
Túlio Sérgio Henriques Ferreira; Marcos Alan Ferreira; Jean Lucas de França Santos
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 20, n. 3, e1582, 2025
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Da formação do jovem Estado Monárquico à República: do pacifismo
imposto ao consciente
Para identificar tais padrões no tempo, retorna-se ao momento da criação
do Estado no Brasil e as condições de sua inserção como novo ator do Sistema
Internacional (Cervo e Bueno 2002). Neste momento, dá-se início à trajetória da
política externa brasileira e ao seu primeiro paradigma, o liberal-conservador.
O período, sob domínio da elite latifundiária, seguiu o sistema internacional
europeu e o liberalismo de “portas abertas”, preservando monarquia, exportação
primária e escravismo, além de afirmar soberania e identidade nacionais. (Cervo
2003). Formado, o Estado brasileiro permaneceu imobilizado, moldado pelo aparato
português e pelas relações com a Inglaterra, o que reforçou sua dependência.
O cálculo estratégico equivocado da PEB levou a concessões externas e a uma
política defensiva e conciliadora, revelando uma vocação pacifista ligada às
fragilidades institucionais do país nascente. Essa postura ‘pacífica’ é testada pela
Guerra da Cisplatina. Tal inflexão se manifesta pelas reivindicações uruguaias,
com apoio argentino, sobre o histórico palco de conflitos entre Portugal e Espanha.
Seus resultados, porém, são desastrosos para o Brasil, que em seu primeiro
conflito saiu derrotado e com as finanças arruinadas (Cervo e Bueno 2002; Sena,
Rodrigues e da Silva 2011; Coronato 2015; Ricupero 2017). O Estado brasileiro
se vê incapaz de projetar força e mobilizar recursos, sem capacidades materiais
e imobilizado por tratados desiguais, ainda tentando se afirmar como um novo
player no Sistema Internacional.
Neste sentido, pode-se considerar que as condições sistêmicas acima expostas
conformam, no Brasil, pacifismo imposto. Por tal motivo o país rebaixa suas
ambições no Prata, equalizando tal manifestação conforme a conjuntura. Na
visão de Coronato (2015), entre o fim da Guerra Cisplatina e o Início da Guerra do
Paraguai, teríamos 5 fases, a saber: Distensão Imposta (1828-1835), Doutrina da
Pacificação (1835-1843), Neutralidade Ativa (1844-1851), Protetorado Imperfeito
(1852-1861) e Doutrina Liberal (1862-1864). Vê-se, por parte do Brasil, a sustentação
de uma política de não ingerência e de neutralidade, a qual, todavia, se deteriora
progressivamente. Entrementes, conforme Cervo e Bueno (2002), neste período
o país começa a administrar seu imobilismo tanto pela reação no discurso, como
por meio de reformas institucionais. A década de 1840 encerraria o período do
imobilismo inicial da PEB, processo sintetizado pelo fim dos ‘tratados desiguais’.
Nesse contexto, as ações passaram a ser pautadas com vistas a um robustecimento