Vanessa Sant’Anna Bonifacio Tavares
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1620, 2026
1-24
Economias em conflito: a estratégia
da comunicação diplomática em
guerras comerciais
1
Economies in conflict: strategic
diplomatic communication in trade wars
Economías en conflicto: la estrategia
de la comunicación diplomática en las
guerras comerciales
DOI: 10.21530/ci.v21n1.2026.1620
Vanessa Sant’Anna Bonifacio Tavares
2
Resumo
Qual é a importância da diplomacia nas guerras comerciais? As
teorias convencionais analisam o interesse comum em reverter a
redução dos níveis de bem-estar da população. Desconsideram,
porém, o processo decisório em si e as consequências de diferentes
escolhas. Ao analisar a guerra comercial iniciada pelos EUA contra
o Brasil como jogo não cooperativo de Nash, o artigo contribui
para ampliar a compreensão sobre como as expectativas dos
negociadores são formadas e como elas influenciam as percepções
sobre o melhor curso de ação a seguir.
Palavras-chave: Teoria Dos Jogos, Estudos Interdisciplinares,
Tarifas de Nash, Tarifas Recíprocas, Estratégia.
1 As visões apresentadas no artigo são estritamente pessoais e não representam
a posição oficial de qualquer instituição a que a autora esteja vinculada.
2 Doutoranda em Estudos Internacionais Interdisciplinares (IIS) pelo programa
conjunto da Universidade de Viena e da Academia Diplomática de Viena,
Áustria. Diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
(bonifacio.vanessa@gmail.com). ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7998-
5719?lang=en;.
Artigo submetido em 01/09/2025 e aprovado em 04/03/2026.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
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ISSN 2526-9038
Economias em conflito: a estratégia da comunicação diplomática em guerras comerciais
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1620, 2026
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Abstract
How important is diplomacy in trade wars? Conventional theories focus on shared interests
in reversing the negative impact on the welfare of the population. However, they disregard
the decision-making processes of trade wars. Taking trade war as Nash’s non-cooperative
games expands the understanding of how negotiators’ expectations are formed and how
they influence perceptions about dominant strategies.
Keywords: Game Theory, Interdisciplinary Studies, Nash Tariffs, Reciprocal Tariffs, Strategy.
Resumen
¿Cuál es la importancia de la diplomacia en las guerras comerciales? Las teorías convencionales
analizan los intereses comunes en revertir la reducción de los niveles de bienestar de la
población. Sin embargo, ignoran el proceso de toma de decisiones en sí y las consecuencias
de las diferentes decisiones. Al analizar la guerra comercial iniciada por Estados Unidos
contra Brasil como un juego de Nash no cooperativo, este artículo contribuye a ampliar
la comprensión de cómo se forman las expectativas de los negociadores y cómo influyen
en las percepciones sobre el mejor curso de acción.
Palabras clave: Teoría De Juegos, Estudios Interdisciplinarios, Aranceles De Nash, Aranceles
Recíprocos, Estrategia.
Introdução
Observa-se, no Brasil, renovado interesse sobre como a diplomacia pode
apoiar a reação nacional às medidas de comércio exterior do governo dos Estados
Unidos. As atenções direcionam-se, principalmente, para a elevação das tarifas
aduaneiras, iniciada em fevereiro de 2025, com a imposição de 25% de cobrança
sobre as importações de aço e alumínio (G1 2025b), elevada para 50% em junho
seguinte (G1 2025b).
Em abril daquele ano, o Presidente norte-americano, Donald Trump anunciou
o “Dia de Libertação”, com a aplicação de “tarifaço” global, e a elevação de
10% dos impostos de importação para bens de origem brasileira. Em julho, o
líder republicano indicou que passaria para 50% a tarifa aplicada a produtos
brasileiros (SECEX/MDIC 2025b). Paralelamente, os EUA abriram investigação
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fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA (1974), para apurar
supostas práticas desleais em seis setores nacionais, incluídos etanol e meios
de pagamento digital (Shalal e Ward 2025).
Para o governo americano, o reforço do protecionismo visa a atender a
diferentes objetivos econômicos, como reequilibrar fluxos comerciais, induzir a
reindustrialização, aumentar a demanda por mão de obra americana e elevar os
níveis de arrecadação do Tesouro Nacional (Kopschitz Xavier Bastos e Rodrigues
Gomes Leite 2025). No caso brasileiro, as medidas também relacionam-se ao
julgamento do ex-Presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal
(STF), considerado irregular pela autoridade estadunidense (White House 2025).
A primeira parte do artigo argumenta que o papel da diplomacia analisado
em alguns blogs e meios de imprensa pode não existir ou, se existir, tem caráter
diferente do que geralmente se supõe (Santos 2025; Welton 2025). O ponto de
partida é o significado da noção de “ganha-ganha”, conceito importado das
ciências econômicas, sem a correspondente definição. Acredita-se, apenas, que,
ao reforçar o protecionismo, elevar os custos de vida e reduzir os fluxos de
comércio, disputas comerciais sempre implicam perdas de bem-estar para os
envolvidos. Seria, assim, de interesse de ambas as partes negociar, para alcançar
benefícios mútuos.
O Cardeal Richelieu propôs, no século XVII, ideia semelhante sobre o papel
da diplomacia ao declarar ser “absolutamente necessário para o bem-estar do
estado negociar incessantemente, aberta ou secretamente, e em todos os lugares,
mesmo naqueles de onde não se colhem frutos presentes e ainda mais naqueles
para os quais ainda não parece haver perspectivas futuras prováveis.”3 (Hill
1961) O fundador do primeiro corpo diplomático profissional nunca esclareceu,
porém, qual seria a natureza dessa necessidade tão fundamental de se negociar
incessantemente.
Com base na teoria dos jogos, criada na década de 1940 pelos matemáticos
John Von Neumann e Oskar Morgenstern, o artigo demonstra que esse tipo de
conclusão só é válido se os países se envolvem em jogos cooperativos, em que
podem alcançar equilíbrio de Pareto. Nessas condições ideais, os jogadores ganham
ou perdem juntos, pois têm preferências idênticas, refletidas em resultados do
tipo “ganha-ganha” ou “perde-perde”. A relação entre a teoria dos jogos e a
3 Tradução livre do trecho: “[I]t is absolutely necessary to the well-being of the state to negotiate ceaselessly,
either openly or secretly, and in all places, even in those from which no present fruits are reaped and still
more in those for which no future prospects as yet seem likely.”
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negociação diplomática restringe-se a problemas de percepção e comunicação,
para permitir aos jogadores negociar concessões mútuas para alcançar retornos
coletivos (Schelling 1980).
De modo distinto, quando os governos iniciam guerras comerciais, eles se
envolvem em jogos de incentivos mistos, em que cada competidor pode priorizar
a sua economia, ainda que em desfavor das relações bilaterais ou multilaterais.
Por conseguinte, a dependência mútua coexiste com o caráter conflitivo, de modo
que a melhor resposta de qualquer agente depende do que acredita ser a estratégia
do competidor, o que afeta, significativamente, a comunicação entre os jogadores.
É possível revelar as intenções a parceiro (colaboração pura), ocultá-las de rival
(conflito puro), ou comunicá-las seletivamente a alguém que é tanto parceiro
quanto rival (motivos mistos). Essa reclassificação esclarece o sentido pelo qual
guerras comerciais são jogos mais complexos do que os simples ganhos individuais.
A segunda parte do artigo argumenta que, se a essência dos jogos de estratégia
é a dependência da escolha adequada para ação de cada pessoa em relação ao
que ela espera que o outro faça, a solução de jogos de barganha não pode ser
sustentada exclusivamente pela noção de expectativas racionais da economia.
As operações pelas quais as decisões são tomadas devem ser especificadas.
Afinal, jogos dessa natureza não seguem estrutura simétrica de movimentos.
Os negociadores não se orientam por regras de comportamento idênticas, nem
dispõem da mesma capacidade de fazer ofertas ou recusar propostas.
Para chegar ao ponto de equilíbrio, os países precisam encontrar novas
maneiras de regular o comportamento do seu competidor, mas sem restringir o
próprio campo de ação. A comunicação diplomática passa, assim, a ter papel
relevante ao ser usada para influenciar a escolha dos outros países de maneira
favorável a si mesmo e afetar as expectativas dos demais sobre como determinada
nação pode se comportar (Schelling 2008). É sob esse enfoque, do processo
de tomada de decisões, que o artigo procurar tornar explícito o processo de
ajustamento que a diplomacia pode gerar, .
Jogos não cooperativos de Nash
A análise moderna das interações em negociações bilaterais foi desenvolvida
na década de 1950 por John Nash. O ganhador do prêmio Nobel de economia
apresentou tratativas envolvendo dois participantes, cada um tendo conjunto de
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utilidades esperadas, a serem alcançadas conforme a estratégia de cada jogador.
As recompensas de se envolver em processo de barganha são medidas em relação
a determinado status quo, que pode ser representado pelas condições de bem-
estar de cada país (Kalyan 2013). De modo bastante simplificado, as pesquisas
analisam as estratégias mais prováveis. O melhor resultado é definido como o
ponto de equilíbrio em que nenhum jogador pode melhorar sua posição mudando
unilateralmente sua estratégia (Harrison e Rutström 1991).
Jogos cooperativos, por sua vez, afastam-se da ideia de estratégia, para analisar
apenas jogadores e resultados. Os modelos mais populares analisam a formação
de coalizões (Thrall e Lucas 1963) e ganhos agregáveis e divisíveis entre os
membros de coalizão. Pesquisas sobre jogos cooperativos frequentemente buscam
desenvolver algoritmos pelos quais esses ganhos podem ser divididos de modo
justo e mais propício à cooperação máxima. Conceitos de solução nesse campo
envolvem, portanto, concessões em favor do bem-estar comum (Chan 2025).
Pode-se imaginar, por exemplo, coalizões sendo formadas pela criação
do sistema multilateral de comércio, consagrado na Organização Mundial do
Comércio (OMC) e em sua organização predecessora, o Acordo Geral sobre Tarifas
Aduaneiras e Comércio (GATT). Os dois regimes baseiam-se nos princípios da
nação mais favorecida (NMF) e da reciprocidade. A NMF incorpora o princípio
da não discriminação, segundo o qual as importações do mesmo produto de
diferentes países têm o direito de receber o mesmo tratamento em determinado
mercado (Mattoo e Staiger 2020). Reciprocidade refere-se à noção de que as
negociações devem ser equilibradas, para que cada país possa antecipar aumento
no volume de suas exportações aproximadamente equivalente em valor ao
aumento de suas importações (Mattoo e Staiger 2020).
Essas regras restringem o exercício de poder que determinado país pode tentar
exercer sobre jogadores mais fracos, para obter ganhos da redução de tarifas, pois o
princípio do NMF assegura que quaisquer ganhos do exportador derivados dessas
tarifas mais baixas serão compartilhados também por exportadores de terceiros
países (Mattoo e Staiger 2020). Além disso, a reciprocidade neutraliza o exercício
de poder de barganha, pois estabelece termos equilibrados para a negociação
que em princípio não estão sujeitos a negociação (Mattoo e Staiger 2020, 565).
As medidas comerciais dos EUA tentam, porém, escapar dessas restrições,
pois abandonam a NMF e orientam-se por noção de reciprocidade que não
corresponde ao regime GATT/OMC. Na prática, substituem o sistema multilateral
de comércio baseado em regras por sistema baseado em poder de barganha,
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em que os países são livres para negociar, sem se submeter a nenhum conjunto
normativo específico (Mattoo e Staiger 2020). Sob tais condições, há significativo
aumento da proteção de determinados produtos. Ao mesmo tempo, as relações
de comércio passam a envolver tanto objetivos comerciais, quanto outras ações
mais amplas e indefinidas.
Essas novas formas de interação comercial são analisadas ao menos desde as
pesquisas de Bickerdike e Edgeworth sobre a tarifa ótima. Em particular, Kaldor,
Scitovsky e Johnson inauguram o estudo sistemático das guerras comerciais,
criando potenciais cenários políticos que até hoje dominam a literatura (Ossa
2016). As pesquisas buscam esclarecer quais tarifas os países imporiam se não
precisassem temer qualquer retaliação. Analisam, também, o que ocorreria se
houvesse colapso total da cooperação em política comercial, ou qual seria o
resultado se os países se engajassem em negociações comerciais totalmente
eficientes e o que aconteceria com a cooperação em política comercial se o
sistema mundial de comércio tivesse desenho institucional diferente.
Em geral, aplicam-se modelos quantitativos para o trabalho empírico nessa área,
projetando análises contrafactuais, que permitem estudar cenários hipotéticos sem
necessariamente exigir precedentes históricos. Esses trabalhos são especialmente
úteis para estudos sobre guerras comerciais, para as quais contrapartidas empíricas
são mais difíceis de se encontrar, embora não abranjam outras variáveis.
Os trabalhos iniciais sobre guerras comerciais analisaram a estratégia do
“olho por olho” (“tit-for-tat”). Cada país impõe tarifa ótima e alternam-se em
processo de “olho por olho” até chegar ao ponto em que nenhum dos jogadores
pode ganhar com mudança em sua tarifa quando chega a sua vez de retaliar
(Axelrod 1984). Nesse cenário, as nações passam a operar em estado autárquico,
certamente reduzindo o bem-estar global e provavelmente reduzindo o bem-estar
de cada participante individualmente (Scitovszky 1942).
Johnson ampliou esse entendimento ao analisar as guerras comerciais como
processo de tentativa e erro, como “olho por olho” racional, em que o bem-estar
do país no equilíbrio pós-guerra comercial pode ser maior do que o bem-estar sob
as regras de livre comércio (Johnson 1953). A obra influenciou o uso explícito de
ferramentas modernas da teoria dos jogos, em que o equilíbrio de Nash define
a características de guerras comerciais. O equilíbrio de Nash não cooperativo
passou a ser definido pela interseção de diferentes curvas de resposta tarifária
ótima e as denominadas tarifas de Nash passaram a representar as tarifas ótimas
em contexto retaliatório.
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Em estudo de grande repercussão, Ossa analisou as tarifas ótimas, ou seja,
as tarifas que os países imporiam se não precisassem temer qualquer retaliação
(Ossa 2016). Nesse cenário, cada país pode alcançar ganhos consideráveis às custas
de outros ao elevar tarifas unilateralmente. Por exemplo, sob tarifa ótima média
é de 62,4%, o ganho médio de bem-estar do governo protecionista é de 1,9%,
enquanto a perda média de bem-estar dos demais é de -0,7% (Ossa 2016, 4104).
Harrison e Rutström também calcularam como tarifas de Nash funcionam em
disputas comerciais simples (Harrison e Rutström 1991). A primeira simulação
feita pelos autores envolveu o resultado de guerra comercial trilateral entre os
Estados Unidos, UE e Japão, e a segunda, guerra comercial bilateral entre os EUA
e o Canadá. Em ambas as situações, os demais blocos comerciais não retaliam
contra os atores em disputa. Embora em todas as funções a melhor resposta
seja o livre comércio, alguns jogadores conseguem auferir benefícios de bem-
estar para “vencer” a guerra comercial. Na disputa trilateral entre os EUA, UE e
Japão, por exemplo, os EUA e o bloco comunitário auferem ganhos significativos
decorrentes do maior protecionismo, ainda que relativamente menores do que
poderiam ter alcançado, caso conseguissem avançar em negociações de livre-
comércio. Por conseguinte, valer-se de guerras comerciais e ameaças retaliatórias
é mais interessante para esses blocos do que a manutenção do status quo.
Alternativamente, na disputa comercial geograficamente discriminatória
entre os EUA e o Canadá, na qual cada país altera o patamar tarifário apenas
sobre importações provenientes da outra nação, a retaliação discriminatória de
parceiro comercial tão relevante quanto o Canadá tem forte impacto sobre os
EUA. A simulação de guerra comercial retaliatória aponta para perdas de todos
os envolvidos, mas os canadenses perdem até dez vezes mais do que os norte-
americanos em termos de PIB. Os norte-americanos podem, assim, argumentar
que o decréscimo de bem-estar é aceitável em relação ao significado político-
econômico de pressionar o Canadá a negociar acordo de livre-comércio.
Os acadêmicos ainda analisaram o equilíbrio das concessões feitas entre
EUA e Canadá para a assinatura de acordo bilateral de livre-comércio (jogo
cooperativo). Segundo a prática histórica das negociações internacionais, avalia-
se o equilíbrio do acordo com base nas concessões mútuas. Nesse caso, a
liberalização comercial resulta em perdas significativas para os canadenses, mas
a assinatura do instrumento atende à solução de Nash para jogos cooperativos.
Afinal, até mesmo acordo desfavorável é preferível à alternativa retaliatória da
guerra comercial.
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As pesquisas indicam, portanto, que embora a estabilidade das instituições
e de políticas de livre comércio seja atribuída a jogos de coordenação, em que
todos podem esperar que os demais tenham consciência de que determinado
curso de ação será seguido por consenso tácito, há incentivos econômicos em
guerra comerciais, que criam regimes mistos de cooperação e contestação, em
que se misturam dependência mútua, disputa e necessidade de formar parcerias.
O caso das tarifas “recíprocas” norte-americanas
Em 8 de abril de 2025, o Representante Comercial dos EUA (U.S. Trade
Representative, USTR), Jamieson Greer, foi ao Senado tratar das tarifas anunciadas
no “Dia da Libertação”. O Presidente do Comitê de Finanças, Senador Michael Crapo,
declarou que o país voltaria a se engajar tratativas comerciais, com base em “várias
ideias substantivas”, tendo em conta a força positiva do comércio internacional
(PBS NewsHour 2025)
4
O republicano não defendeu políticas industriais, ou
propôs medidas de controle ambiental, nem regras trabalhistas. Ele simplesmente
declarou que o comércio internacional pode ser revalorizado e fortalecido.
Se a utilidade esperada desse jogador se identificou com jogos de colaboração
pura, em que os participantes concordam perfeitamente com a ordem de preferência
do resultado a ser alcançado, ainda que possam discordar da estratégia a ser
empregada, na medida em que a audiência prosseguiu, as unidades de utilidade
passaram a se distanciar do modelo cooperativo original. Em particular, o Senador
restringiu a estrutura do jogo, ao afirmar que “temos que reconhecer que muitos
dos nossos parceiros comerciais aplicam tarifas que não foram questionadas por
muito tempo. Livre comércio, por definição, deve ser recíproco. Não o temos
se os outros impõem barreiras sobre nós sem qualquer consequência.” (PBS
NewsHour 2025).5
Em seguida, o USTR Greer declarou que a política comercia teria que responder
a barreiras que nunca foram desafiadas. A seu ver haveria medidas não-tarifárias
que promovem as exportações de outros países e obstruem as exportações dos
EUA e outras políticas econômicas estrangeiras que favorecem o excesso de
produção, e degradam a capacidade manufatureira americana, além da falta
4 Tradução livre de: “we have plenty of substantive trade ideas to discuss.”
5 Tradução livre de: “we must also acknowledge that many of our trading partners deploy barriers that have
gone unchallenged for too long. Free trade, by definition, must be reciprocal. We do not have it if others can
impose barriers on us unchallenged.”
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de reciprocidade, que alavanca o déficit comercial (PBS NewsHour 2025). A
política comercial deveria, assim, atender à restrição mais rígida de se escolher
a estratégia mais pertinente.
Os EUA de fato elevaram a alíquota efetiva de importação de 2,5% para
14,0%, mas, como previsto nos modelos quantitativos, o aumento teve impacto
limitado sobre a atividade econômica e os preços (OECD 2025). Além disso, as
contramedidas foram adotadas exclusivamente pela China, o que praticamente
não alterou a tarifária efetiva sobre as exportações (FMI 2025). A pressão norte-
americana resultou, ainda, no anúncio de diversos acordos comerciais, que, em
geral, beneficiaram a contraparte com a redução das tarifas para 10% e 20%,
mas não reestabeleceram o patamar de 2024.
A balança comercial estadunidense registrou, inicialmente, incremento
decorrente da antecipação dos embarques, mas, no último trimestre daquele ano,
o déficit médio de bens e serviços diminuiu em US$ 32,9 bilhões no comparativo
anual. Houve, ainda, aumento médio das exportações de US$ 22,2 bilhões, e
redução média das compras em US$ 10,7 bilhões (US Bureau of Economic Analysis
2026), ilustrando o cenário de interesses mistos presente quando a cooperação
política comercial falha.
Cooperação e conflito em jogos de soma zero
Se, como demonstrado na seção anterior, é possível “vencer” uma guerra
comercial, na prática, alcançar tal objetivo requer condições econômicas
subjacentes relativamente especiais, além da aplicação de estrutura tarifária
ótima cuidadosamente calculada. Possivelmente, economistas e teóricos de jogos
altamente treinados são capazes de racionalizar os movimentos dos demais
atores ex ante. No entanto, é difícil, mesmo para analistas experientes, dizer
quotidianamente o que está acontecendo na política comercial dos EUA com o
Brasil e o restante do mundo, a fim de antecipar as jogadas dos demais atores.
Ainda que se desenhem as curvas de reação, para identificar o equilíbrio
de Nash que indique a cada exportador como ajustar suas tarifas em função da
política tarifária do importador, os pontos de equilíbrios ainda serão inconsistentes,
pois as próprias curvas são instáveis, obtidas com base na premissa de que
cada país se ajusta ainda que projete erroneamente as ações da outra parte. A
discordância contínua entre expectativa e experiência induz dúvidas ao modelo
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e perturbações, que tornam o sistema completamente instável. É nesse campo
fértil que a diplomacia assume papel de relevo. O desafio diplomático consiste
em encontrar alguma forma de racionalização que ambos os atores possam
reconhecer como equilíbrio ideal.
Os paradigmas dominantes das relações internacionais, como o neorrealismo
e o neoliberalismo, dão, porém, limitada importância à diplomacia. A negociação,
o maior atributo diplomático, reflete, apenas, aspectos estruturais da ordem
internacional (Hampson, Crocker, e Aall 2013). Para o realismo político, a capacidade
material dos estados define quem prevalece. Países dotados de maior poder
usam a superioridade para coagir e persuadir os mais fracos a submeterem-se
(Hampson, Crocker e Aall. 2013, 324). Para o liberalismo, o resultado das negociações
internacionais limita-se às preferências dos atores, com soluções predeterminadas.
A exceção é a Escola Inglesa, para a qual a diplomacia é instituição primária,
que molda profundamente as práticas de ordenamento internacional (Bull 1994).
Quando reestruturada, há consequências relevantes para as relações internacionais,
podendo-se por exemplo, dificultar a negociação de acordos relevantes, ou escalar
tensões, em lugar de reduzi-las. São efeitos de relevo para a ordem internacional,
mas que não foram especificados nem por Colin Wight, nem por Hedley Bull,
o que restringe a aplicação dessa corrente teórica.
Os fundamentos da teoria dos jogos, por sua vez, concentram-se no processo
de tomada de decisões, dotando-o de alto rigor científico (Bjola 2018). A estrutura
básica parte do nível do indivíduo, das estratégias ou escolhas que enfrenta,
a maneira como as decisões são sequenciadas, as preferências dos atores e as
informações que possuem quando fazem suas escolhas. São fatores exógenos,
tomados como constantes, para permitir análise matemática sobre diversas
questões substantivas (Munck 2001).
Para esse paradigma teórico, a natureza da comunicação entre os atores
torna-se indispensável. Como ressaltam Bjola e Kornprobst o diplomata é, acima
de tudo, um comunicador. A diplomacia é atividade comunicativa altamente
institucionalizada, que depende de técnicas e habilidades (2018, 93). A retórica
diplomática é peça-chave para se alcançar êxito em negociações, e as categorias
abrangem desde conversas informais (“cheap talk”) a diálogos altamente
estruturados (“dialogue”). Na diplomacia, o poder da palavra pode fazer enorme
diferença para alterar o contexto e os temas em enfoque, sendo instituição central
das pesquisas sobre barganha e comunicação estratégica (Zartman e Touval 1985).
Para demonstrar como tal teoria constitui ferramenta analítica adequada para
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entender o processo decisório em si e influenciar a contraparte, considere-se jogo
de soma zero com três participantes, oferecido por Schelling a seus alunos. Jogos de
soma zero são jogos não cooperativos absolutos, que não permitem combinações
com jogos cooperativos. No exemplo, três indivíduos participam de duelo. O
primeiro a atirar é escolhido aleatoriamente e os participantes revezam-se no uso
da pistola. Cada um pode escolher entre matar o outro, ou errar deliberadamente.
Se houver mais de um sobrevivente após certo número de rodadas, um dos
competidores é escolhido aleatoriamente para atirar em um dos outros, o que se
repete enquanto houver mais de um jogador vivo (Dodge 2012).
Antes do duelo, cada participante pode, sucessivamente, assumir compromisso
irretratável, o que inclui no jogo problema de coordenação para aumentar a
probabilidade de sobrevivência de determinado jogador. Resposta simples consiste
em A dizer a B que se ele não se comprometer a atirar em C, A seguramente
matará B. Diante da ameaça de A, B tem duas escolhas: comprometer-se a atirar
em C ou não se comprometer (Dodge 2012). Se ele aceitar atirar em C, tem 1/6
de chance de sobrevivência, caso C seja o primeiro a atirar e mate A em lugar
de B. Nas demais situações, não importa quem B mate, pois está condenado de
qualquer maneira. Se B não se compromete, tem 0% de chance de sobrevivência
(Dodge 2012), pois se A for o primeiro, ele atira em B. Se B for primeiro, não
importa em quem ele atire, o outro atirará nele. Se C for primeiro, ele pode atirar
para o alto e deixar que A mate B (Dodge 2012).
Nessas condições, C também tem 0% de chance de sobrevivência. Se ele for
o primeiro, não importa em quem ele atire, o outro o matará. Se B for o primeiro,
ele é baleado. Se A for o primeiro, ele deixa B atirar em C e depois mata B.
Não há nada que C possa fazer para aumentar suas chances de sobrevivência.
O atirador A terá, portanto, chance de sobrevivência bastante razoável de 5/6 (84%)
usando essa estratégia. O jogador A alcançará seus objetivos de sobrevivência
por impedir qualquer compromisso unilateral que B ou C possam assumir além
daquele que já foi feito (Dodge 2012). A comunicação tem, portanto, significado
tático e informativo, de modo que os atores precisam identificar a melhor maneira
de dialogarem.
O caso das tarifas contra a importação de petróleo da Rússia
Em 6 de agosto de 2025, o Presidente Trump assinou decreto que impôs tarifa
adicional de 25% sobre produtos da Índia, a fim de punir o país por importar,
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direta ou indiretamente, petróleo russo (Agência Bras. 2025). A medida deu-se
no esteio do anúncio de que tarifas secundárias também seriam aplicadas ao
Brasil e à China caso não interrompessem a compra de petróleo e derivados
daquele país.
Trump formulou jogo de conflito puro, em que os interesses das partes
são divergentes. Interessa aos países em desenvolvimento continuar a comprar
petróleo e derivados ao melhor preço, mas também querem evitar a incidência
das tarifas secundárias. Moscou tem preferência por manter o fluxo comercial,
mas também deseja evitar a cobrança tarifária sobre seus clientes, e importa aos
EUA acabar com esse tipo de comércio. Ao transmitir suas intenções futuras,
o presidente norte-americano criou problema de coordenação, pois eliminou o
escopo de cooperação entre comprador e vendedor. Como no duelo, o importador
que não se compromete é punido pelos EUA.
Em 6 de fevereiro de 2026, quando Índia e Estados Unidos anunciaram
entendimento comum para reduzir a tarifa ad valorem aplicada por Washington
sob a condição de diversificar-se a oferta energética (Renshaw et al. 2026), por
meio da venda de petróleo venezuelano (G e Verma 2026). Os Estados Unidos
conseguiram, assim, alterar a lógica decisória, para transformar o comércio de
petróleo em disputa estratégica, em que o terceiro tem que assumir compromisso
com um dos lados. A ameaça tarifária funcionou, portanto, como o tiro do
duelo, restringindo a cooperação com a Rússia em favor da autopreservação na
definição do equilíbrio final do jogo.
Jogos normativos
Em contexto de guerra comercial retaliatória, uma das partes tende a fazer
ameaças, em caso de contingência. Um jogador afirma, por exemplo, que retaliará,
ainda que manifestamente prefira que tal cenário não se concretize. O motivo
por trás da retaliação é coagir ou restringir a escolha de ação do outro jogador. A
ameaça funciona apenas se alterar a expectativa do outro jogador sobre a certeza
da retaliação. A ameaça retaliatória não busca, assim, provocar. Representa
tentativa de alterar como a parte ameaçada entende os incentivos do ameaçador
(Schelling 1980). Constitui ação tomada na esperança de que, pelo simples ato
de criar o risco, a outra parte se comprometa a não deixar que a ameaça seja
executada. O cumprimento da ameaça deve, portanto, parecer compulsório,
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como firme compromisso da autoridade que ameaçou, mas se a ameaça falhar,
de modo que tenha que ser executada, o único motivo para cumpri-la será a
obrigação contraída de livre vontade anteriormente (Schelling 1980).
A ameaça está intimamente relacionada com a noção de compromisso do
jogo de duelo. O compromisso implica a renúncia a escolhas alternativas, ainda
que a situação coloque o ameaçador em pior situação do que precisa estar caso
a tática falhe, mas ainda assim é possível manipular a própria estrutura de
incentivos, para que o outro jogador seja induzido a cooperar.
Em 1982, Guth, Schmittberger e Schwarze publicaram exitoso estudo, em
que pediram aos participantes para jogar o que hoje é conhecido como o jogo do
ultimato (Bicchieri 2005, 103). Em sua versão clássica, o jogo tem dois participantes,
que devem dividir quantidade fixa de dinheiro, de acordo com algumas regras.
O proponente oferece determinada divisão, que pode variar de zero à soma total
disponível. O remetente tem a escolha binária de aceitar a oferta ou rejeitá-la. Se
a oferta for aceita, o jogo se resolve pelo valor da oferta. Se a oferta for rejeitada,
cada jogador não recebe nada. Se os jogadores fossem atores estritamente racionais,
o remetente sempre aceitaria qualquer valor maior que zero e o proponente
faria ofertas mínimas, mas nos estudos experimentais verificou-se que ninguém
ofereceu um centavo ou mesmo um dólar (Bicchieri 2005).
Nos Estados Unidos, assim como em vários outros países onde o experimento
foi repetido, a média das ofertas previu a distribuição de 30% a 40% do valor
total (Bicchieri 2005). A mediana, ou seja, o centro exato ou aproximado das
ofertas, foi de 40% a 50%. Ofertas abaixo de 20% foram rejeitadas em cerca de
metade das vezes. O valor a ser dividido e diferenças culturais não afetaram os
resultados. Por exemplo, aumentar o valor de US$ 10 para US$ 100 não diminuiu
a frequência de rejeições de ofertas baixas (aquelas entre US$ 10 e US$ 20), e
experimentos realizados na Eslovênia, Pittsburgh, Israel e Tóquio, demonstraram
que as ofertas continuaram a se situar na faixa de 40% a 50% (Bicchieri 2005).
O sujeito que rejeita oferta diferente de zero age irracionalmente, mas
indivíduos em geral, incluídos os líderes com poder decisório, não são capazes
de fazer o tipo de cálculo dos modelos de utilidade. Em vez disso, as decisões
são tomadas, no momento, com base, por exemplo, em experiências prévias ou
em regras práticas não bem fundamentadas. Por essa razão, a teoria das relações
internacionais busca dar caráter interdisciplinar à pesquisa sobre os processos
decisórios. Isso não significa que se rejeitem os mecanismos estudados pela teoria
dos jogos para explorar a aversão humana a riscos, ou, no caso do ultimato, a
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aspiração por soluções justas. Apenas se considera que, além da racionalidade,
seres humanos são frequentemente motivados por outros fatores, entre os quais
a aversão a riscos ou os incentivos monetários não serão necessariamente os
mais importantes.
Estudos publicados por Bicchieri em 2005 registram que indivíduos agem
por amor, inveja, despeito, generosidade, desejo de imitar, simpatia ou ódio, para
lembrar apenas algumas das emoções e desejos humanos. Quando confrontados
com diferentes distribuições possíveis, geralmente as partes se importam com o
futuro do relacionamento, como a proposta distributiva surgiu, quem a implementou
e quais as razões subjacentes. Como as pesquisas demonstram, os indivíduos
se importam com os retornos dos outros e avaliam as intenções, boas ou más,
daqueles com quem interagem, a utilidade esperada na teoria dos jogos normativos
foi ampliada para incluir outras motivações na função de utilidade e desenvolver
modelos mais ricos e complexos sobre o comportamento humano.
O caso da exclusão de produtos brasileiros
Em 30 de julho de 2025, o Presidente Trump declarou que ações recentes
do governo brasileiro ameaçariam a segurança nacional, a política externa e a
economia dos Estados Unidos (White House 2025). Suas queixas foram direcionadas
a medidas que, a seu ver, interferem na economia dos EUA, infringem os direitos
de livre expressão de seus cidadãos, violam os direitos humanos e minam o
interesse dos Estados Unidos em proteger seus nacionais e empresas. Além
disso, alguns membros do governo perseguiriam politicamente o ex-presidente do
Brasil, Jair Bolsonaro, com abusos de direitos humanos e desrespeito ao estado
democrático de direito. Sob esses argumentos, os EUA confirmaram a aplicação
de tarifa adicional ad valorem de 40% para bens de origem nacional.
A elevação foi acompanhada, porém, da exclusão de quase 700 itens. Foram
expressamente excluídas da cobertura da ordem executiva 44,6% das vendas
brasileiras para o mercado americano (US$ 18 bilhões em 2024). A reação de alívio
no Brasil com o fato de os EUA terem aberto mão de 44,6% dos itens da pauta
demonstra o que o jogo do ultimato sempre indicou: que as pessoas se importam
com os resultados dos outros, que os brasileiros se importam com o benefício obtido
por alguns dos setores e com as perdas de responder inadvertidamente à oferta.
Essa sequência de iterações caracteriza compromisso, que serve para restringir
as ações brasileiras, ao incluir na estrutura do jogo alguma aparência de obrigação
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e benefício. Permite, assim, que o jogador tente fixar o curso de ação disponível
para o Brasil, com seu primeiro movimento, propondo ganhos que, se a outra
parte não aceitar, arrisca-se a perder. O compromisso é, portanto, meio de obter,
no primeiro movimento, garantias sobre a resposta.
Comunicação e manobras
Além da noção de compromisso, analisada na seção anterior, há outras
táticas para constranger antecipadamente as opções dos adversários. Concebidas
sobretudo por Thomas Schelling, Anatol Rapoport, Robert Axelrod, tais ações
estratégicas visam a maximizar os resultados de determinada jogada ao eliminar
as opções dos demais competidores que não sejam necessariamente vantajosas
para o resultado almejado. São úteis, portanto, na medida em que facilitam a
identificação dos mecanismos causais subjacentes a determinadas ações e permitem
ao jogador escolher entre opções de ação relativamente diretas, como criar
reputação crível, restringir a comunicação quando não se quer fazer concessões
adicionais, “queimar” pontes com atores que, de outro modo, poderiam pedir
concessões adicionais, ou restringir os poderes dos negociadores nacionais.
Os meios de imprensa têm, com certas limitações, recuperado essas estratégias.
Foram veiculadas notícias de que Trump utilizaria a “teoria do louco” de Schelling
(BBC News Bras. 2025). Schelling de fato discorreu sobre como a irracionalidade
pode ser estrategicamente racional ao se tentar fazer ameaças críveis, mas
nunca chegou a definir os pressupostos das demonstrações de irracionalidade.
De modo abrangente, o objetivo das ações erráticas é demonstrar que o jogador
é irracional demais para ser dissuadido por ameaças de punição. Às vezes,
alguém pode ganhar a reputação de não ter tudo sob controle, de ser impulsivo
e imprevisível, ou de ser aconselhado por assessores nem sempre racionais.
Ainda que tais comportamentos possam ter conotações cômicas, ou influenciem
negativamente a imagem projetada pelo chefe de governo, as demonstrações de
imprevisibilidade podem ser eficazes em limitar as opções dos demais jogadores.
Outra maneira semelhante de restringir as opções sobre a mesa consiste em
deixar o resultado fora do seu controle para garantir credibilidade à oferta (Dodge
2012). O negociador pode dizer, por exemplo, que a aprovação de determinada
medida dependerá de angariar apoio popular para aprovação em referendo,
pode expandir a interpretação das leis nacionais, para que o tema tenha que ser
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submetido ao Congresso, ou pode antecipar-se em assegurar que a retaliação
será acionada automaticamente, por gatilhos que prescindam de validação.
Além de a fala ser fundamental, as manobras de cada jogador fazem parte do
jogo. Pode haver muitos movimentos disponíveis, que se somem às vantagens do
diálogo, especialmente se as manobras se tornam visíveis para o outro jogador
somente após certo lapso de tempo. Nesse caso, o jogo progride enquanto a
conversa prossegue.
Uma das habilidades fundamentais das teorias estratégicas para restringir o
campo de ação do adversário consiste na “tática do salame”. Quando determinado
ator planeja violar as regras, deve fazê-lo de forma muito fragmentada, como
fatias de salame, para que nada seja suficiente para provocar confronto direto.
O jogador usa fatos consumados repetitivos e limitados para expandir a influência
em determinado contexto, ao mesmo tempo em que evita potencial escalada.
A noção básica consiste em ganhar terreno aos poucos, em vez de tudo de uma
vez (Maass 2022).
Por exemplo, em julho de 2025, o Secretário de Estado, Marco Rubio,
anunciou restrições de visto para funcionários do Poder Judiciário brasileiro e seus
familiares (U. S. Dep. State 2025). Se essa decisão tivesse significado puramente
simbólico, seria possível considerá-la como forma de comunicação, como a fala,
mas ações dessa natureza também podem ter sentido tático, para deixar o jogo
invariavelmente diferente do que era antes. Nesse caso, as restrições de entrada
nos EUA foram progressivamente ampliadas para alcançar outros sete ministros
da Suprema Corte e o Procurador-Geral da República (CNN Bras. 2025), antes de
serem gradualmente revertidas, após o julgamento do ex-Presidente Bolsonaro
em setembro daquele ano (Laboissière 2025a).
As provocações apresentadas como fatos consumados podem assumir muitas
formas, mas sua característica principal consiste em confrontar a outra parte com
realidade alterada e forçá-la a decidir se aceita esse novo status quo ou se tenta
revertê-lo (Maass 2022). Quando o fato consumado envolve mudanças impossíveis
de desfazer sem confronto direto, a decisão é ponderada pelo conhecimento de
que qualquer tentativa de reversão seria mais custosa do que a aquiescência,
além disso, a guerra resultante seria atribuída ao competidor. Para tanto, a lógica
das táticas de salame exige que cada fato consumado seja limitado a série de
consequências que não devem provocar retaliações significativas. Alcançar esse
equilíbrio infligindo perdas sucessivas, mas muito pequenas para justificar o custo
de revertê-las, coloca o competidor na frustrante situação de estar insatisfeito
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com a mudança, mas racionalmente relutante em recuperar o que foi perdido
(Maass 2022).
Outra opção bastante conhecida consiste em limitar a autoridade do negociador
mandatado, para que ele não possa fazer concessões sem consultar a instituição
representada (Dodge 2012). O representante pode, assim, obter concessões, mas
oferecê-las sem a autoridade para se comprometer, associando-as, por exemplo,
à decisão do chefe de governo. Essa é uma das razões pelas quais a conversa
não é substituto para as manobras. Os movimentos podem, de alguma forma,
alterar o jogo, impondo custos manifestos ou riscos à outra parte, sem reduzir
as escolhas subsequentes de quem usou tal movimento.
As manobras carregam em si conteúdo informativo, ou evidenciam algo distinto
da fala, como no caso de se restringir a comunicação para gerar engajamento
da outra parte. Ao eliminar sua capacidade de receber mensagens, o jogador
demonstra a impossibilidade de mudar de posição, já que não pode nem receber
nem responder as contrapropostas ou demandas. Embora cortar o contato seja
tática eficaz, suas limitações residem no fato de que, sem comunicação, pode ser
difícil ou impossível ter certeza de que o competidor agiu de acordo com seus
desejos. No entanto, se for melhor não receber mensagens que possam forçá-lo
a aceitar acordo pior do que o staus quo, as falhas na comunicação se tornam
menos problemáticas (Dodge 2012).
O caso das tarifas a produtos não cultivados
Em 9 de dezembro de 2025, o Senador democrata Jack Reed chamou a atenção
dos demais parlamentares para a inflação de 30% sobre o preço do café (CBS
News 2025). Ao lembrar que o Brasil é um dos principais produtores mundiais,
afirmou que as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros foram motivadas por
laços de amizade com o ex-Presidente Bolsonaro. Perguntou, assim, se o USTR
Greer considerava válido impor tarifas a determinado país, ainda que haja
aumento significativo de custos para os estadunidenses.
Desde 2009, o Brasil é deficitário no comércio com os EUA (“Comex Stat
— ComexVis”, s. d.). A Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do
Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Secex/MDIC) estima que a
tarifa adicional aplicada em julho de 2025 incidiu sobre 35,9% das exportações
brasileiras (SECEX/MDIC 2025b). Em novembro de 2025, modificou-se o escopo
das medidas, mas 22% das exportações nacionais (US$ 8,9 bilhões) continuaram
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sujeitas às tarifas adicionais de 40% ou 50% (SECEX/MDIC 2025a). Esse cenário
foi revertido apenas em fevereiro de 2026, por decisão da Suprema Corte dos
EUA (Planalto 2026), sujeita a contramedidas presidenciais.
Ao responder ao Senado, o Embaixador Greer não buscou, porém, relacionar
as discussões com o Brasil à agenda comercial superavitária para os EUA. Pelo
contrário, tentou caracterizar ameaça a direitos fundamentais dos norte-americanos
(CBS News 2025, 54:31 e 1:14-1:15). Em particular, argumentou que o governo
brasileiro tentara forçar empresas norte-americanas a se autocensurarem e
detivera cidadãos americanos, lembrando que diferentes lideranças, de ambos
as legendas partidárias, aplicaram a Lei dos Poderes Econômicos de Emergência
Internacional (“International Emergency Economic Powers Act”, IEEPA) para
tratar de questões de política externa.
O USTR tratou, assim, de aspecto contestatório, o que se reflete na opção
de manter o status quo, ou adotar postura punitiva. Tal ameaça poderia ou não
ser crível, pois a elevação das tarifas aplicadas produtos não cultivados naquele
país resulta em repasse de custos aos consumidores. Além disso, a outra parte
não apenas teria conhecimento dos efeitos internos, mas também entenderia
os elementos básicos das negociações comerciais, os recursos disponíveis e as
limitações inerentes. Ao mesmo tempo, a assunção de compromisso público em
aumentar as tarifas gerou custos de audiência, pois o governo perderia reputação
caso tivesse que recuar. Os EUA precisavam, portanto, comprometer-se com
curso de ação crível, para que o conhecimento sobre a dinâmica de preços não
enfraquecesse a ameaça tarifária.
O regime de comunicação que se estabeleceu, sob esse propósito, fundamentou-
se em represálias, em que as manobras se orientaram tanto pelo objetivo de
restringir as opções do adversário, quando de tentar surpreendê-lo. Respostas
convencionais foram rechaçadas, como decorrentes de regime de comércio que se
esgotou, ou que é incapaz de atender a interesses nacionais, geralmente não muito
bem definidos. Não raramente, o chefe de governo assumiu o papel de diplomata
e adotou retórica incomum, além de manobras pouco diplomáticas para alcançar
seus objetivos. Esse tipo de diplomacia presidencial evitou os canais diplomáticos
tradicionais ao se comunicar internacionalmente por mensagens diretas, difundidas
por mídias sociais, em que se combinaram o estilo pessoal do comunicador e as
emoções acaloradas que acompanham essas plataformas. O palco diplomático
permitiu ao jogador apresentar-se em grande estilo ao público doméstico, ainda
que sua assertividade pudesse ser mal recebida externamente (Eiran et al. 2025).
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O Brasil poderia responder adotando até três opções econômicas, a saber:
lançar política industrial em apoio aos produtores nacionais, buscar novas
oportunidades de acesso ao mercado pela negociação de acordos comerciais e
retaliar (Rotunno e Ruta 2025). A primeira opção foi implementada por pacote
de mais de R$ 30 bilhões para apoiar o setor produtivo (Laboissière 2025b). O
crédito privado contribuiu para superávit de US$ 68,3 bilhões no saldo comercial
de 2025 (Martello e Resende 2026). A segunda, foi consolidada pela conclusão do
acordo de livre comércio com a União Europeia e no compromisso de aprofundar
a integração comercial com outros parceiros, incluída a China.
A última alternativa foi cuidadosamente evitada por fala baseada na abordagem
do “olho por olho”. Inicialmente o Presidente Lula replicou o movimento
contestatório do adversário e concentrou seus argumentos na igualdade soberana
entre as nações (G1 2025a). Ao mesmo tempo, mostrou-se pronto para reverter a
atitude refratária, caso o adversário mudasse de opinião. O sinal de reaproximação
foi respondido por Trump em setembro seguinte, por meio de elogiosa menção
a Lula em discurso perante Assembleia Geral das Nações Unidas (Gaspar 2025).
O gesto favorável foi novamente replicado em outubro seguinte, quando os
líderes mantiveram exitosa conversa telefônica (Gaspar 2025; Planalto 2025).
No mês seguinte, os EUA modificaram o escopo de aplicação da tarifa de 40%.
A tarifação do café buscava, portanto, dar iniciativa estratégica aos EUA,
confrontando o Brasil com decisões difíceis de resposta e, muitas vezes,
incentivando-o a tolerar perdas relativas em vez de arriscar escalada retaliatória
(CBS News 2025, 54:31). A credibilidade do compromisso assumido no discurso
presidencial brasileiro ajudou, porém, a aumentar os custos para o ator revisionista.
Além disso, como prevê o modelo bayesiano, as iterações levaram à atualização das
expectativas, influenciando decisões subsequentes e, potencialmente, deslocando
o equilíbrio estratégico para confirmar a cooperação mútua como estratégia mais
vantajosa.
Conclusão
Embora o sistema de livre comércio sirva melhor aos ganhos de bem-estar
global do que qualquer outro sistema disponível, guerras tarifárias podem decorrer
da percepção de que, nas trocas comerciais internacionais, os ganhos a serem
distribuídos podem ou não ser equitativamente divisíveis, podem ou não ter
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utilidade semelhante para ambas as partes, e podem ou não ser definidos por
potenciais resultados eficientes, em que mais para um significa menos para o
outro, e ambos sabem disso.
Nesse caso, o comércio internacional não funciona como jogo cooperativo,
em que o analista lida com expectativas racionais puras. Há jogadores com sua
própria consciência e com visões sociais distintas. O movimento de um dos lados
depende essencialmente do que a outra parte fará, da capacidade de comunicar
intenções e de adotar manobras que restrinjam o campo de ação do outro jogador,
ainda que do modo mais rudimentar que se possa imaginar.
Os ganhos são avaliados em termos de bem-estar, mas também em relação
ao insucesso das rodadas de liberalização comercial da OMC, ou ao fracasso das
negociações bilaterais e a avaliações sobre o nível de protecionismo que afeta o
jogador, além dos benefícios a serem auferidos por economias significativamente
maiores, às custas das menores. A avaliação do resultado das negociações
comerciais pode, assim, prescindir da extensão em que os negociadores tentam
equilibrar concessões mútuas, prática histórica das negociações comerciais, que
contraria qualquer solução que pretenda satisfazer o equilíbrio de Nash para
jogos cooperativos. Como a barganha internacional dificilmente soluciona-se por
sequência de movimentos que tornam o resultado formalmente determinado, a
diplomacia faz-se necessária.
Motivado pela literatura sobre teoria dos jogos, o artigo realçou a importância
de analisar os mecanismos heurísticos utilizados pelos atores em contextos mistos
de cooperação e conflito. Embora análise abrangente do processo decisório esteja
além do escopo do texto, a pesquisa empírica forneceu evidências de que a
comunicação e as manobras influenciaram decisivamente o curso das negociações.
As táticas foram exemplo paradigmático da diplomacia estadunidense, para evitar
os custos iniciais de escalada retaliatória e avançar aumentando suas chances
de sucesso nas tratativas comerciais. A fala foi utilizada pelo Brasil para negar
opções ao adversário que afetassem aspectos normativos como a soberania,
integridade territorial e independência política.
Ao longo das tratativas, houve, porém, limitadas chances para a celebração
de acordo interestatal significativo. Ainda que se pudesse prever a situação em
determinado momento, não era possível projetá-la para além de um ou dois
movimentos à frente, para desenvolver modus vivendi de confiança, além dos
papéis de domínio e submissão entre os dois jogadores. O ritmo do jogo alcançou
momento dramático com a decisão da Suprema Corte, tomada antes que fosse
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adquirida a experiência necessária para um acordo. Essa produção de soluções
erráticas contrastou com a capacidade diplomática creditada à OMC de prevenir
sucessivas guerras comerciais, apesar da atratividade das medidas unilaterais,
papel histórico que impressiona.
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