José Alejandro Sebastian Barrios Díaz
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 20, n. 2, e1614, 2025
1-24
História da Diplomacia Brasileira
em Moçambique (1975-1986):
Estratégias, Desafios e Resultados
History of Brazilian Diplomacy
in Mozambique (1975-1986):
Strategies, Challenges, and Outcomes
Historia de la Diplomacia Brasileña
en Mozambique (1975-1986):
Estrategias, Retos y Resultados
DOI: 10.21530/ci.v20n2.2025.1614
José Alejandro Sebastian Barrios Díaz
1
Resumo
Este artigo analisa as estratégias diplomáticas brasileiras na
construção das relações bilaterais com Moçambique entre 1975
e 1986, período marcado pela independência moçambicana e pela
morte de Samora Machel. Explora como o Brasil buscou estabelecer
presença no país africano por meio de cooperação técnica, comércio
e construção de confiança política, enfrentando a desconfiança
decorrente do legado colonial português e das dinâmicas
neocoloniais da Guerra Fria. A pesquisa destaca a importância
dos laços culturais e simbólicos na mediação diplomática, o lugar
da cooperação internacional e do comércio bilateral ao mesmo
tempo em que discute os limites dessa aproximação diante das
assimetrias históricas. O estudo contribui para a compreensão
crítica das políticas externas do Brasil em África, refletindo sobre
os desafios da construção de parcerias genuínas em contextos
pós-coloniais e globalmente assimétricos.
Palavras-chave: Cooperação Internacional, Diplomacia, Moçambique,
Política Externa Brasileira, Relações Bilaterais.
1 Doutor em Relações Internacionais pelo Instituto de Relações Internacionais
(IREL), Universidade de Brasília – UnB. Professor do Instituto de Relações
Internacionais (IREL), Universidade de Brasília – UnB. (jose.diaz@unb.br).
ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8386-3642.
Artigo submetido em 14/08/2025 e aprovado em 18/11/2025.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
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Este é um artigo
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ISSN 2526-9038
História da Diplomacia Brasileira em Moçambique (1975-1986): Estratégias, Desafios e Resultados
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 20, n. 2, e1614, 2025
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Abstract
This article analyzes Brazilian diplomatic strategies in building bilateral relations with
Mozambique between 1975 and 1986, a period marked by Mozambican independence
and the death of Samora Machel. It explores how Brazil sought to establish a presence in
the African country through technical cooperation, trade, and the construction of political
trust, while facing the mistrust stemming from the Portuguese colonial legacy and the
neocolonial dynamics of the Cold War. The research highlights the importance of cultural
and symbolic ties in diplomatic mediation, the role of international cooperation and bilateral
trade, while also discussing the limits of this rapprochement in the face of historical
asymmetries. The study contributes to a critical understanding of Brazil’s foreign policies
in Africa, reflecting on the challenges of building genuine partnerships in postcolonial and
globally asymmetric contexts.
Keywords: Bilateral Relations, Brazilian Foreign Policy, Diplomacy, International Cooperation,
Mozambique.
Resumen
Este artículo analiza las estrategias diplomáticas brasileñas en la construcción de las relaciones
bilaterales con Mozambique entre 1975 y 1986, período marcado por la independencia
mozambiqueña y la muerte de Samora Machel. Explora cómo Brasil buscó establecer
presencia en el país africano a través de la cooperación técnica, el comercio y la construcción
de confianza política, enfrentando la desconfianza derivada del legado colonial portugués
y de las dinámicas neocoloniales de la Guerra Fría. La investigación destaca la importancia
de los lazos culturales y simbólicos en la mediación diplomática, el papel de la cooperación
internacional y del comercio bilateral, al mismo tiempo que discute los límites de esta
aproximación frente a las asimetrías históricas. El estudio contribuye a la comprensión
crítica de las políticas exteriores de Brasil en África, reflexionando sobre los desafíos de
construir asociaciones genuinas en contextos poscoloniales y globalmente asimétricos.
Palabras-clabe: Cooperación Internacional, Diplomacia, Mozambique, Política Exterior
Brasileña, Relaciones Bilaterales.
1. Introdução
O período compreendido entre 1975 e 1986 configura-se como um
momento crucial nas relações bilaterais entre Brasil e Moçambique. Marcado pelo
reconhecimento da independência do país africano, em 15 de novembro de 1975
e, a partir dessa data, o início da aproximação diplomática os dois Estados. Essa
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fase está inserida em um contexto internacional profundamente marcado pelas
transformações geradas pelos processos de descolonização africana, pela Guerra
Fria e pelo rearranjo das relações internacionais no Sul Global. Nesse panorama,
o reconhecimento da independência moçambicana pelo Brasil representou um
movimento estratégico por parte do Brasil para ampliar sua influência e presença
no continente africano, articulando interesses econômicos, políticos e simbólicos.
Além da amizade, existe interesse e, ademais, essa dinâmica, foi permeada
por tensões e contradições que refletem as complexas trajetórias históricas dos
dois países e as assimetrias inerentes às suas posições no sistema internacional.
Moçambique, como um Estado recém-independente, enfrentava desafios enormes
de consolidação política, desenvolvimento econômico e integração social, em um
contexto regional caracterizado por conflitos e instabilidades, especialmente na
África Austral (Cau 2011; Cabaço 2011). Por sua vez, o Brasil buscava posicionar-
se como um ator emergente no sistema internacional, almejando fortalecer suas
relações internacionais e ampliar sua projeção política e econômica no continente
africano (Santos 2014).
A aproximação bilateral ocorreu num cenário de desconfiança inicial por
parte do governo moçambicano, que questionava os objetivos e a legitimidade
da presença brasileira, dada a associação histórica do Brasil com Portugal e sua
postura anterior, que não se opunha explicitamente ao colonialismo português
(Barrios Díaz 2016). Esse quadro de suspeitas e receios constituiu um dos principais
desafios para a diplomacia brasileira, que teve que construir uma agenda de
diálogo baseada na gradual construção de confiança, por meio de visitas técnicas,
intercâmbios culturais e projetos de cooperação técnica, especialmente nas áreas
de saúde e educação, que se mostraram estratégicas para o desenvolvimento do
país africano (Barrios Díaz 2024).
Este artigo tem como objetivo analisar o processo de construção das relações
bilaterais entre Brasil e Moçambique no período de 1975 a 1986, com foco nas
estratégias diplomáticas, econômicas e de cooperação internacional que nortearam
essa aproximação. A pesquisa investiga como o Brasil, inserido em um cenário
de profundas transformações globais e regionais, articulou seus interesses e
percepções para afirmar sua presença em Moçambique, ao mesmo tempo em
que navegava as tensões decorrentes do legado colonial e das complexidades da
Guerra Fria. A pergunta central que orienta o estudo é: quais foram as principais
estratégias diplomáticas brasileiras que moldaram e consolidaram a relação
bilateral com Moçambique nesse período?
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A hipótese deste artigo é que a construção das relações bilaterais entre Brasil
e Moçambique, entre 1975 e 1986, foi resultado de uma combinação estratégica
de três dimensões centrais: a construção de confiança político-diplomática,
a promoção da cooperação técnica e o incentivo ao comércio bilateral. Essas
estratégias foram articuladas de forma complementar para superar desconfianças
iniciais decorrentes do legado colonial e das tensões políticas regionais, permitindo
ao Brasil consolidar sua presença em Moçambique e ampliar sua influência em
África, mesmo diante de limitações estruturais e desafios diplomáticos. Assim,
a relação bilateral não se restringiu a interesses econômicos, mas foi sustentada
por um esforço deliberado de estabelecer vínculos políticos e simbólicos que
garantissem uma interlocução contínua e produtiva entre os dois países.
Ao mesmo tempo, a construção da confiança política na relação entre os
dois países ganhou destaque no discurso diplomático, com ênfase nas chamadas
afinidades históricas e culturais”, ligadas à língua portuguesa e à herança
colonial compartilhada. Essa narrativa, embora facilitadora do diálogo, carregava
em si elementos ambíguos e contraditórios, pois, enquanto buscava legitimar
a aproximação e a solidariedade, reproduzia, ainda que de forma velada, as
continuidades do passado colonial e das desigualdades estruturais. A diplomacia
brasileira, portanto, atuava em um campo marcado por tensões entre o desejo
de se afirmar como parceiro confiável e o peso dos vínculos coloniais e das
assimetrias de poder que atravessavam a relação.
A pesquisa adota uma abordagem interpretativo-analítica, voltada à
compreensão dos significados atribuídos pelos atores diplomáticos brasileiros
às suas ações e discursos no processo de construção das relações bilaterais com
Moçambique entre 1975 e 1986. Essa perspectiva parte do pressuposto de que a
política externa não se limita à dimensão instrumental das decisões, mas envolve
também a produção simbólica de sentidos, narrativas e identidades que orientam
a atuação internacional do Estado (Lang 2007; Pouliot 2015).
O método utilizado é o da análise documental interpretativa, voltado à leitura
qualitativa de documentos diplomáticos como fontes históricas e políticas. Essa
metodologia privilegia o contexto de produção, circulação e significado dos
documentos, considerando o papel das ideias e representações na formulação da
política externa (Cellard 2008; Bowen 2009). O exame dos telegramas, despachos
e discursos oficiais permitiu identificar as narrativas centrais que orientaram a
aproximação entre Brasil e Moçambique e compreender como a linguagem diplomática
refletiu e construiu sentidos de cooperação, solidariedade e desenvolvimento.
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Antes da independência, o Consulado Geral do Brasil em Lourenço Marques
foi liderado por figuras como o Cônsul Geral Octávio Luiz de Berenguer Cesar e,
posteriormente, pelo Conselheiro Mário Augusto Santos. O primeiro embaixador
brasileiro acreditado em Moçambique foi Ronald Small Leslie Moraes, em 1976,
seguido por Ítalo Zappa (1977–1981) e Marcel Dezon Costa Hasslocher (1981–
1985). Nesse contexto, o primeiro discurso oficial do governo brasileiro em
território moçambicano foi proferido em 19 de agosto de 1976, durante a gestão
de Moraes. A embaixada era então de pequena estrutura, composta apenas pelo
embaixador e por um primeiro-secretário, o diplomata Paulo Antônio Pereira
Pinto, atualmente embaixador aposentado. Os textos e comunicações oficiais
daquele período foram redigidos essencialmente por esses diplomatas, e não
existem outras fontes primárias referentes à produção documental interna da
missão, o que reforça a importância do material preservado no Arquivo Histórico
do Itamaraty (AHI )para a reconstituição do período.
Todas as fontes citadas obedecem à organização dos arquivos visitados. No
Itamaraty, os documentos estão classificados por postos (embaixadas, consulados
e missões) e assuntos, que variam em numeração e temática conforme o período
e o tipo de correspondência. O conjunto documental referente a Moçambique
entre 1974 e 1986 inclui telegramas, despachos, memorandos e correspondências
diplomáticas trocadas entre a Embaixada do Brasil em Maputo e o Ministério
das Relações Exteriores. Esse material revela as percepções e estratégias dos
diplomatas brasileiros diante do processo de independência moçambicana e
construção das relações bilaterais no período em tela.
O tratamento do material empírico seguiu três etapas principais. A primeira
consistiu em uma leitura exploratória e catalogação das fontes segundo o tipo
documental, a origem e a data, com a identificação dos principais atores e dos
temas recorrentes. Em seguida, realizou-se a codificação temática das categorias
discursivas, a partir de termos e expressões recorrentes nas comunicações
diplomáticas, o que permitiu reconstruir o vocabulário político e simbólico
da aproximação bilateral entre Brasil e Moçambique. Por fim, procedeu-se à
interpretação contextualizada dos discursos, relacionando-os ao cenário histórico
mais amplo da Guerra Fria, aos processos de descolonização africana e às
diretrizes da política externa brasileira no período.
Ao articular análise de discurso e pesquisa documental histórica, o estudo
busca compreender não apenas o conteúdo das ações diplomáticas, mas também
os sentidos simbólicos e políticos que as sustentaram. Essa estratégia metodológica
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permite evidenciar as tensões, ambiguidades e continuidades que marcaram a
inserção do Brasil na África Austral, oferecendo uma leitura crítica e situada das
relações bilaterais entre Brasil e Moçambique, de 1975 a 1986.
Este artigo se insere no debate contemporâneo sobre a política externa brasileira
no contexto da descolonização africana e das dinâmicas Sul-Sul, dialogando
com a literatura que analisa as estratégias diplomáticas de países emergentes
na construção de relações bilaterais com nações africanas recém-independentes
(Barrios Díaz 2024; Milani et al. 2014). Contribui, em particular, para os estudos
que problematizam as dimensões simbólicas e práticas da diplomacia brasileira,
ampliando a compreensão sobre como o país articulou interesses políticos,
econômicos e culturais para afirmar sua presença no continente africano.
O artigo está organizado em três seções, além da introdução e observações
finais, que estruturam a análise das relações bilaterais entre Brasil e Moçambique
entre 1975 e 1986. A primeira seção contextualiza o cenário histórico e diplomático,
destacando os desafios iniciais decorrentes do legado colonial, as tensões da
Guerra Fria e a desconfiança mútua que marcaram os primeiros contatos oficiais
entre os dois países. Na segunda seção, são examinadas as posições diplomáticas
adotadas pelo Brasil para construir confiança política e estabelecer diálogo com o
governo moçambicano. Por fim, a terceira seção aborda os vetores da cooperação
internacional e do intercâmbio comercial que sustentaram a aproximação bilateral,
identificando os projetos de cooperação técnica em áreas-chave como saúde
e educação, bem como as tentativas de expansão das relações comerciais e a
inserção de empresas brasileiras no mercado moçambicano.
2. Considerações de ordem geral das Relações Brasil-Moçambique
(1975-1986)
A delimitação do período estudado, entre 1975 e 1986, obedece a dois marcos
fundamentais que balizaram as dinâmicas dessa relação bilateral: a independência
de Moçambique, proclamada em 1975, e a morte do presidente Samora Machel,
em 1986, evento que também simboliza uma crise significativa no vínculo entre
os dois países. Essa etapa é compreendida como um esforço inicial, por parte
da diplomacia brasileira para estabelecer um canal de aproximação e presença
em Moçambique, articulando interesses políticos e econômicos que moldariam
os primeiros anos dessa relação.
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No cenário global e regional, o período está marcado por desafios
complexos, como a instabilidade da Guerra Fria e a desconfiança inicial do
governo moçambicano em relação ao Brasil. Moçambique via com reservas o
posicionamento brasileiro, que, até então, não se colocava explicitamente contra
a manutenção do colonialismo português nas antigas colônias africanas (Barrios
Díaz 2016). Esse receio refletia-se em uma resistência em aceitar o discurso oficial
do Itamaraty que proclamava apoio às independências e à autodeterminação dos
povos das ex-colônias portuguesas. Como não poderia deixar de ser, a presença
da identidade linguística compartilhada entre os países, aliada às crescentes
necessidades materiais do recém-independente Moçambique, funcionaram como
fatores que facilitaram o estabelecimento de um diálogo diplomático e político,
bem como uma agenda de visitas técnicas recíprocas que buscavam construir
confiança mútua.
Antes mesmo da independência moçambicana, um telegrama secreto, datado
de 12 de junho de 1975, informou que os dirigentes da Frente de Libertação de
Moçambique (FRELIMO), grupo armado que conquistou a independência do
país, negou o pedido para o estabelecimento de uma Representação Especial
brasileira em Moçambique, ao mesmo tempo em que alertava para a profunda
desconfiança do governo de Maputo em relação aos diplomatas presentes, muitos
dos quais ainda vinculados ao antigo regime colonial português. Esse cenário
evidencia a complexidade do momento, uma vez que a FRELIMO, movimento
de libertação que assumira o poder, exigiu a retirada dos quadros diplomáticos
acreditados na antiga capital Lourenço Marques (atual Maputo), os quais eram
vistos como representantes da ordem colonial e, portanto, ilegítimos para dialogar
com o governo independente. A limitação da movimentação desses diplomatas
a uma faixa de 50 quilômetros ao redor da capital reforçava o controle exercido
pelo novo governo para consolidar sua soberania e autonomia política (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1975a).
Compreendendo o contexto de desconfiança e as tensões decorrentes, o
Brasil, apesar das reservas expressas por líderes como Samora Machel, Joaquim
Chissano e Marcelino dos Santos, empenhou-se em construir um diálogo político-
diplomático consistente. Essa interlocução não se restringia apenas aos temas
bilaterais, mas também abrangia questões regionais da África Austral e os desafios
da Guerra Fria no continente africano. A agenda diplomática incluía visitas
técnicas e intercâmbios entre altos funcionários, que tinham como propósito
cultivar confiança e estabelecer uma relação institucional duradoura.
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A despeito da desconfiança e ressentimentos que marcaram a percepção
moçambicana da política brasileira, isso não impediu o aprofundamento das
relações bilaterais. No entanto, a superação formal desse ressentimento por
parte de Moçambique só ocorreu mais tarde, com a inauguração da embaixada
moçambicana em Brasília, em 1998, vinte e um anos após a abertura da embaixada
brasileira em Maputo. Esse hiato evidencia as assimetrias e complexidades
presentes na relação, assim como as dificuldades para construir uma interlocução
plena entre os dois países.
Pode-se afirmar que o governo de Maputo nutria a expectativa de que o
Brasil se tornasse um parceiro capaz de apoiar a construção e o desenvolvimento
do país, que se encontrava em um contexto interno instável e marcado por
fragilidades políticas e econômicas. Essa expectativa refletia necessidades reais de
Moçambique, especialmente em áreas da industrialização de produtos primários,
como o açúcar e o caju, setores essenciais para a base econômica do país. Do
lado brasileiro, por sua vez, o relacionamento com Moçambique era avaliado
como uma oportunidade, tanto em termos comerciais e financeiros, quanto na
implementação de projetos de cooperação técnica. O chamado “acumulado
técnico” brasileiro, resultado do processo de industrialização nacional, passou
a ser concebido como um instrumento importante da política externa brasileira,
com o intuito de consolidar influência e ampliar a presença brasileira na África
(Arquivo Histórico do Itamaraty 1976a).
A participação do setor privado brasileiro, desde o início, foi considerada
fundamental para o estreitamento dessas relações, com a expectativa de que
empresas nacionais pudessem atuar em território moçambicano. Muitas das
negociações e tentativas daquele período, embora nem sempre bem-sucedidas,
constituem a base para a atual presença brasileira em Moçambique, demonstrando
a continuidade e os desafios da inserção econômica brasileira no continente
africano.
Assim, a cooperação internacional e o intercâmbio comercial surgem
como os dois principais vetores da agenda político-diplomática entre Brasil e
Moçambique, persistindo ao longo dos quarenta anos de relacionamento com
diferentes intensidades. Esses vetores, contudo, enfrentaram limitações materiais
e humanas, tais como a carência estrutural de Moçambique e as dificuldades
logísticas e de comunicação entre Brasília e Maputo.
Além disso, o desconhecimento por parte da sociedade brasileira acerca do
processo de independência moçambicano e o processo de aprendizado da diplomacia
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brasileira sobre as prioridades do governo de Moçambique contribuíram para
que esse projeto de cooperação e comércio se desenvolvesse de forma cautelosa
e gradual. Muitas décadas depois, esse relacionamento amadurecido ganhou
novo fôlego: entre 2011 e 2016, Moçambique tornou-se efetivamente o principal
destino da cooperação internacional do Brasil (Barrios Díaz 2023). Nesse período,
a cooperação brasileira abrangeu áreas tão diversas quanto desenvolvimento
urbano, agricultura (cotonicultura, horticultura, irrigação, gado, pesquisa agrícola),
segurança alimentar, saúde pública (bancos de leite humano, saúde materna,
telemedicina, gestão de tuberculose, formação de recursos humanos em saúde,
instalação de fábrica de antirretrovirais), ciência e tecnologia, educação e, ainda,
no âmbito da cooperação humanitária, doações de arroz e feijão.
No âmbito da cooperação, já em 1976 iniciaram-se diálogos sobre possíveis
intercâmbios nas áreas de saúde e educação, com interesse expresso por
Moçambique em materiais de saúde, documentos técnicos, seminários e cursos
oferecidos no Brasil. Havia inclusive planos para o envio de professores brasileiros
e especialistas, como psiquiatras, embora questões formais e restrições burocráticas
tenham limitado essas iniciativas naquele momento (Arquivo Histórico do Itamaraty
1976b).
O discurso inaugural do embaixador Ronald Small Moraes, em agosto de
1976, traduziu a intenção brasileira de uma aproximação solidária, baseada
no culturalismo diplomático do Brasil. Moraes destacou os “sentimentos de
fraternidade do povo brasileiro para com os povos da África”, fundamentados
em “afinidades históricas e culturais”, que possibilitariam um diálogo em pé de
igualdade (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976b). Contudo, essa “igualdade”
era essencialmente um princípio jurídico estatal brasileiro baseado no conceito
de soberania, o que contrastava com a realidade das relações desiguais entre os
países, tanto então quanto atualmente.
A solidariedade brasileira, mais orientada pela política externa do que pelo
altruísmo ou conhecimento aprofundado do continente africano, utilizou as
afinidades históricas e culturais” como ferramentas políticas e simbólicas para
estreitar laços (Saraiva 1993). Esses vínculos, desde a independência do Brasil,
foram reinterpretados e instrumentalizados pela diplomacia para sustentar uma
relação que, embora marcada por diferenças e assimetrias, buscava construir
um espaço de interlocução com Moçambique.
É importante destacar que, embora as perspectivas nacionais de Brasil e
Moçambique fossem diferentes, considerando que o Brasil desejava a abertura
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para empresas nacionais e a superação do ressentimento, enquanto Moçambique
buscava cooperação para o desenvolvimento econômico e social, a relação
bilateral foi caracterizada por uma combinação dessas dinâmicas. A estratégia
brasileira nos primeiros anos privilegiou a construção de uma imagem positiva
junto ao governo e à sociedade moçambicana, utilizando elementos culturais,
como a língua portuguesa e a presença missionária, para facilitar a aproximação.
O embaixador Small também observou a “barreira psicológica” que existia
nos escalões governamentais moçambicanos em relação à diplomacia brasileira,
refletindo a complexidade das percepções e desconfianças mútua (Arquivo Histórico
do Itamaraty 1976b). A construção dessa imagem positiva, fruto de um diálogo
constante, permitiu avaliações otimistas sobre os rumos da relação, embora
coexistisse com uma imagem negativa alimentada pelo alinhamento brasileiro a
Portugal e a falta de solidariedade durante a luta de libertação (Gonçalves 2003).
Os intercâmbios culturais, incluindo a música e a literatura brasileira,
tiveram papel relevante no estreitamento dos laços. A solicitação formal da Rádio
Moçambique para o envio de discos e livros brasileiros demonstra o interesse na
promoção da imagem do Brasil, embora o impacto efetivo dessas ações tenha
sido limitado pela infraestrutura precária, como o acesso restrito à eletricidade
pela maior parte da população (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976c).
Por outro lado, a maioria das notícias do Brasil, em Moçambique, eram
divulgadas por uma agência cubana, a Prensa Latina, que, nas palavras do
embaixador Ronald, eram um “fator determinante na construção de uma imagem
negativa, que à força da repetição, tenderam a se fixar (...) até entre as autoridades
governamentais” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1975b). Esse foi um fator
relevante na construção de uma imagem negativa do Brasil em Moçambique,
influenciando percepções oficiais e públicas. Esse ambiente adverso exigiu um
esforço consistente da diplomacia brasileira para institucionalizar e consolidar
as relações bilaterais, estratégia que se refletiu no monitoramento constante da
política interna moçambicana por meio da análise de jornais e semanários locais.
Por fim, a rotina da Embaixada do Brasil em Maputo foi marcada também
pela gestão consular e pelos vínculos com a comunidade brasileira e cooperantes
presentes no país, o que gerou uma série de demandas administrativas e reforçou
o papel da diplomacia como um canal permanente de comunicação e articulação
entre os dois Estados.
O otimismo do embaixador Moraes em relação ao potencial da parceria
com Moçambique, ainda que marcada por um abismo temporal entre discurso
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e prática, revela a complexidade da relação bilateral na fase inicial e prenuncia
os desafios que seriam enfrentados nas décadas seguintes.
3. Discursos diplomáticos e representações sobre Moçambique
Esta seção examina os discursos e comunicações diplomáticas produzidos
no contexto da instalação da Embaixada do Brasil em Maputo e do início das
relações bilaterais entre os dois países. Busca-se compreender como determinadas
representações sobre Moçambique e sobre o papel do Brasil na África foram
elaboradas, projetando uma gramática diplomática marcada por valores,
solidariedade e interesse. O enfoque interpretativo permite tratar esses documentos
não apenas como registros factuais, mas como atos discursivos que expressam
intenções políticas, disputas simbólicas e concepções de mundo compartilhadas
pelos diplomatas. A leitura dos telegramas, relatórios e discursos evidencia que,
desde o estabelecimento da missão diplomática em 1976, a retórica da cooperação
técnica e da afinidade política constituiu um eixo estruturante da identidade que
o Brasil buscou afirmar como parceiro confiável no continente africano.
O primeiro embaixador brasileiro em Moçambique, Ronald Small Leslie Moraes,
estabeleceu a missão diplomática em 1976, em um contexto de redefinição da
política externa brasileira frente às independências africanas. Seus telegramas
iniciais enfatizam o caráter “histórico” da aproximação com Moçambique e a
importância de o Brasil “não se omitir diante das transformações políticas do
continente” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976d). Essa formulação expressa uma
solidariedade de princípio, voltada à legitimação do novo parceiro, mas também
denota o interesse do Itamaraty em reposicionar o Brasil como mediador entre
África e Ocidente, num cenário em que o anticolonialismo ganhava centralidade
na diplomacia global.
O embaixador Ítalo Zappa (1977–1981), sucessor de Moraes, consolidou
esse discurso em chaves mais explícitas. Em seu discurso inaugural, Zappa
sublinhou o esforço que o governo brasileiro desenvolveu para “cumprir seu
dever histórico de aproximação e colaboração com as nações africanas” e a
disposição do Brasil em compartilhar sua “experiência acumulada”, enfatizando
que o país compreendia “a luta de Moçambique”, condenando a persistência
do colonialismo como “brecha perigosa no princípio da autodeterminação”
(Arquivo Histórico do Itamaraty 1977a). A retórica da solidariedade anticolonial
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servia, assim, como base moral do discurso diplomático, mas articulava-se a um
interesse de prestígio internacional, projetando o Brasil como parceiro natural
do continente africano e defensor de uma cooperação “entre iguais”.
Ao mesmo tempo, Zappa demonstrava pragmatismo ao acompanhar a
reaproximação entre Moçambique e Portugal, avaliando positivamente a revogação
da medida que havia expulsado cidadãos de nacionalidade portuguesa após a
independência. Para o embaixador, um acordo de cooperação entre a ex-metrópole
e a ex-colônia seria benéfico e “poderia favorecer também o papel mediador do
Brasil” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1978a). Nessa leitura, a solidariedade
lusófona surgia como instrumento de inserção internacional, emergindo o ideal
de uma comunidade de países de língua portuguesa com o Brasil em posição
de centralidade.
A documentação revela também a presença de temas de segurança
internacional na correspondência diplomática. Em 1976, diante de reportagens
da revista Jeune Afrique sobre a possível criação de uma South Atlantic Treaty
Organization (SATO), Zappa destacou o esforço da embaixada em “desmentir as
informações” e reiterar que “não haveria pacto de defesa do Atlântico Sul nem
com a África do Sul” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976e). A preocupação com
a imagem internacional do Brasil, nesse caso, evidencia o cuidado em distinguir
a política externa brasileira de qualquer associação com regimes racistas ou
alianças ocidentais pró-África do Sul, reforçando a narrativa de independência
e solidariedade africana, ainda que sob a lente do interesse diplomático em
preservar a credibilidade do país junto aos Estados africanos.
A despeito desses esforços discursivos, Zappa reconhecia as dificuldades
políticas no relacionamento bilateral. Em 1979, procurou aproximar os dois
países convidando Samora Machel para a posse do presidente João Figueiredo,
convite recusado pelo líder moçambicano (Arquivo Histórico do Itamaraty 1979).
O episódio ilustra a distância entre a solidariedade retórica e a reciprocidade
política efetiva, pois Moçambique mantinha desconfianças quanto à aproximação
do Brasil com regimes autoritários no Cone Sul.
O embaixador Marcel Dezon Costa Hasslocher (1981–1985) assumiu o posto
em meio à deterioração das condições econômicas e políticas em ambos os países.
Seus relatórios expressam uma tentativa de recompor o sentido da cooperação
bilateral, marcada por frustrações e expectativas não cumpridas. Hasslocher
reconhecia a necessidade de “romper o atual impasse” e “estabelecer bases mais
sólidas para uma cooperação mutuamente proveitosa”, embora admitisse que
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“o país não se aproximou tanto do Brasil como pudera tê-lo feito” devido à “falta
de conhecimento do próprio governo moçambicano sobre o processo político
brasileiro” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1983a). Mesmo assim, percebia nas
autoridades locais uma disposição para uma “amizade estável e permanente”.
A ênfase na “cooperação mutuamente proveitosa” expressa um deslocamento
no discurso diplomático: a solidariedade deixa de ser apresentada como um
dever moral e passa a ser articulada em termos de interesse recíproco e eficiência
política. Contudo, como observa o próprio embaixador, a ideia de benefícios
mútuos “nunca foi desenvolvida de maneira a demonstrar como o Brasil estaria
beneficiando-se dessa cooperação” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1983a).
O discurso de solidariedade, portanto, coexistia com uma prática de cooperação
assimétrica, na qual o Brasil mantinha a posição de ofertante de conhecimento
e Moçambique a de receptor.
Em 1985, Hasslocher registrou que as crises econômicas e a guerra civil
moçambicana indicavam uma fase discreta nas relações bilaterais, notando
que “Moçambique tem sido uma dessas nações privilegiadas em receber apoio
internacional”, sem reconhecer o caráter estratégico dessa “solidariedade” (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1985a). A leitura do embaixador reproduz, assim, a
ambiguidade típica do discurso brasileiro: a solidariedade africana é exaltada,
mas o interesse político subjacente, de afirmação internacional e legitimação da
política externa brasileira, permanece implícito.
Por fim, a mudança de regime no Brasil em 1985, com a transição democrática
e a posse de José Sarney, não alterou substancialmente o padrão discursivo. Como
observa Cortês (2010, 9), a democratização incorporou a defesa da democracia à
identidade internacional do país, mas manteve a continuidade das linhas gerais
da política externa. A cooperação com Moçambique continuou a expressar uma
solidariedade diplomática discursiva, ancorada em valores morais e identitários,
porém limitada por interesses estratégicos e constrangimentos domésticos.
Assim, os discursos diplomáticos do período 1976–1985 revelam a coexistência
entre solidariedade e interesse como dimensões constitutivas da política africana
do Brasil. A solidariedade funcionava como linguagem legitimadora da presença
brasileira na África, enquanto o interesse operava como racionalidade subjacente,
orientando as prioridades e limites da cooperação. A análise documental, ao
evidenciar essas tensões, permite compreender como a diplomacia brasileira
construiu Moçambique tanto como parceiro simbólico do Sul Global, quanto
como espaço de projeção do próprio imaginário internacional do Brasil.
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4. Cooperação Técnica e Comércio Bilateral (1975-1986)
Nos anos imediatamente posteriores à independência de Moçambique,
a cooperação técnica brasileira emergiu como um elemento central da
diplomacia bilateral. A política de cooperação era coordenada pelo Ministério do
Desenvolvimento e Planificação Econômica, com João Batista Cosme, diretor de
cooperação internacional, encarregado de criar estruturas institucionais capazes
de atender à intensa demanda do país (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976f).
O governo moçambicano adotava uma postura cautelosa quanto ao envio de
estudantes para o exterior, recusando bolsas de longo prazo devido ao elevado
índice de evasão. Essa política não se restringia a países extracontinentais: Maputo
também hesitava em aceitar bolsas do Egito ou da Nigéria, refletindo o controle
estatal sobre a circulação de cidadãos (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976g).
As “linhas gerais de cooperação” foram definidas em 1976 em modelo
aproximado ao conceito contemporâneo de cooperação Sul-Sul, priorizando o envio
de técnicos brasileiros para Moçambique, de modo a evitar a fuga de cérebros.
Para o embaixador Moraes, o Brasil atuava com “flexibilidade” na definição de
entendimentos futuros, pautando-se no “respeito e benefícios mútuos” (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1976h). Nas palavras do diplomata, a África de expressão
portuguesa deveria tornar-se “uma área de concentração de cooperação técnica
brasileira” (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976i).
O contexto interno moçambicano, marcado pela guerra civil (1977-1992)
e destruição de infraestrutura, dificultava a implementação de projetos. Nesse
cenário, a diplomacia brasileira identificou “espaços vazios” onde poderia atuar,
muitas vezes em coordenação com a comunidade internacional. A presença
de outros atores, como a China, que em 1976 concedeu um empréstimo de
50 milhões de dólares para saúde e agricultura, evidenciava a competição por
relevância internacional (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976j).
Em 1976, o Itamaraty disponibilizou 135 bolsas de estágios para os PALOP,
sendo 30 especificamente para Moçambique. O objetivo era “mostrar a boa
vontade do Brasil em relação aos novos Estados e fortalecer, sem preocupações
imediatistas, a imagem do país na África” (Arquivo Histórico do Itamaraty
1976l). Não incluíam passagens ou hospedagem, revelando as limitações
financeiras do programa. Ainda nesse ano, o Brasil enviou insumos médicos
— materiais cirúrgicos, ortopédicos e farmacêuticos — além de normas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) para promoção da língua
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portuguesa e materiais didáticos, como manuais de vacinação (Arquivo Histórico do
Itamaraty 1976l).
De maneira geral, a cooperação brasileira buscava atuar em três setores
prioritários: saúde, educação e agricultura, ainda que a transferência tecnológica
fosse limitada. O papel da Embaixada em Maputo era amplo: levantar necessidades
e prioridades locais; informar sobre instituições brasileiras aptas a prestar
assistência técnica; acompanhar e avaliar resultados; e revisar ou reformular
projetos, cursos, seminários e estágios (Arquivo Histórico do Itamaraty 1977b).
No final da década de 1970, programas de capacitação incluíram bolsas de
especialização em microbiologia e imunologia na Universidade Federal do Rio
de Janeiro e participação na I Jornada Afro-Brasileira de Medicina Tropical na
Universidade Federal do Pernambuco, com cinco bolsas para cada país africano
de língua portuguesa (Arquivo Histórico do Itamaraty 1978b). Paralelamente, o
Brasil forneceu materiais para escolas náuticas, cinematografia, energia, economia
do combustível, mapeamento geológico e legislação sobre psicotrópicos (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1979).
A cooperação cultural e acadêmica ganhou força em 1980, quando o reitor
da Universidade Eduardo Mondlane, Fernando Ganhão, visitou o Itamaraty,
iniciando programas de intercâmbio universitário. O embaixador João Hermes
Pereira de Araújo ressaltou que a cooperação cultural e técnica ocupava um
“lugar especialmente significativo”, determinando a prioridade da solidariedade
brasileira em consonância com as orientações do presidente João Figueiredo
(Arquivo Histórico do Itamaraty 1980a).
Em setembro de 1981, a cooperação foi institucionalizada com a assinatura do
Acordo Geral de Cooperação Brasil–Moçambique, abrangendo áreas econômica,
científica, técnica e cultural (Brasil 1981). O Acordo Geral de Cooperação de 1981
formalizou juridicamente esses esforços, permitindo a expansão das iniciativas
técnicas, culturais e econômicas. No entanto, a década de 1980 trouxe novos
desafios: estagnação econômica no Brasil, crise da dívida externa e baixo interesse
empresarial reduziram a capacidade de financiamento, enquanto a guerra civil
em Moçambique dificultava a implementação plena dos projetos. Ainda assim,
a cooperação brasileira manteve-se significativa, demonstrando a tentativa de
transformar a imagem do Brasil de país que apoiou Portugal em parceiro sólido
e confiável no desenvolvimento moçambicano.
Apesar da formalização, os recursos continuaram limitados, sobretudo em
razão da estagnação econômica brasileira dos anos 1980 e da alta da dívida
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externa (Côrtes 2010). A mudança de regime no Brasil, com a presidência de
José Sarney, demandou esforços de familiarização da nova administração com o
governo moçambicano, mas não alterou significativamente o interesse brasileiro
pelo país (Côrtes 2010).
Quadro 1. Principais projetos de cooperação técnica entre 1976 e 1985
Ano Área Tipo de
Cooperação Descrição Instituição
Envolvida Observações
1976 Saúde Insumos
médicos
Envio de materiais
cirúrgicos, ortopédicos e
farmacêuticos
Ministério da
Saúde, Brasil
Suporte ao pós-
independência
1976 Educação Normas ABNT
Fornecimento de normas
padronizadas para
promoção da língua
portuguesa
ABNT Incentivo ao
ensino doméstico
1977 Educação Bolsas de
estudo
Cursos de curta e média
duração no Brasil, até 30
bolsas
Universidades
Federais do
Brasil
Incluía cursos de
microbiologia e
imunologia
1977 Educação Delegação
oficial
Visita de Murade Isaac
Murargy e equipe para
discutir cooperação
Itamaraty
Estabelecimento
de prioridades
bilaterais
1978 Cultura
Material
didático e
equipamentos
Suporte a escola de
formação náutica,
montagem cinematográfica,
sonorização
Ministério da
Educação e
Cultura, Brasil
Diversificação
da cooperação
cultural
1980 Educação Cooperação
universitária
Intercâmbio com
Universidade Eduardo
Mondlane
Universidade
Eduardo
Mondlane, Brasil
Desenvolvimento
de programas
acadêmicos
conjuntos
1981 Multissetorial Acordo Geral
de Cooperação
Estabelecimento de áreas
de cooperação econômica,
científica, técnica e cultural
Governo de
Moçambique e
Itamaraty
Base jurídica
da cooperação
brasileira até hoje
1982 Agricultura Extensão rural
Capacitação técnica e apoio
estratégico a instituições
locais
Ministério da
Agricultura,
Brasil
Foco na
transferência de
conhecimento
técnico
1983 Mineração Apoio técnico
Cursos e assistência para
otimização de recursos
minerais
Ministério das
Minas e Energia,
Brasil
Continuidade do
suporte brasileiro
1984 Transportes Capacitação
técnica
Treinamento de
profissionais
moçambicanos em logística
e transporte
Ministério dos
Transportes,
Brasil
Apoio
estratégico ao
desenvolvimento
nacional
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em pesquisa no Arquivo Histórico do Itamaraty.
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O Quadro 1 evidencia a diversidade de áreas e modalidades de cooperação, que
iam desde assistência médica emergencial até capacitação técnica e transferência de
conhecimento estratégico. Essas ações, embora limitadas por restrições financeiras
e pelo contexto da guerra civil, estabeleceram as bases de uma presença brasileira
contínua e estratégica em Moçambique. A embaixada brasileira desempenhou
papel central, levantando necessidades locais, conectando instituições brasileiras
com contrapartes moçambicanas, acompanhando resultados e revisando projetos
(Arquivo Histórico do Itamaraty 1985b).
O intercâmbio comercial entre Brasil e Moçambique emergiu como uma
estratégia central para a aproximação bilateral, especialmente no período posterior
à independência moçambicana. Antes de 1975, o Consulado Geral do Brasil em
Lourenço Marques atuava de forma limitada, mediando demandas de negócios
em um contexto fortemente condicionado pelos vínculos coloniais com Portugal,
o que restringia consideravelmente o comércio entre os dois países.
Após a independência, o comércio tornou-se uma ferramenta complementar à
cooperação técnica, servindo não apenas para atender às necessidades emergenciais
de Moçambique, mas também para inserir empresas brasileiras no novo mercado
africano. Entre 1976 e 1982, as exportações brasileiras tiveram crescimento
expressivo, refletindo tanto a abertura de Moçambique quanto a expansão industrial
do Brasil: em 1976 exportaram-se US$ 4 milhões; 1977, US$ 10,2 milhões; 1978,
US$ 5 milhões; 1979, US$ 15,5 milhões; 1980, US$ 71,2 milhões; 1981, US$ 36,6
milhões; e 1982, US$ 98,6 milhões (Arquivo Histórico do Itamaraty 1983b).
Esse aumento evidencia o interesse brasileiro em aproveitar novos mercados
para produtos manufaturados, dentro da lógica de substituição de importações
e diversificação das exportações (Cervo e Bueno 1997).
O comércio com Moçambique se estruturou como moeda de troca com a
cooperação bilateral, considerando o potencial do país africano como mercado
emergente e plataforma de acesso aos demais Estados da Southern African
Development Coordination Conference (SADCC). Em 1982, a criação da Comissão
Mista Brasil-Moçambique reforçou a institucionalização dessas relações,
promovendo diálogos sobre crédito, investimentos e projetos conjuntos (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1982a). Todavia, a crise econômica moçambicana e as
instabilidades decorrentes da guerra civil levaram ao congelamento de uma
linha de crédito aberta pelo Brasil, gerando frustração entre as autoridades
moçambicanas e evidenciando os limites do engajamento externo.
História da Diplomacia Brasileira em Moçambique (1975-1986): Estratégias, Desafios e Resultados
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As dificuldades práticas do comércio eram evidentes: comunicações aéreas e
marítimas insuficientes e riscos decorrentes de atividades guerrilheiras dificultavam
a implementação de projetos comerciais com segurança. Empresas brasileiras, como
a Protecno, enfrentaram contingentes militares locais para garantir a execução
de seus projetos. O embaixador Moraes ressaltava que a economia moçambicana
funcionava “não em termos de mercado”, mas como uma estrutura monopolizada
pelo governo, tornando estratégica a identificação de setores prioritários como
agricultura, saúde e educação, bem como a atuação de empresas estatais e
sobreviventes do período colonial (Arquivo Histórico do Itamaraty 1982b).
O Brasil, atuando dentro dessa lógica, buscou alinhar cooperação e comércio,
promovendo a participação de empresas como Petrobras, Intelbras, Banco do
Brasil, Embratel e Vale do Rio Doce. Em 1980, o vice-governador do Banco
de Moçambique, Prakash Ratilal, assinou acordos de crédito com instituições
britânicas e estadunidenses, demonstrando a abertura gradual do país a relações
financeiras internacionais e sinalizando uma virada liberal emergente (Arquivo
Histórico do Itamaraty 1980b).
Os diplomatas brasileiros perceberam também a importância de promover o
país junto aos círculos empresariais moçambicanos, predominantemente de língua
inglesa. Para tanto, enviou-se material de divulgação, como a revista Brazilian
Trade and Industry, visando demonstrar a capacidade industrial brasileira e
fortalecer o comércio de exportação. O presidente Samora Machel manifestou
interesse do governo moçambicano aprender com a experiência brasileira de
industrialização agrícola e automobilística, enfatizando a necessidade de soluções
próprias, sem replicar fórmulas coloniais (Arquivo Histórico do Itamaraty 1984).
De forma geral, as prioridades econômicas identificadas incluíam carvão, gás,
petróleo, agroindústria, industrialização de produtos existentes (como madeira
e móveis) e obras de infraestrutura, como ferrovias e portos. O grande desafio
do Brasil era inserir suas empresas em projetos de exploração mineral, com
destaque para o setor de carvão e gás natural, coordenados com a Secretaria de
Carvão e Hidrocarbonetos de Moçambique.
O setor varejista também foi contemplado, com a visita de representantes
da empresa Pão de Açúcar para avaliar a viabilidade de redes de supermercados,
embora os projetos não tenham se concretizado por restrições financeiras. Um
capítulo relevante da inserção comercial brasileira foi a participação na Feira
Agropecuária, Comercial e Industrial de Moçambique (FACIM), iniciada em
1972. O pavilhão brasileiro, em 1976, com 25 expositores, destacou-se por
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iniciativas simbólicas e comerciais, como a doação de um caminhão frigorífico
Scania, parcialmente custeado pelo Itamaraty, reforçando a imagem de parceria
e solidariedade do Brasil (Arquivo Histórico do Itamaraty 1976l).
Tabela 1. Comércio bilateral Brasil–Moçambique entre 1976 e 1982
Ano Exportações do Brasil para
Moçambique (US$ milhões) Observações / Eventos Relevantes
1976 4,0 Início das trocas comerciais expressivas; diplomacia brasileira
investindo na aproximação; FACIM e primeiras missões comerciais.
1977 10,2 Crescimento das exportações; envio de técnicos e materiais;
visita oficial de delegação moçambicana ao Brasil.
1978 5,0 Flutuação das exportações; contexto interno de insegurança
e guerra civil em Moçambique.
1979 15,5 Intensificação de exportações; interesses estratégicos brasileiros
em setores como energia e agricultura.
1980 71,2
Marco significativo; visita do Ministro do Planejamento de
Moçambique, projetos em carvão, agroindústria e infraestrutura;
participação em FACIM; negociações de crédito externo.
1981 36,6 Criação da Comissão Mista Brasil–Moçambique; continuidade
das exportações, apesar da crise econômica brasileira.
1982 98,6
Primeira reunião da Comissão Mista; congelamento da linha
de crédito devido à crise econômica moçambicana; continuidade
de projetos comerciais e técnicos.
Fonte: Elaborado pelo autor, baseado em pesquisa no Arquivo Histórico do Itamaraty.
A Tabela 1 evidencia a evolução do comércio bilateral, mostrando picos e
recuos que refletiam tanto a dinâmica econômica brasileira quanto as condições
internas de Moçambique, incluindo a guerra civil e a limitada capacidade de
absorção de importações. Nesse sentido, o intercâmbio comercial não acompanhou
o ritmo mais intenso da aproximação política construída por meio da cooperação
técnica.
Apesar das ambições, o comércio bilateral permaneceu de baixa densidade
entre 1975 e 1986, limitado por obstáculos logísticos, financeiros e de segurança,
e fortemente apoiado pela cooperação técnica como mecanismo de viabilização a
longo prazo. Cumpre registrar que o binômio cooperação-comércio se consolidou
como eixo estruturante das relações bilaterais, definindo um padrão de atuação
brasileira na África Lusófona que buscava combinar desenvolvimento, cooperação,
inserção empresarial e construção de imagem diplomática positiva.
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5. Considerações Finais
O processo de construção das relações bilaterais entre Brasil e Moçambique
entre 1975 e 1986 foi marcado por uma combinação estratégica de ações
diplomáticas, econômicas e simbólicas. A diplomacia brasileira atuou com
flexibilidade e pragmatismo, buscando respeitar a soberania moçambicana e
adaptando-se às limitações impostas pelo contexto pós-independência, como a
guerra civil e a fragilidade institucional do país africano. A criação de estruturas
institucionais coordenadas pelo Itamaraty e pelos ministérios brasileiros permitiu o
acompanhamento sistemático de projetos de cooperação, abrangendo áreas como
saúde, educação, agricultura, mineração, transporte e cultura. A formalização
desses esforços, consolidada pelo Acordo Geral de Cooperação Brasil–Moçambique
em 1981, proporcionou segurança jurídica e institucional para a expansão de
iniciativas técnicas, culturais e econômicas, fortalecendo a presença brasileira
em Maputo.
O comércio bilateral se constituiu como extensão dessa diplomacia, sendo
usado não apenas para atender às necessidades emergenciais de Moçambique, mas
também para inserir empresas brasileiras em setores estratégicos, como energia,
agroindústria e mineração. O binômio cooperação-comércio revelou-se central: o
envio de técnicos, insumos e bolsas de estudo se articulava com a participação
em feiras comerciais e projetos de exploração econômica, criando um modelo de
interação que combinava solidariedade, capacitação e oportunidades de negócios.
Essa integração entre cooperação e comércio permitiu ao Brasil construir relações
de confiança, ao mesmo tempo em que promovia seus interesses estratégicos e
industriais em um mercado emergente.
Além dos aspectos práticos, a diplomacia brasileira operou fortemente no
plano simbólico, apresentando o país como parceiro confiável e solidário, distinto
do colonialismo português. A promoção de intercâmbios culturais, programas
universitários e iniciativas de transferência de conhecimento técnico consolidou
a imagem do Brasil como um ator comprometido com o desenvolvimento de
Moçambique, reforçando laços de solidariedade e construindo capital diplomático
duradouro.
Em síntese, as estratégias diplomáticas brasileiras entre 1975 e 1986 se
caracterizaram pela articulação de interesses econômicos, presença técnica e
simbolismo político-cultural, estabelecendo um padrão de atuação que buscava
simultaneamente apoiar o desenvolvimento moçambicano, inserir empresas
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brasileiras e consolidar a imagem do Brasil na África Lusófona. Mesmo diante de
limitações financeiras, crises internas e instabilidades regionais, essa abordagem
permitiu à diplomacia brasileira manter relevância e consistência, definindo um
modelo de cooperação Sul-Sul e de inserção econômica que serviria de referência
para ações posteriores na região.
Referências
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1975a. Telegrama “Urgente-Secreto, do Consulado-Geral
em Lourenço Marques para Exteriores, s/n, de 12 de junho de 1975”. Embaixada
em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A-20) – Relações Políticas. Caixa
241. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1975b. Telegrama “Confidencial nº 249, de 05 de junho
de 1975”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações
Políticas. Caixa 242. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976a. Telegrama “Nº 350, Confidencial, de 15 de
setembro de 1976”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A)
– Relações Políticas. Caixa 250. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976b. Telegrama “Secreto nº 356, de Ronald Small,
de 19 de agosto de 1976”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900
(B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 251. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976c. Telegrama “Confidencial nº 198, de 27 de abril
de 1976”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações
Políticas. Caixa 252. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976d. Telegrama Confidencial “Estabelecimento da
missão diplomática em Maputo”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE,
900 (B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 256. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976e. Telegrama Secreto Confidencial n°96 “Criação
da SATO e reações moçambicanas”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE,
900 (B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 257. Secreto
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976f. Telegrama “Sobre a coordenação da cooperação
internacional em Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE,
900 (B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 253. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976g. Telegrama “Sobre estudantes moçambicanos no
exterior”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações
Políticas. Caixa 254. Secreto.
História da Diplomacia Brasileira em Moçambique (1975-1986): Estratégias, Desafios e Resultados
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 20, n. 2, e1614, 2025
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Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976h. Telegrama “Análise do embaixador Ronald Small
sobre a cooperação Brasil-Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores.
AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 255. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976i. Telegrama “Notícias sobre a China em
Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) –
Relações Políticas. Caixa 256. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976j. Telegrama “Sobre bolsas de estágio para estudantes
dos PALOP no Brasil”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46)
(A) – Relações Políticas. Caixa 257. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1976l. Telegrama “Participação do Brasil na FACIM”.
Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas.
Caixa 258. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1977a. Telegrama Confidencial n°112 “Discurso inaugural
do embaixador Ítalo Zappa”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900
(B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 258. Secreto.Arquivo Histórico do Itamaraty.
1977b. Telegrama “Relatório sobre a atuação da Embaixada do Brasil em Maputo”.
Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas.
Caixa 261. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1978a. Telegrama Secreto n°299 “Reaproximação
Moçambique-Portugal e mediação brasileira”. Embaixada em Maputo para Exteriores.
AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 259. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1978b. Telegrama “Sobre apoio prestado pelo Brasil
a Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) –
Relações Políticas. Caixa 262. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1979. Telegrama “Fornecimento de material para
Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) –
Relações Políticas. Caixa 263. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1980a. Telegrama “Cooperação cultural entre Brasil
e Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) –
Relações Políticas. Caixa 265. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1980b. Telegrama “Notícias sobre a economia de
Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) –
Relações Políticas. Caixa 266. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1982a. Telegrama “Atividades de cooperação técnica”.
Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas.
Caixa 270. Secreto.
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Arquivo Histórico do Itamaraty. 1982b. Telegrama “Informe sobre a Comissão Mista”.
Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A) – Relações Políticas.
Caixa 271. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1983a. Telegrama Confidencial “Frustrações e cooperação
bilateral com Moçambique”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900
(B-46) (A) – Relações Políticas. Caixa 260. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1983b. Telegrama “Balanço do saldo de comércio
exterior bilateral”. Embaixada em Maputo para Exteriores. AMRE, 900 (B-46) (A)
– Relações Políticas. Caixa 272. Secreto.
Arquivo Histórico do Itamaraty. 1984. Telegrama “Promoção comercial do Brasil”.
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