento acadêmico e científico,
por possuírem prioridades voltadas para alcançar o desenvolvimento econômico
e infraestrutural (Acharya 2014).
As relações assimétricas, que ocorrem no mundo acadêmico, fazem com que
os pesquisadores da periferia do sistema internacional absorvam os conhecimentos
científicos produzidos nas regiões centrais do sistema ou vão produzir ciência
no Norte Global (Hwang 2005). Sendo assim, há o caso de reprodução por parte
de pesquisadores do Sul sobre questões relacionadas ao Norte, ao invés de
priorizar os interesses de seus locais de origem e, por conta da fuga de cérebros,
pesquisadores originalmente da periferia do sistema internacional acabam se
filiando a instituições de países desenvolvidos. Estes dois fatores, em conjunto
com a assimetria de recursos dos países desenvolvidos, acabam criando uma
hegemonia do Norte na academia.
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Para compreender adequadamente esse tema, o presente trabalho analisará
a produção acadêmica sobre cooperação para transferência de tecnologia
considerando, além das categorias de CSS, CNS e CTR previstas no ODS 17,
outras formas de cooperação — como a Cooperação Multilateral (CM) e aquela
realizada entre países do Norte Global (Cooperação Norte-Norte ou CNN). O
objetivo é verificar se, ao longo do tempo, a produção acadêmica apresentou
tendências sinérgicas ou divergentes relacionadas aos três tipos de cooperação
formalizados no ODS 17.
Nesse sentido, CNS se caracteriza pela relação assimétrica entre os países
do Norte e do Sul Global. Essa relação não somente ocorre pela diferença de
potencial econômico entre os países, mas também porque instituiu-se uma ordem
entre países caracterizados como doadores — desenvolvidos — e receptores
— subdesenvolvidos (Milani 2014). Nesse ínterim, os países subdesenvolvidos
precisam se submeter às condições impostas pelos doadores, para que haja
uma assistência financeira. Enquanto isso, a CSS possui uma retórica com uma
lógica de parceria estratégica entre países que, teoricamente, possuem níveis de
desenvolvimentos similares. Ademais, nessa cooperação há troca de experiências
em meio a uma relação horizontal, mais simétrica, entre países do Sul Global
em busca de ganhos mútuos para o desenvolvimento. (Cui 2016; Leite 2012).
Pino (2013) descreve que a CTR é um mecanismo considerado importante
para uma maior convergência entre o Norte e o Sul global, como uma forma de
horizontalizar as relações existentes. A CTR facilita a articulação entre a CSS e
a CNS, resultando em uma situação de ganho múltiplo triplo “Win-Win-Win
a partir da combinação e pode ocorrer tanto em associações Norte-Sul quanto
Sul-Sul-Sul, mesmo que estas últimas sejam menos numerosas.
Enquanto isso, a CNN se caracteriza por uma relação simétrica entre os
países industrializados, com intensos fluxos de investimentos e bens de alto
valor agregado (Magalhães 2011). Por sua vez, o conceito de CM, adotado pelo
presente trabalho, é caracterizado pela colaboração entre diferentes países ou
instituições internacionais, visando a uma ação coletiva (Zartman e Touval 2010).
3. Metodologia
A Revisão Sistemática de Literatura (RSL) é utilizada para explorar temáticas
específicas, tal qual qualquer outra revisão de literatura, mas de forma a mapear e
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dar sentido a grandes corpos de informações de maneira sistemática e organizada
a partir de perguntas feitas pelo pesquisador. Assim, é possível averiguar quais
áreas do conhecimento estão sendo pouco ou muito exploradas e onde novos
estudos são necessários. (Petticrew e Roberts 2006)
A RSL possui protocolos claros para promover a reprodutibilidade e
transparência da pesquisa, além de objetivar a minimização da subjetividade
e viés do pesquisador. Estes protocolos envolvem a busca sistemática para
localizar trabalhos com temáticas e características similares a partir de critérios
de inclusão e exclusão, todos explicitamente declarados para os leitores de forma
clara (Siddaway, Wood e Hedges 2019).No caso do presente trabalho, o PRISMA
foi adotado como o protocolo metodológico principal. Segundo Liberati, Altman
e Tetzlaff (2009), o método PRISMA define 27 itens e um diagrama de fluxo, que
devem guiar as fases de uma RSL de maneira rigorosa. Ao seguir tais métricas
na lista e no diagrama, é possível realizar uma revisão sistemática transparente
e totalmente replicável.
É necessário lembrar que tais itens e etapas são simplesmente recomendações
feitas pelos pesquisadores e criadores do modelo PRISMA e podem ser modificados
para o andamento da pesquisa sem, necessariamente, ocorrer em uma menor
transparência ou diminuição da confiabilidade dos resultados.
3.1. Procedimentos metodológicos realizados
Os repositórios científicos escolhidos para esta RSL foram a Scopus, a EBSCO,
a Redalyc e a Scielo, bases de dados com grande amplitude interdisciplinar. A
utilização de quatro repositórios virtuais de artigos acadêmicos visa o aumento
da diversidade de autores e suas origens. Outro motivo para a escolha destes
repositórios foi a possibilidade de download das informações bibliométricas
tabuladas no formato .CSV (comma-separated values), fator que facilita a análise
dos dados.
O primeiro critério da estratégia para a busca nestas bases foi a definição
dos termos “International Cooperation” AND “Technology Transfer”. Esses termos
também foram utilizados em português e espanhol
3
. Essas palavras-chaves estão
conectadas diretamente com a ODS 17.6 sobre cooperação internacional para
3 Termos utilizados em português e espanhol: “cooperação internacional”', “cooperacion internacional”,
“transferência de tecnologia”', ‘transferência de tecnologia”, “transferencia de tecnología”', “transferencia
tecnológica” e “transferência tecnológica”.
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acesso à tecnologia e conhecimento. Nessas condições, foram encontrados 1.135
textos acadêmicos na Scopus, 248 na EBSCO, 3 na Scielo e 275.515 no Redalyc
— somando um total de 274.129.
Por conta deste grande número, foi necessário especificar algumas
características nas ferramentas de buscas em cada base de dados para refinar
esses resultados. Para deixar a busca mais específica para o campo das relações
internacionais e ciência política, foram definidos os seguintes filtros de pesquisa
para a Scopus, Scielo e EBSCO: 1. Somente artigos científicos publicados em
revistas; 2. Idioma do artigo em inglês, espanhol ou português
4
; 3. Ano de
publicação dos artigos entre 2000 e 2025.
Ademais, na Scopus e Scielo, as buscas ficaram restringidas a artigos dentro
da área das Ciências Sociais a partir das ferramentas de procura das próprias
bases. Por sua vez, a ferramenta de busca da EBSCO não possui capacidade para
limitar os artigos por áreas de pesquisa; por isso, a exclusão de artigos de áreas
fora das Ciências Sociais foi feita de forma manual pelos autores deste trabalho.
No caso do Redalyc, a mesma não possui ferramentas de busca avançada.
Por conta disso, foi necessário fazer o download da base completa (de 01/01/2000
a 14/10/2025) via API (que retornou 274.129 resultados) e, posteriormente, a
criação de um script para pesquisar os artigos localmente utilizando as métricas
da pesquisa.
O resultado foram 114 artigos provenientes da EBSCO, 72 da Scopus, 17
do Redalyc e 2 da Scielo — totalizando 205 artigos. A partir disso, se iniciou o
processo de consolidação das informações bibliométricas obtidas de cada base
em formato .CSV em uma única planilha. Procedemos então com uma triagem
para a seleção dos trabalhos como aptos para serem incluídos na RSL, onde a
avaliação seguiu a seguinte ordem: 1. título; 2. resumo e; 3. introdução.
Com isso, foi possível avaliar se as pesquisas tratavam de cooperação
internacional para transferência de tecnologia e/ou conhecimento e se estas se
encontravam mesmo na área das Ciências Sociais, em especial aquelas provenientes
da EBSCO e Redalyc. Essa triagem foi realizada por meio da análise de um
único pesquisador5, em que o mesmo avaliou o conteúdo presente nesses três
elementos de cada artigo. Essa avaliação resultou na eliminação de 139 artigos,
4 A adoção de filtro restrito aos idiomas inglês, espanhol e português resultou na exclusão de estudos em outras
línguas, configurando potencial viés da pesquisa.
5 Reconhecemos que a utilização de um único pesquisador como revisor desta RSL influencia na triagem dos
artigos e na interpretação dos dados obtidos.
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por não se enquadrarem na proposta do trabalho após avaliação e reavaliação,
ou seja, sobraram 66 deles para análise quali-quantitativa.
Figura 1 — Fluxo do procedimento da RSL realizado
Fonte: Elaboração própria com base em Prisma Statement (2020).
Os 66 artigos foram lidos na íntegra, para que fossem extraídos deles duas
dimensões de informações: bibliométrica e substantiva. No nível bibliométrico
foram analisadas questões relativas ao ano de publicação, quantidade de autores por
artigo, idioma de publicação, país de afiliação dos autores, coautoria entre os autores
de diferentes trabalhos e palavras-chave. Enquanto isso, na dimensão substantiva,
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optou-se por definir os tipos de cooperação tratados de forma substancial nos
artigos, bem como cruzar esta informação com a afiliação dos autores encontrados
na análise bibliométrica, e apresentar um breve panorama dos mesmos.
4. A produção acadêmica sobre cooperação tecnológica internacional
Dividimos a apresentação em duas subseções, que dizem respeito às dimensões
bibliométrica/descritiva e substantiva dos artigos.
4.1.9 Dimensão descritiva
A análise identificou que 84,8% dos trabalhos foram publicados em inglês
(56 artigos), 12,12% em espanhol (8 artigos) e, apenas, 3% em português
(2 artigos), mesmo adotando bases de dados com predominância de autores
fluentes em língua hispânica e portuguesa — Scielo e Redalyc. Ademais, a média
anual de produção acadêmica entre os anos de 2000-2015 e 2016-2025 (gráfico 1),
respectivamente antes e depois da divulgação da Agenda 2030, demonstra um
aumento tendencial entre o início do século XXI até o ano de 2025, como
demonstrado pela linha de tendência do gráfico. O ano de 2003 é o ano com
menor nível de produção, não havendo nenhum artigo publicado, atingindo um
pico de produção em 2007 e 2011. Comparativamente, os primeiros anos pós-
ODS não atingem o pico desses anos citados anteriormente, mas mantém uma
maior estabilidade de produção.
Gráfico 1 — Quantidade de artigos publicados por ano (2000-2025)
Fonte: Elaboração própria.
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Ademais, observou-se um aumento tendencial na quantidade de autores
entre os dois períodos analisados — como observado no gráfico 2 abaixo.
Comparativamente, há uma média de aproximadamente 2,56 autores entre
2016-2025, enquanto nos primeiros 15 anos dos anos 2000, cerca de 1,8 autores.
Gráfico 2 — Quantidade de autores por artigo, ano e tendência (2000-2025)
Fonte: Elaboração própria.
Utilizamos a filiação institucional dos autores para identificar o país de
origem das publicações. Os 66 artigos selecionados possuem 131 autores; destes,
2 autores possuem afiliações com mais de uma instituição de países distintos,
portanto, a contagem de afiliações soma 133. Faure (2000) está filiado a uma
universidade na França e outra na China, enquanto Régneir (2009), a uma
instituição canadense e outra francesa. Além disso, dois autores do texto de
Gestetter et al. (2010) não possuem sua afiliação disponibilizada na base de
dados e no artigo original; sendo assim, optou-se por criar uma categoria de
filiação denominada de “Não disponível”.
Os Estados Unidos contam com 21 pesquisadores filiados (15,7%). A China
encontra-se em segundo lugar com 18 autores filiados (13,53%), seguida da
Coreia do Sul com 12 (9,02%), Reino Unido com 11 (8,27%) e Japão com 10
(7,5%). Os demais resultados podem ser visualizados no gráfico 3 abaixo.
É necessário ressaltar que a quantidade de afiliações não reflete a quantidade
de artigos publicados; por exemplo, o Japão possui 10 afiliações, porém, somente
4 artigos publicados com autores com afiliação japonesa; em comparação, o
Reino Unido possui 11 afiliações e 9 artigos publicados com autores filiados a
instituições do seu país.
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Gráfico 3 — Origem de filiação dos autores por país
Fonte: Elaboração própria.
Ao agrupar estes países em suas regiões, temos o gráfico 4: Ásia-Pacífico
(35,9%); Europa (26,7%); América Anglo-Saxônica (19,8%); América Latina
(14,5%); África (3,1%). Há 82 filiações a países do Norte Global contra 49 do
Sul Global; ao desconsiderar as duas filiações na categoria ‘Não Disponíveis’,
temos 62,6% das produções provenientes de países do Norte e 38,4% do Sul.
Nesta divisão, considerou-se a Rússia como parte da Europa, apesar de ser um
país com a maior parte do seu território no continente asiático, mas parte do
Sul Global, por sua relação histórica com os países do BRICS.
Gráfico 4 — Origem da filiação dos autores por região em porcentagem
Fonte: Elaboração própria.
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Utilizamos o software VosViewer, para analisar as palavras-chaves utilizadas
em todos os artigos sob os seguintes critérios: quais eram mais utilizadas e
suas conexões. Para realizar esta análise no software, optou-se por utilizar as
palavras-chaves escolhidas pelos autores dos artigos
6
, não havendo necessidade
das mesmas se repetirem mais de uma vez. Com isso, entre 2000-2015 há 48
palavras-chaves com conexão e entre 2016-2025 há 46. O resultado pode ser
visto abaixo nas figuras 2 e 3:
Figura 2 — Palavras-chave centrais e suas conexões (2000-2015)
Fonte: Elaboração própria.
Figura 3 — Palavras-chave centrais e suas conexões (2016-2025)
Fonte: Elaboração própria.
6 As palavras-chaves dos artigos em português e espanhol foram traduzidas para a língua inglesa para uso no software.
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Ao comparar as conexões, é visto que em ambos os momentos há artigos
que falam de cooperação internacional conectada com questões climáticas e
transferência tecnológica. Em relação às diferenças, a amostra demonstra presença
de discussões envolvendo propriedade intelectual no período das ODMs, além de
conexões da cooperação internacional e BRICs, e as conexões envolvendo a China
são voltadas para cooperações tecnológicas e interculturais. Comparativamente,
o período ODS demonstra discussões da área da saúde e tecnologia, cooperação
internacional para o desenvolvimento, e, em relação à China, há uma mudança
voltada para a transferência tecnológica envolvendo questões agrárias no continente
africano e investimentos diretos.
4.2. Dimensão substantiva
Em relação ao conteúdo substantivo dos artigos, os mesmos foram lidos
integralmente, a fim de identificar e quantificar os tipos de cooperação abordados.
Assim, classificamos os tipos da modalidade de cooperação: Sul-Sul, Norte-Sul,
Triangular, Norte-Norte, Multilateral ou “Não especificada”7.
No período ODM há uma predominância de artigos referentes à categoria
“Não especificada” e CNS, ambos com 15, sendo seguida pela CSS (4). Além
disso, CM obteve 3 artigos, enquanto a CNN 2 e a CTR 1. Já no período ODS, a
configuração da ordem de cooperações sobre o tema de transferência tecnológica
teve pouca mudança, quando comparada ao período da ODM. A categoria “Não
especificada” se mantém como a mais produzida, com 9 artigos, enquanto a
CNS (6) se torna a segunda mais produzida, seguida pela CSS (4). A diferença
se encontra nas categorias da CTR e CNN, ambos com 3 artigos, e a CM somente
um — demonstrando uma expansão na produção sobre a CTR comparativamente
a CM.
Estes resultados podem ser observados ao analisar o gráfico 5, que representa
o período 2000-2025. Nota-se que as categorias com predominância em ambos os
períodos são as de “Não especificada” e a CNS, denotando um maior interesse na
escrita de suas produções de forma geral. Por sua vez, a CSS possui um período
de produção maior entre 2014 e 2019 — período próximo ao lançamento dos
ODS. Em relação à CTR, há a presença de um artigo produzido a partir de 2015
7 Alguns trabalhos não abordavam categorias específicas de cooperação em transferência tecnológica, limitando-se
a discutir a cooperação de forma geral, aspectos teóricos do tema ou estudos de caso sem menção a relações
cooperativas com atores específicos.
A produção acadêmica sobre cooperação internacional para o acesso à tecnologia [...]
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e mais três após 2020, demonstrando um maior interesse neste assunto após as
ODS. Por sua vez, a CNN e a CM aparecem de forma espalhada em ambos os
momentos, não possuindo tanta influência relacionada à agenda 2030 ou ODM.
Gráfico 5 — Produção de artigo relacionado ao tipo de cooperação por ano (2000-2025)
Fonte: Elaboração própria.
Ademais, cruzamos os dados adquiridos na Dimensão Bibliométrica sobre
o país de afiliação dos autores e os tipos de cooperação discutidos nesta sessão,
para entendermos se há uma relação entre estes fatores.
Após análise, é visto que nos artigos onde não há nenhuma especificação
de cooperação, há o protagonismo dos países do Norte — são 24 artigos nesta
categoria durante ambos os períodos, dos quais 13 possuem somente autores
filiados a instituições de países do Norte Global. No caso da CNS, este padrão
também se mantém, já que 17 dos 21 artigos identificados possuem exclusivamente
pesquisadores vinculados a instituições dos países desenvolvidos. No caso da
CNN, são 5 artigos sobre esse tema e todos escritos por autores provenientes
dessa região.
Em relação à produção acadêmica da CSS, foram encontrados 8 artigos.
Destes, 5 são escritos por autores do Norte, 2 do Sul e 2 com coautoria mista,
demonstrando que, nesse banco de artigos selecionados, os autores do Sul não são
os que mais publicam sobre a CSS sobre o tema deste trabalho. Além disso, a RSL
encontrou 4 artigos sobre a CTR, em que há 2 artigos com filiações unicamente
sulistas e 2 mistas, denotando uma maior participação dos países do Sul Global
neste assunto. Em relação à CM, foram encontrados 4 artigos sobre as triagens,
em que 2 deles possuem filiados unicamente a países do Sul e 2 do Norte.
Raphael Maciel Carneiro; Pascoal Teófilo Carvalho Gonçalves
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1571, 2026
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Ainda é necessário comparar os períodos das ODMs e das ODS analisando,
em termos percentuais, a relação entre as categorias de cooperação e a afiliação
dos autores. Essa abordagem permitirá identificar se os padrões observados
anteriormente se mantiveram de forma consistente ou se foram se transformando
ao longo do tempo com a mudança das ODMs para ODS. Para isso, foram criados
os gráficos 6 e 7 para melhor visualização.
Gráfico 6 — Distribuição Percentual da Afiliação dos Autores
por Categoria de Cooperação (2000-2015)
Fonte: Elaboração própria.
Gráfico 7 — Distribuição Percentual da Afiliação dos Autores
por Categoria de Cooperação (2016-2025)
Fonte: Elaboração própria.
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Tendo estes gráficos em mente, a CM sofreu uma modificação entre os
períodos; durante a ODM a amostra desta RSL demonstrava que havia maior
presença de filiação do Norte na produção deste tipo de cooperação tecnológica,
mas, a partir das ODS, o Sul passou a produzir mais. Por sua vez, a CNS, após
as ODS, passou a haver uma participação de autores filiados aos países em
desenvolvimento, porém, a preponderância do Norte ainda se manteve. Os
trabalhos voltados para a CSS demonstravam haver um equilíbrio entre o Sul
e Norte anteriormente ao lançamento dos ODS, mas houve preponderância
do Norte após 2015. Em contrapartida, os artigos voltados para o CTR tiveram
um movimento de ascensão do Sul Global após o lançamento da Agenda 2030.
Nos artigos categorizados como “Não Especificada” houve uma diminuição da
participação individual de afiliações dos países desenvolvidos a partir dos ODS,
mas as produções que tratavam da CNN mantiveram a hegemonia do Norte.
4.3. Discussão dos assuntos tratados nos artigos
A partir da evolução das publicações entre as ODMs e os ODS, analisam-se
os conteúdos dos artigos desta RSL, categorizados conforme seus modelos de
cooperação e agrupados por afinidade temática.
Dentre os trabalhos que tratam da CSS, o mais antigo é Régneir (2009), o
qual documenta diferentes estratégias de cooperação internacional na promoção
do comércio de micro e pequenas empresas agroalimentares do Sudeste Asiático
e da África Ocidental. Em sequência, Terabe, Takada e Yai (2017) destacam
estratégias para o futuro da pesquisa internacional da Sociedade de Pesquisa
em Transportes Sustentáveis do Leste Asiático, que envolvem a cooperação
internacional e transferência tecnológica.
Na CSS voltada à África, predomina a cooperação tecnológica agrícola com
a China. Milhorance (2014) identifica a dependência da cooperação agrícola
Brasil-África das iniciativas do governo brasileiro. Enquanto isso, Cook et al.
(2016) investigam a migração de chineses para os setores agroalimentares da
Etiópia e Gana, confrontando a ideia de que esses migrantes são agentes estatais
chineses. Lawther (2017) mostra que as parcerias China-Ruanda-Uganda beneficiam
sobretudo agricultores médios e interesses chineses com a transferência tecnológica.
Agbebi (2018), exceção temática, analisa políticas nigerianas de conteúdo local
no setor de TIC.
Raphael Maciel Carneiro; Pascoal Teófilo Carvalho Gonçalves
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Há artigos sobre a CSS que discutem a importância e insuficiência dos marcos
institucionais atuais para a transferência de tecnologia. Corvaglia (2014) estuda
o crescente fluxo de tecnologia entre países do Sul para o desenvolvimento
sustentável, mas afirma que a ausência de marcos regulatórios e as barreiras da
propriedade intelectual impedem o aumento do fluxo Sul-Sul. De forma parecida,
Buss, Ferreira e Hoirisch (2014) focam na relação dos BRICS e como este grupo
avança na cooperação tecnológica para o desenvolvimento sustentável, afirmando
que há a necessidade de mais ações conjuntas para a melhora dos sistemas de
saúde e sustentabilidade dos membros do bloco.
No âmbito da CNS, parte significativa dos estudos aborda barreiras
socioculturais e institucionais à transferência tecnológica. Faure (2000), Kilbourne
(2005), Shepherd e Gibbs (2006) e Miyakawa et al. (2024) destacam dificuldades
de adaptação local de tecnologias do Norte. Kroesen Jong e Waaub (2007)
sintetizam lições sobre transferência de políticas. Outros trabalhos tratam de
patrimônio histórico-cultural (Hong-Soon 2003; Doctor 2011; Choie et al. 2024).
Por sua vez, Jongsthapongpanth e Bagchi-Sem (2007) exploram as conexões
inter-regionais, apontando a necessidade de se examinar tanto as redes de negócios
quanto as redes de conhecimento. Tejada (2012) estuda os profissionais qualificados
da Colômbia, Índia e África do Sul, na Suíça, na área da tecnologia, avaliando
o seu papel para a criação de redes e projetos que se tornam cooperações com
os seus países de origem.
Há artigos da CNS que tratam da transferência tecnológica dentro da estratégia
geopolítica norte-americana na região asiática. Qingmin e Hyer (2001) estudam o
caso da política estadunidense de vendas de armas e transferências tecnológicas
entre a China continental e Taiwan. Enquanto, Mistry (2006) analisa a cooperação
nuclear entre EUA e Índia, de 2005, e constata que a implementação da iniciativa
foi atrasada por questões de política doméstica.
Dentre os estudos que tratam de instrumentos ou políticas que facilitam a
transferência tecnológica na CNS, Sawada, Matsuda e Kimura (2010) argumentam
que a cooperação técnica, o IED e a abertura comercial contribuem para facilitar as
transferências internacionais de tecnologia, desempenhando um papel importante
nos países em desenvolvimento. Hirono (2007) analisa a cooperação ambiental
sino-japonesa, que o Japão forneceu empréstimos, assistência técnica e tecnologia
para a China. Hübler e Finus (2013) analisam o fracasso na transferência tecnológica
na relação Norte-Sul para a redução de emissões de hidrocarbonetos nos acordos
de mudanças climáticas. Gómez-Galvarriato (2020) examina como o Banco
A produção acadêmica sobre cooperação internacional para o acesso à tecnologia [...]
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do México serviu como uma ponte para a criação do Instituto Mexicano de
Investigaciones Tecnológicas a partir de uma cooperação com os EUA.
No debate sobre propriedade intelectual, Watson (2011) e Pearson (2011)
sustentam que patentes não constituem barreira absoluta para a transferência
tecnológica. Borthakur (2023) investiga a transferência de tecnologias
ambientalmente sustentáveis, por meio de análise empírica de patentes, destacando
que a distribuição desigual de patentes influencia negativamente a inovação verde.
Dois estudos da CNS tratam de questões relacionadas à Saúde. Graham (2016)
analisa o desenvolvimento do MenAfriVac como um exemplo de transferência
tecnológica marcada por priorização de metas de consórcios público-privados.
Enquanto Cullet (2023) discute como um tratado internacional sobre resistência
antimicrobiana poderia seguir modelos de acordos ambientais, destacando que
instrumentos focados em transferência de tecnologia ou financiamento podem
ser caminhos iniciais mais viáveis.
Em relação à CTR, Urban et al. (2015) analisam a cooperação tecnológica
Europa-China-Índia em joint ventures de turbinas eólicas, evidenciando fluxos
multidirecionais e posterior transferência reversa. Perin (2020) analisa a cooperação
Brasil-Moçambique-Japão, evidenciando como a intervenção tecnológica causou
financeirização da terra no país africano. Ademais, tanto o texto de Wang, Elvis
e Cheng (2024) quanto o de Jiang et al. (2025) tratam cooperação China-Japão-
Coreia do Sul, porém em setores distintos. O texto de Wang, Elvis e Cheng
(2024) demonstra como multinacionais japonesas e coreanas lideram os núcleos
de inovação, enquanto a China expande a sua participação, e o trabalho de
Jiang et. al (2025) avalia a competitividade do aço produzido nos três países e
cooperação entre os três.
Em relação à CM, Sadeh (2004) analisa a cooperação multilateral do programa
da Estação Espacial Internacional (1981-1998). Cepik (2011) destaca a atuação
chinesa para ampliar a sua autonomia tecnológica e consolidar seu programa
espacial por meio de parcerias multilaterais. Já Hymans (2011) analisa o caso da
Iugoslávia dentro do programa Atoms for Peace, em que houve uma ampla assistência
tecnológica de diversos países. Por fim, Flores-Alatorre et al. (2024) apresentam
o processo de criação da Oficina de Transferência Tecnológica na Universidade
Autónoma de Asunción, com a cooperação de instituições internacionais.
Os artigos que tratam da CNN analisam como a tecnologia molda
inovação, capacidades estatais e dinâmicas geopolíticas em volta da questão da
interdependência. Bauner (2011) apresenta que a combinação entre regulação
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ambiental, competição industrial e cooperação científica entre EUA e Japão
avançou o setor automotivo. Pollmann e Tidewell (2015) analisam a transferência
de tecnologia naval e como esta molda os alinhamentos estratégicos na relação
Austrália-Japão-EUA. Luhmann (2020) evidencia uma cooperação universitária
entre Alemanha e Ucrânia e como esta fortaleceu capacidades técnicas. No campo
da saúde, Perehudoff (2025) analisa que há falhas no sistema de transferência
tecnológica, essencial para a produção de vacinas em países de baixa renda na
União Europeia.
Nos “Não especificados”, Forsyth (2005) e Han et al. (2023) ressaltam
obstáculos à transferência climática, enquanto Jiang et al. (2017) destaca a
necessidade de reposicionamento estratégico chinês frente às questões tecnológicas
climáticas. Estudos institucionais (Coninck e Puig 2015; Ockwell, Sagar e Coninck
2014; Sirgy et al. 2006; Hoen 2022; Sumari et al. 2019) enfatizam P&D orientado
a necessidades sociais e fortalecimento educacional. Casos aplicados incluem o
Centro de Estudios de Corrosión na Venezuela (Salazar e Urbáez 2004).
A discussão sobre propriedade intelectual também aparece nessa categoria
de cooperação. Littleton (2009) argumenta que o Acordo TRIPS limita a difusão
de tecnologias climáticas. Em linha semelhante, Zhou (2019) aponta os direitos
de propriedade intelectual como principal barreira à transferência tecnológica.
Shugurova e Shugurov (2015) concluem que é necessária maior harmonização
entre proteção de direitos e acesso tecnológico para promover inovação global
sustentável. Gerstetter, Marcellino e von Sperberet (2010), assim como Schuller
(2012), analisam instrumentos para a propagação de tecnologias ambientais,
evidenciando seus desafios.
Enquanto isso, Rendleman e Faulconer (2010) e Sridhara Murthi e Shoba (2010)
estudam casos de programas espaciais e transferência tecnológica. Os primeiros
mostram que a colaboração entre agências enfrenta restrições tecnológicas e
políticas. Já o segundo estudo analisa o programa espacial indiano e como este
estruturou um sistema de transferência tecnológica por meio de cooperações
internacionais.
Por fim, da Silva (2007) diferencia a cooperação e colaboração em C&T, ao
enfatizar que países do Sul necessitam de mecanismos formais para a transferência
tecnológica provenientes de cooperações. Essa lógica de questões relacionadas
aos mecanismos aparece em Shugurov (2019), quando este examina a integração
de política de transferência tecnológica da União Econômica Eurasiática e suas
falhas.
A produção acadêmica sobre cooperação internacional para o acesso à tecnologia [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1571, 2026
22-28
5. Conclusão
Em resumo, ao observar todo o período 2000-2025, por conta da maior
quantidade de autores vinculados ao Norte Global encontrados nesta RSL, os
países desenvolvidos aparentam publicar mais quando se trata da CNN, CNS e,
até mesmo, CSS. Em contrapartida, os autores do Sul demonstram maior presença
na produção acadêmica sobre a CTR e na CM para a transferência de tecnologia.
A CM possuía mais publicações durante a vigência dos ODMs, enquanto a CTR
a partir do lançamento da Agenda 2030.
Ao analisar os dados, nota-se que a maior parte da produção científica
envolvendo a CSS ficou restrita ao espaço temporal entre a chegada das ODMs e
os primeiros anos das ODS, com o seu número de publicações diminuindo após
2019 nesta RSL. Mais do que isso, a CSS, durante o período das ODMs, possuía
um equilíbrio de produção entre autores do Sul e Norte, mas, após a Agenda
2030, os países em desenvolvimento perderam espaço — aparecendo após 2015
somente em coautoria com autores do Norte. Em comparação, a CNN é publicada
com maior frequência após o lançamento das ODS, com a massiva autoria de
autores filiados a países desenvolvidos. Ademais, as publicações sobre a CNS se
demonstram como as mais publicadas, somente atrás daquelas que não possuem
um tipo de cooperação especificada, em ambos os períodos analisados.
Somado a essa predominância em relação ao tipo de cooperação, há
maior presença dos países do Norte Global dentre os cinco maiores produtores
acadêmicos deste tema, tendo somente a China como representante do Sul Global
em contrapartida aos EUA, Coreia do Sul, Reino Unido e Japão. Estes dados
refletem a continuação da hegemonia do Norte-Global nas produções acadêmicas.
Constatamos que os temas tratados em ambos os períodos se modificaram,
com exceção da continuidade de discussões envolvendo transferência de tecnologia
para proteção ambiental. O período dos ODMs traz mais artigos voltados para a
propriedade intelectual e a China presente em cooperações tecnológicas. Por sua
vez, o período das ODS demonstra maiores discussões envolvendo a transferência
de tecnologia para a saúde, desenvolvimento de países e, apesar de a China
também aparecer, o foco se modificou para as suas parcerias em questões agrárias
— em especial no continente africano. Portanto, mesmo com os esforços da
ODS como uma agenda de desenvolvimento que buscava aumentar a voz do Sul
Global em um mundo multipolar, a produção acadêmica se mantém dominada
pelos países do Norte.
Raphael Maciel Carneiro; Pascoal Teófilo Carvalho Gonçalves
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Este trabalho se estabelece como uma fonte para futuras pesquisas sobre
o tema da produção acadêmica para a cooperação de tecnologia no campo das
ciências sociais, ao demonstrar tendências bibliométricas e temáticas, investigar
origens dos autores, e trazer um apanhado geral sobre os assuntos tratados em
cada artigo abarcado por esta RSL. A partir disso, é necessário que haja mais
investigações para entender a complexa relação deste tema e a hegemonia do
Norte, bem como, se as produções acadêmicas refletem a prática nas relações
internacionais.
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