Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
1-23
Desenvolvimento Desigual e
Combinado e a crítica do internalismo
nas Relações Internacionais: uma
apropriação periférica do projeto
teórico de Justin Rosenberg1, 2
Uneven and Combined Development
and the critique of internalism in
International Relations: a peripheral
appropriation of Justin Rosenberg’s
theoretical project
Desarrollo Desigual y Combinado y la
crítica del internalismo en las Relaciones
Internacionales: una apropiación
periférica del proyecto teórico de Justin
Rosenberg
DOI: 10.21530/ci.v21n1.2026.1636
Francisco Luiz de Andrade Neto
3
Resumo
Desde os anos 1990, Justin Rosenberg ensaia uma teorização
pautada nas ideias de “Desenvolvimento Desigual e Combinado”
(DDC) e “multiplicidade”, que se relacionam com críticas ao
1 O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento
de Pessoal de Nível Superior — Brasil (CAPES) — Código de Financiamento 001.
2 Agradeço à equipe editorial da Carta Internacional pelas observações cuidadosas
durante o processo de publicação deste artigo, bem como a Victor Coutinho
Lage por comentários que contribuíram para a construção deste trabalho desde
suas versões iniciais.
3 Doutorando em Relações Internacionais, Programa de Pós-Graduação em Relações
Internacionais da Universidade Federal da Bahia (PPGRI-UFBA), Salvador, Bahia.
(flandradeneto@gmail.com). ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4261-3561.
Artigo submetido em 25/10/2025 e aprovado em 02/05/2026.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
RELAÇÕES INTERNACIONAIS
Copyright:
This is an open-access
article distributed under
the terms of a Creative
Commons Attribution
License, which permits
unrestricted use,
distribution, and
reproduction in any
medium, provided that
the original author and
source are credited.
Este é um artigo
publicado em acesso aberto
e distribuído sob os termos
da Licença de Atribuição
Creative Commons,
que permite uso irrestrito,
distribuição e reprodução
em qualquer meio, desde
que o autor e a fonte
originais sejam creditados.
ISSN 2526-9038
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
2-23
internalismo das Relações Internacionais (RI). No entanto, tal teorização tem seu potencial
crítico relativizado por intervenções que veem resquícios eurocêntricos na ideia de DDC.
Neste artigo, ao passo em que se apresenta e analisa as formulações de Rosenberg e de seus
interlocutores ao longo das últimas três décadas, enfoca-se no diálogo com tais críticas sobre
eurocentrismo, indicando um caminho para superar as limitações teóricas expostas por
elas. Com isso, busca-se propor uma apropriação periférica do DDC através de combinações
com literaturas que explicitam características da multiplicidade ocultas da forma básica
do DDC e das teorizações mainstream, assim contribuindo para os debates específicos
em torno desta noção e para o avanço de entendimentos plurais sobre a multiplicidade,
entendida como a ontologia das RI.
Palavras-chave: Desenvolvimento Desigual e Combinado, Justin Rosenberg, Multiplicidade,
Internalismo, Teorização periférica.
Abstract
Since the 1990s, Justin Rosenberg has been developing a theorization based on the ideas of
Uneven and Combined Development (UCD) and multiplicity, which are related to critiques
of International Relations’ (IR) internalism. However, its critical potential is called into
question by interventions that identify Eurocentric meanings in the idea of UCD. In this
article, while presenting and analyzing Rosenberg’s formulations and those of his interlocutors
over the last three decades, a focus is placed on the dialogue with these Eurocentrism
critiques, indicating a path to overcome the theoretical limitations they expose. In doing
so, the article seeks to propose a peripheral appropriation of UCD through combinations
with literatures that make explicit characteristics of multiplicity hidden in the basic form
of UCD and in mainstream theorizations, thus contributing to specific debates surrounding
this notion and to the advancement of plural understandings of multiplicity, understood
as the ontology of IR.
Keywords: Uneven and Combined Development, Justin Rosenberg, Multiplicity, Internalism,
Peripheral theorization.
Resumen
Desde la década de 1990, Justin Rosenberg ha desarrollado una teorización basada en las
ideas del “Desarrollo Desigual y Combinado” (DDC) y la “multiplicidad”, que se relacionan
con críticas al internalismo de las Relaciones Internacionales (RI). Sin embargo, su potencial
crítico es relativizado por intervenciones que identifican sentidos eurocéntricos en la idea
del DDC. En este artículo, al tiempo que se presentan las formulaciones de Rosenberg y
sus interlocutores a lo largo de las últimas tres décadas, se pone el foco en el diálogo con
las críticas sobre el eurocentrismo, señalando un camino para superar las limitaciones
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
3-23
teóricas que estas exponen. Con ello, se busca proponer una apropiación periférica del DDC
mediante combinaciones con literaturas que explicitan características de la multiplicidad
ocultas en la forma básica del DDC y en las teorizaciones mainstream, contribuyendo así
a los debates específicos en torno a esta noción y al avance de comprensiones plurales
sobre la multiplicidad, entendida como la ontología de las RI.
Palavras-clave: Desenvolvimento Desigual y Combinado, Justin Rosenberg, Multiplicidad,
Internalismo, Teorización periférica.
Introdução
A ideia de Desenvolvimento Desigual e Combinado (DDC)4 vem sendo
explorada no campo das Relações Internacionais (RI) — sobretudo na subárea
identificada como Teoria das Relações Internacionais (TRI) — principalmente
por Justin Rosenberg (2016a; b). Originalmente pensada por Leon Trotsky (2017)
no contexto da Revolução Russa, a ideia de DDC é resgatada e reformulada
como uma apreensão epistemológica que captura aquilo que Rosenberg julga
ser a ontologia da disciplina de RI: o internacional, definido em termos de
multiplicidade (Rosenberg 2016a). Tais proposições têm mobilizado amplos
debates epistemológicos, metodológicos, ontológicos e disciplinares nas RI,
fazendo emergir uma agenda de pesquisa em torno do DDC e da multiplicidade.
5
Interessa notar como nesse percurso tais apontamentos apresentam uma
crítica ao internalismo de teorizações hegemônicas das RI. Isto é, em análises
da realidade, o procedimento teórico de abstração de um determinado espaço
de maneira hermética, considerando apenas suas características “internas” e
desconsiderando influências “externas”. Isso, por exemplo, se manifesta no
entendimento de questões sociais tendo em vista exclusivamente características
internas de uma dada sociedade (Rosenberg 2013), na compreensão da história
mundial com base nas experiências de uma só região, ou mesmo pela forma
que o internacional é entendido como um espaço externo, sem interferências
do âmbito doméstico (Rosenberg 2016b).
Eis um sentido crítico importante, considerando que o internalismo não é um
mero equívoco analítico. Na verdade, trata-se de um procedimento essencial para
4 Do inglês “Uneven and Combined Development” (UCD).
5 Neste sentido, ver o site “Uneven and Combined Development" (2025): <https://unevencombined.wordpress.
com/>, organizado por Rosenberg e cia., que lista textos em torno do assunto e sugere obras introdutórias.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
4-23
ocultar as estruturas de poder que as teorizações hegemônicas das RI constroem e
sustentam, consequentemente reforçando o status quo e invisibilizando desigualdades
e discriminações do mundo moderno. Percebe-se como o eurocentrismo da
hegemônica definição do internacional parte de uma definição internalista, isto
é, como a história interna, particular, da Europa é universalizada (Sabaratnam
2020). O Tratado de Vestfália (1648) é assim tomado como o momento fundador
do internacional de facto, entendido como um ambiente anárquico e exterior ao
“doméstico”, em que Estados soberanos racionais estão em pé de igualdade formal
e preocupados apenas em garantir sua sobrevivência (Krishna 2018). Nota-se
como essa ambientação também parte de um internalismo, sendo, portanto, uma
segunda dimensão desse procedimento vista em perspectivas hegemônicas, além do
eurocentrismo. Ambos se combinam de modo a ocultar a história extraeuropeia e
problemas ditos domésticos, silenciando exatamente aquilo sob o que as estruturas
vestfalianas foram fundadas e daí se construíram: a colonização das Américas, o
estabelecimento de uma superioridade racial branca e europeia frente aos indígenas
e negros, e diante disso, a escravização e genocídio destes povos (Santos Filho,
2019, Silva 2021). É a partir daí, também, que são legitimados os “verdadeiros”
temas de estudo das RI: guerras entre potências, diplomacia, cooperação, segurança,
política externa; ao passo em que são rejeitadas questões ditas domésticas como
o racismo, opressões de gênero e desigualdade social.
Apesar desse potencial crítico, algumas obras apontam que a teorização
de Rosenberg ainda reproduz problemas das teorizações hegemônicas das RI
(Blaney e Tickner 2017; Blaney e Inayatullah 2016; Shilliam 2009; Tickner 2023).
Ao entenderem que a formulação do DDC seria muito básica — por não ser
capaz de caracterizar o internacional além de oferecer um entendimento não
internalista dele — argumentam que ela resguardaria resíduos eurocêntricos e
coloniais.
Em diálogo com essas questões, este artigo propõe uma apropriação periférica6
do projeto teórico de Rosenberg.7 Assim, enquanto apresenta a teorização
6 Por “apropriação periférica”, quer-se dizer o movimento de apreensão teórica das formulações em questão
baseado em vozes situadas em posições subalternas e oprimidas na modernidade e no capitalismo global
que denunciam processos de dominação e discriminação subjacentes a ambos, e que, ao mesmo tempo,
buscam construir novos modos de enxergar e estar no mundo ou cultivar outros já existentes. Exemplos
(não exaustivos) nesse sentido seriam as literaturas situadas dentre as chamadas abordagens decoloniais,
pós-coloniais e a vertente marxista da Teoria da Dependência.
7 Ainda que Rosenberg não seja o único autor que fale sobre o DDC (e mesmo multiplicidade) dentre as RI, foi
ele quem iniciou e levou adiante esse esforço na área, conferindo-o um status de centralidade que justifica
o foco deste artigo em sua obra. A segunda seção esclarece e contextualiza essa centralidade nas RI.
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
5-23
sobre o DDC e o internacional que o autor constrói, busca também traçar um
caminho para superar seus limites apontados pela crítica sobre eurocentrismo e
colonialidade, simultaneamente apropriando-se de seu potencial não internalista.
Para tanto, propõe-se conjugar o DDC com leituras periféricas, abrindo espaço para
caracterizações diversas do internacional, contemplando sua multiplicidade ao
passo em que problematizam seu aspecto desigual e heterogêneo quando situado
na modernidade. Desta forma, caracterizam-no de modo a explicitar questões
ocultas da própria formulação básica do DDC e das teorizações mainstream.
Neste sentido, este artigo oferece uma contribuição para a literatura geral
em torno do DDC, multiplicidade e das obras de Rosenberg e, em específico,
para sua parte preocupada em discutir sobre como se apropriar destas ideias a
partir de considerações sobre eurocentrismo e colonialidade nas RI (Blaney e
Inayatullah 2016; Blaney e Tickner 2017; Rutazibwa 2022; Shilliam 2009). Por
outro lado, o artigo colateralmente faz outra contribuição de igual importância:
apresenta as formulações de Rosenberg e parte dos debates em torno disso em
português para a academia brasileira de RI. Alguns textos que interagem com
esse referencial teórico já foram publicados no país (Armele 2025; Bittencourt e
Passos 2025; Lage 2020; 2022; Passos 2017; 2022; Santos 2024), porém nenhum
possui objetivo estrito de promover uma apresentação dessa literatura como
proposto aqui.
Tendo essas questões em vista, um exame crítico das obras de Rosenberg
será feito aqui em sentido panorâmico, traçando um certo percurso destas ideias
(Rosenberg 1992; 1996; 2006; 2013; 2016a; 2016b; 2017; 2020) e apresentando,
simultaneamente, diferentes críticas e apropriações já presentes na literatura.
A primeira seção apresenta as formulações básicas em torno do DDC, passando
por Trotsky (2017) antes de chegar em Rosenberg (2016a; b). Na segunda, é
partindo da diferenciação teórica entre as obras de um e de outro que se ressalta
a abertura deixada para diferentes apropriações; a partir disso, se percorre pelos
diferentes modos em que têm sido mobilizadas na literatura, ao fim focando
nas críticas que apontam para um eurocentrismo destas proposições (Blaney
e Tickner 2017; Blaney e Inayatullah 2016; Shilliam 2009; Tickner 2023). Na
terceira seção, apoiando-se nos raciocínios desenvolvidos, o artigo apresenta seu
argumento, indicando literaturas que podem ser aproximadas em consonância
com o caminho proposto, ou que já o trilham de forma semelhante (Shilliam
2009; Lage 2020; Antunes de Oliveira 2019; Marini 2022). Ao fim, comentários
conclusivos são apresentados.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
6-23
Entre o DDC, o internacional e a multiplicidade
Como apontado, o DDC é uma ideia que não surge de Rosenberg, mas sim de
Trotsky. Entre a teorização de um e outro, existem diferentes problematizações
e contextos. Assim, antes de seguir para as ponderações de Rosenberg, primeiro
interessa resgatar brevemente como tal ideia surgiu, para depois entender o que
hoje significa nas RI. Como será explorado na segunda seção, tais diferenças
guardam importância para a maneira como o DDC é apropriado e debatido
nesta área.
O DDC de Trotsky em meio à Revolução Russa
A ideia de DDC surge originalmente a partir de Trotsky (2017),8 no contexto
da luta revolucionária na Rússia do início do século XX. Em sua forma mais
elementar, contempla três apontamentos básicos sobre a realidade. Primeiro:
o mundo é desigual, isto é, composto por diversas sociedades com diferentes
características, sejam estas em relação a sua riqueza, cultura, política etc.; segundo:
estas sociedades vivem em combinação, pois interagem entre si, e; terceiro:
esta interação entre sociedades é um motor central para o desenvolvimento e a
mudança na história humana (Rosenberg 2016b).
Tal entendimento emergiu em meio a dificuldade de enxergar um caminho
de práxis revolucionária para a Rússia como o visto na obra que servia como
guia político à época: o Manifesto Comunista (Marx e Engels 2008). Enquanto o
Manifesto apontava para um rumo histórico em que o feudalismo seria superado
por meio de uma revolução industrial, com a burguesia chegando ao poder, e daí
o próprio desenvolvimento das forças produtivas ocasionaria o desenvolvimento
dos antagonismos de classe, desaguando na derrocada deste sistema e na ascensão
do socialismo (Rosenberg 2016b), a sociedade russa era muito diferente quando
comparada com esse percurso que, em larga medida, foi baseado na história
inglesa. O país do leste europeu não havia passado por uma revolução burguesa e
industrial, ou seja, nem a classe burguesa estava estabelecida, nem o proletariado,
muito menos a indústria, nos moldes vistos na Inglaterra. O que se via era
uma Rússia semifeudal, em que sua classe dominante ainda estava iniciando o
processo de industrialização (Rosenberg 2016b). Portanto, como proceder? Como
levar adiante uma revolução sem uma base para fazê-la?
8 Para mais contextualizações acerca das formulações de Trotsky sobre o DDC, ver Löwy (1998).
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
7-23
Esquivando-se desse dilema, Trotsky buscou analisar mais a fundo sua
realidade concreta, e foi assim que cristalizou seu entendimento acerca
dos movimentos de “desigualdade”, “combinação” e “desenvolvimento”. O
revolucionário percebeu que as diferenças encontradas entre a Inglaterra industrial
e a Rússia semifeudal estavam relacionadas; foi precisamente pelo fato de que
estavam em interação que suas diferenças se engendraram. A industrialização na
Europa ocidental no final do século XIX gerou uma grande onda de desigualdade
em relação aos outros Estados da região, visto que os países industrializados
se tornaram muito mais poderosos. Isso fez com que os demais países não
industrializados ou em vias de se industrializar sofressem o chamado “chicote
das necessidades externas”, impelindo a que reorientassem seus rumos a fim
de seguir a trilha do “desenvolvimento” já tecida pelos países industrializados
(Rosenberg 2016b; Trotsky 2017). Além desse chicote, uma outra consequência
dessa desigualdade é configurada: “o privilégio do atraso histórico”. Entende-se
que por já existirem sociedades mais “desenvolvidas”, que já passaram por um
certo caminho rumo ao “desenvolvimento”, isso possibilita que as sociedades mais
atrasadas” possam replicar o caminho das primeiras mais rápida e diretamente.
Desse modo, pulam etapas intermediárias neste processo, importando ganhos
materiais e ideológicos das mais “avançadas” (Rosenberg 2016b; Trotsky 2017).
Politicamente, tais entendimentos se traduziam na percepção de que o
desenrolar do capitalismo não aconteceria sempre da mesma forma em
determinadas sociedades, na verdade sendo desigual, e atendendo às especificidades
históricas e sociais delas. Como consequência, concluiu-se que um processo
revolucionário não precisaria passar necessariamente pelos mesmos estágios
postos por Marx e Engels (2008), nem da mesma maneira. Ao invés de um
resultado que emergiria de características exclusivamente internas de determinadas
sociedades, a revolução socialista seria um resultado (desenvolvimento) da
combinação entre diferentes (desiguais) pressões internas e externas dentre a
interação de múltiplas sociedades. Centralmente, percebia-se que a revolução
socialista não era eminente só na Inglaterra, como pensado na época; na verdade,
a própria Rússia feudal poderia realizá-la diante da importação de experiências
oriundas da interação com sociedades mais “avançadas” (Rosenberg 2021a).
O DDC, portanto, surge para Trotsky em meio a problemas de ordem política,
diante da dificuldade de buscar um horizonte revolucionário na Rússia a partir
de direcionamentos pré-estabelecidos e baseados em sociedades muito diferentes
da que vivia.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
8-23
O DDC de Rosenberg em meio aos problemas das RI
Contemporaneamente, Rosenberg resgata e expande essa formulação. Neste
contexto, os problemas que interage são de caráter teórico-metodológico e a
respeito do status da disciplina de RI em relação a outras dentre as ciências sociais
e humanas, sobretudo a Ciência Política. Respectivamente, estas inquietações
seriam: o “problema do internacional” (Rosenberg 2016b) e a “prisão da Ciência
Política” (Rosenberg 2016a).
Na obra mais introdutória acerca de suas ideias, Rosenberg (2016b) aponta
que o “problema do internacional” diz respeito a como diversas teorizações sobre
sociedades não conseguem captar a real importância do “internacional”. Isto
é, reconhecem a existência de um mundo composto por diferentes sociedades,
mas não se atém ao fato de que elas coexistem e interagem entre si, bem como
que essas relações se constituem ou mudam ao longo do tempo. Diante disso,
configura-se uma tendência analítica a um nacionalismo metodológico, um
“internalismo doméstico”, com foco em sociedades como unidades herméticas,
sem interrelações com outras (Rosenberg 2016b). Mas especificamente dentre
as RI, argumenta Rosenberg (2016b), uma outra tendência existiria: diante da
recusa em perpetuar tal nacionalismo metodológico, teorizações da área pensam
o internacional como uma entidade externa, descolada e oposta ao doméstico.
Com isso, inverte-se o problema do nacionalismo metodológico: enquanto desta
forma abordam-se as sociedades sem o internacional, nas RI a questão é que se
foca em uma estrutura do internacional, mas sem sociedades (Rosenberg 2016b).
Assim, configura-se um internalismo em relação ao “externo”, ou, em outras
palavras, um “internacionalismo metodológico” (Lage 2020).
Tais apontamentos ganham mais contornos em outro texto publicado no
mesmo ano (Rosenberg 2016a). É nesta obra que a teorização de Rosenberg está
mais demarcada junto das RI em termos explicitamente ontológicos. Questiona-se
o porquê das RI não terem grande influência teórica em outras áreas das ciências
sociais e humanas, considerando que a Economia, Geografia, História, por
exemplo, influenciam fortemente as RI. Esse problema se expressaria sobretudo
por como muitas ideias e conceitos oriundos de outras áreas são absorvidos pelas
RI, mas o contrário não acontece (Rosenberg 2016a). Diante disso, percebe que
essa fraca influência das RI se relaciona precisamente com o “internacionalismo
metodológico” aqui definido. É partindo daí que o “internacional”, objeto de estudo
das RI, é comumente entendido em termos ontológicos neste campo do saber:
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
9-23
poder político em sentido internacional, com uma ausência de poder centralizado
(Rosenberg 2016a). Acontece que essa seria uma ontologia “emprestada” da
Ciência Política — área à qual as RI estão estreitamente relacionadas de maneira
subordinada, ao menos nos circuitos mainstream — e projetada para um
âmbito “internacional”. Dessa forma, o internacional é definido negativamente
(ausência de poder superior) e não positivamente (a presença de algo ou alguma
característica), sendo mais uma ontologia do poder político internacional do que
uma ontologia do internacional de fato (Rosenberg 2016a). Como consequência
disso, as RI só conseguem interagir e contribuir com discussões de outras áreas
que estejam demarcadas nesse espaço externo, descolado do doméstico; ou seja,
de forma restrita. É essa situação que o autor denomina de “prisão da Ciência
Política”: as RI “pegam emprestado” a ontologia da Ciência Política, e por isso
não conseguem se especializar em algo “seu”, particular, nunca alcançando seu
pleno potencial. Estando numa prisão, conseguem receber visitas — neste caso,
teórico-conceituais —, mas nunca as retribuir. Segundo Rosenberg, uma saída
para isto seria (re)definir o internacional positivamente, como algo que de fato
existe “em si” e afeta a realidade para além do âmbito externo, descolado do
doméstico (Rosenberg 2016a). Dito de outro modo, a saída da prisão da Ciência
Política passa pela especialização das RI em uma definição do internacional
como algo que tenha uma importância e existência generalizada — impactando
a realidade de maneira totalizante — e não fragmentada.
Em ambos os casos, tais problemas são atrelados ao realismo de Kenneth
Waltz, considerando sua centralidade nas RI. É ele quem notoriamente vai atrelar
o internacional com a política internacional diante da ideia de cientificizar a
disciplina, demarcando-o como uma estrutura externa e anárquica de poder,
sendo parte do internacionalismo metodológico ressaltado (Waltz 1979). Segundo
Rosenberg, tal posicionamento ontológico foi reproduzido sistematicamente
dentre os esforços de teorização na área desde 1979, ano em que Waltz publicou
sua mais famosa obra (Rosenberg 2016a; Waltz 1979). Apesar de diversas
perspectivas teóricas terem proposto críticas a essa construção teórica — seja o
marxismo, feminismo, teoria queer, liberalismo ou construtivismo, por exemplo
—, nenhuma foi capaz de oferecer uma definição alternativa e positiva do que
seria o internacional, afirma Rosenberg (2016a).9
9 Percebe-se como esta teorização de Rosenberg se apoia numa crítica ao realismo, mais especificamente, a Waltz
(Rosenberg 2006; 2013; 2016a; 2017; 2020), questão que remonta à tese de doutorado do autor (Rosenberg
1992). É interessante notar que em outros momentos essa crítica é aliviada, quando afirma que o realismo
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
10-23
É frente a essas questões que Rosenberg resgata a ideia de DDC como uma
apreensão epistemológica capaz de contemplar o entendimento do internacional
baseado no fato de que as sociedades são múltiplas e interagem entre si (Rosenberg
2016b). Em outras palavras, é uma ideia capaz de iluminar um entendimento
ontológico alternativo para as RI, pautado na multiplicidade. Entende-se que este
é um movimento transhistórico; ou seja, a existência humana é caracterizada
por sua multiplicidade e constante interação desde seus primórdios (Rosenberg
2016b). Feita essa demarcação ontológica, o autor aponta para cinco consequências
da multiplicidade, que caracterizam o que ela implica para a história humana:
coexistência”, “diferença”, “interação”, “combinação” e “mudança dialética”.
Por coexistência, entende-se o ponto básico da multiplicidade: o fato de que
o mundo é composto por múltiplas sociedades que coexistem paralelamente
umas às outras (Rosenberg 2016a). Essa multiplicidade não é meramente
quantitativa, mas também qualitativa: existem diferenças entre as sociedades
quanto ao seu tamanho, história, cultura etc. (Rosenberg 2016a). Diante dessas
duas consequências, uma terceira é a interação: o fato de que as sociedades
interagem entre si. Esses movimentos são indeterminados, podendo gerar efeitos
“positivos” ou “negativos” (Rosenberg 2016a). Partindo disso, entende-se que
todas as sociedades vivem em combinação, pois nenhuma é capaz de ter uma
história singular, sem sofrer pressões e influências externas. A constituição
interna das sociedades, desse modo, é composta também pela multiplicidade
(Rosenberg 2016a). Assim, o internacional é entendido como algo que existe
também internamente às sociedades ao redor do mundo, afetando e moldando
as relações do cotidiano (Rosenberg 2016b).
10
Todas essas questões fazem com
que o desenrolar da história humana seja percebido de forma não linear; é
um processo dialético que contempla uma ampla gama de atores e agências
“internas” e “externas”, em que “trocas entre formações sociais geram novas
possibilidades e desdobramentos por meio de mecanismos que são intrínsecos
ao próprio fenômeno da interação” (Rosenberg 2016a, 13, traduzido).11
waltziano teria sido o único esforço de teorização nas RI capaz de perceber a importância do internacional,
e, portanto, da multiplicidade. De tal modo que o realismo seria a primeira grande meta-teoria existente na
área, e o DDC se pretenderia ser a segunda, a qual melhor apreende as consequências da multiplicidade
(Rosenberg 2017; 2020; 2021a; 2025).
10 Essa percepção se traduz também como um certo direcionamento metodológico de como enxergar uma
determinada realidade. Neste sentido, ver Rosenberg (2016b).
11 Do original “exchanges among social formations unlock new possibilities and departures through mechanisms
that are intrinsic to the phenomenon of interaction itself.”
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
11-23
Com isso, abre-se às RI uma fuga da prisão da Ciência Política, considerando
que assim uma conceitualização positiva e totalizante do que é o internacional
é contemplada. Portanto, enquanto a Ciência Política tem o poder político; a
Geografia, o espaço; a Sociologia, as relações sociais; as RI tem o internacional,
mas definido em termos de multiplicidade, como ontologia (Rosenberg 2016a).
O internacional é entendido como algo “em si”, influenciando as mais diversas
dinâmicas da realidade. Isso significa que as RI, partindo deste prisma, são
capazes de contribuir para outras disciplinas em estudos sobre objetos específicos
delas, e também, de informar acerca das determinações do internacional para as
dimensões de classe, gênero, raça, linguagem, ao invés de deter-se na discussão
da importância dessas questões para o internacional (Rosenberg 2016a).12
Para resumir, vê-se como a teorização de Rosenberg propõe uma alternativa
não internalista para o entendimento do internacional. O DDC é resgatado com
o propósito de romper com o internalismo em relação ao “externo”, presente na
tradição hegemônica da área de RI, aquilo que o autor chama de “problema do
internacional” (Rosenberg 2016b); o que, por consequência, também desvia de um
internalismo em relação ao “doméstico”, o nacionalismo metodológico, igualmente
presente nas RI mas também muito visto em outras áreas do conhecimento. Ao
mesmo tempo, tal ideia é mobilizada por sua compatibilidade teórica na apreensão
do giro ontológico proposto por Rosenberg às RI: o internacional definido em
termos de multiplicidade, e não como um espaço externo ao doméstico onde
Estados coexistem na ausência de uma autoridade central. Desse modo, chega-se
a uma definição do internacional pautada por múltiplas determinações históricas,
agências e combinações que afetam a humanidade como um todo.
As diferentes apropriações e vertigens
Cumpre dar um passo lateral para apontar diferenças entre a noção de DDC
mobilizada por Trotsky e a de Rosenberg. Eis uma questão importante, visto que
tal diferença abre espaço para que a reformulação rosenbergiana do DDC ganhe
notoriedade nas RI e seja passível de apropriações diversas por outros autores.
Nesta seção, ao passo em que isso é esclarecido, traça-se um fio histórico das
12 Para engajamentos e problematizações acerca dessa demarcação “disciplinar” de Rosenberg acerca das RI,
ver o fórum organizado por Booth e Kurki (2017) e Rosenberg et al. (2022), assim como os artigos de Corry
(2022) e Kurki (2020).
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
12-23
obras de Rosenberg bem como as diferentes maneiras em que autores dialogaram
e criticaram-nas; ao fim, foca-se nas críticas de eurocentrismo endereçadas ao
DDC. Com este esclarecimento sobre a abertura nesta teorização e estas críticas
do eurocentrismo apresentadas, é possível levar adiante a argumentação do texto
na seção seguinte, a qual dialoga com ambas as questões.
A abertura teórica
Pode-se dizer que, na forma como é resgatada por Rosenberg, há uma certa
esterilização da ideia de DDC de Trotsky. Por um lado, o desacoplamento da
ideia original de DDC em relação ao marxismo faz com que essa formulação
seja desmembrada de um ancoramento teórico amplo, perdendo por exemplo a
capacidade de explicitar hierarquias no capitalismo (Vieira 2025), bem como sua
perspectiva revolucionária. Por outro, promove a própria abertura para outras
conexões teóricas ao conservar o sentido original desta formulação — que postula
que o desenrolar da história humana ocorre de modo não linear e pautado por
movimentos de interação entre sociedades — e elevá-la para o status de uma
abstração geral (Callinicos e Rosenberg 2008; Rosenberg 2017; 2020; 2021a), abertura
essa que ocasiona o próprio “sucesso” de sua empreitada na literatura de RI
(Rosenberg 2020). Dito de outro modo, retira-se o esqueleto (o DDC) de um corpo
teórico em que estava atrelado (o marxismo, neste caso, o marxismo-trotskismo),
transformando-o e fazendo com que seja capaz de habitar outros corpos teóricos.
Tendo isso em vista, a formulação rosenbergiana do DDC não pretende se
inscrever nas RI como uma “teoria”, assemelhando-se ao realismo, liberalismo,
etc. (Rosenberg 2020; Callinicos e Rosenberg 2008). Na verdade, ele é um ponto de
partida para teorizações — conferindo-as uma reorientação para que sejam capazes
de contemplar a multiplicidade, um sentido não internalista do internacional
— e não, por exemplo, um corpo teórico fechado e hermético, “pronto”. Nestes
termos, o DDC é melhor entendido enquanto uma meta-teoria (Rosenberg 2020).
E diante do fato de que em seus termos mais básicos a formulação do DDC diz
muito e pouco ao mesmo tempo — muito, pois apreende toda a história humana;
pouco, pois, utilizada nestes termos, não é capaz de gerar entendimentos mais
específicos ou uma caracterização mais profunda do que se pretende analisar
(Antunes de Oliveira 2019; Callinicos e Rosenberg 2008) —, aponta-se que seu
uso passa justamente pela aproximação de teorias e percepções já existentes
com essa formulação (Callinicos; Rosenberg 2008).
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
13-23
Histórico e debates
Todo esse esforço de Rosenberg tem uma longa história de maturação. Seus
primeiros passos neste percurso aparecem em uma palestra transformada em artigo
(Rosenberg 1996), onde o autor propõe a ideia de DDC como capaz de apreender
uma caracterização positiva para o objeto de estudo das RI, em contraposição
com, por exemplo, a teoria da balança de poder (sic). Nos anos 2000, de modo
semelhante, o DDC é resgatado em debates sobre a sociologia histórica dentre as
RI (Rosenberg 2006), como um meio de — em resumo — resolver os problemas
que a primeira seção tratou como o “problema do internacional” (Rosenberg
2016b).
Mas é apenas ao final dessa década que surgem alguns engajamentos críticos
importantes de outros autores com essa ideia. Num primeiro momento, destaca-
se a troca de cartas entre Callinicos e Rosenberg (2008) que foi publicada em
periódico. Tal conversa gira em torno de: 1) debater sobre o status teórico-
metodológico da proposição do DDC, pensando em como balancear seu alcance
de abstração geral como um potencial e não uma armadilha; e 2) discutir a relação
das proposições do ponto (1) com o realismo e suas consequências teórico-
metodológicas para as RI, diante do seu estatuto na área, tensionando a separação
dos níveis “geopolíticos” e “societais” de análise (em outras palavras, o que a
primeira seção respectivamente demarcou como internacionalismo e nacionalismo
metodológicos). Posteriormente — e interagindo com esta troca de cartas —,
autores como Allinson e Anievas (2009) e Shilliam (2009) promoveram mais
tensionamentos para a obra de Rosenberg. Enquanto os primeiros problematizam
o status de abstração geral do DDC e argumentam que os movimentos da realidade
que captura só ganham maior corpo quando situados no capitalismo (Allinson
e Anievas 2009), o segundo busca se distanciar de uma história intraeuropeia
ao focar nas mudanças socialmente qualitativas oriundas da desigualdade e
combinação na história humana em geral, argumentando que, para isso, o
vetor essencial de DDC a ser estudado dentre a modernidade seria o “Atlântico”
(Shilliam 2009).
Os anos 2010 em diante, por sua vez, parecem marcar o início de uma
maior maturidade dessa empreitada teórica. É a partir dessa década em que
as formulações de Rosenberg se apresentam de maneira mais condensadas,
sobretudo dentro da área de RI, com a proposição ontológica da multiplicidade
dentre o debate da “prisão da Ciência Política” (Rosenberg 2016a). Diante
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
14-23
desse cenário, também surgiram diversas apropriações das ideias de DDC e
da multiplicidade. Algumas obras buscam mobilizar o DDC para análises ditas
empíricas, se valendo de aproximações teóricas variadas. Anievas e Nişancıoğlu
(2015) propõem a traçar uma história não eurocêntrica e intersocietal do
capitalismo partindo do DDC, em que, para isso, se baseiam majoritariamente
em literaturas não-ocidentais. Antunes de Oliveira (2024), por sua vez, analisa
os percursos econômico-políticos de Brasil e Argentina nos últimos trinta anos
sob o prisma de uma conjugação do DDC com a Teoria Marxista da Dependência,
criticando as narrativas neoliberais e neodesenvolvimentistas em ambos os
países. Já Christie e Degirmencioglu (2019) organizam um livro focado em
articulações do DDC com estudos literários e culturais. Por outro lado, emergiu
uma literatura que se preocupa com a própria multiplicidade, em tentar entendê-
la e cultivá-la de diferentes formas, sem interações com a ideia de DDC. Assim,
é uma literatura que se preocupa com a proposição ontológica existente nas
formulações de Rosenberg (a multiplicidade) e suas implicações para as RI
e demais áreas do conhecimento, e não com a proposição epistemológica
(o DDC) (Kurki 2020; Kurki e Rosenberg 2020; Rosenberg e Tallis 2022;
Rosenberg et al. 2023).
Outras obras, por sua vez, se atêm em debates teórico-conceituais acerca da
noção de DDC. Por exemplo, Rosenberg et al. (2022) é um fórum de discussão
em que autores — tanto de fora quanto de “dentro” das RI — debatem sobre
o DDC e sua pertinência para a área de RI. Dentre essas discussões, há autores
que rejeitam a ideia de DDC, apontando para outras formas — ou apenas para
a necessidade de se pensar em outras formas — que seriam mais capazes de
caracterizar a multiplicidade. Ou seja, conservam a proposição da multiplicidade
(a ontologia), que é (ou deve ser) apreendida de modo distinto por outras
formulações epistemológicas que não o DDC.
A crítica do eurocentrismo
Neste último espaço estão Tickner (2023), Blaney e Inayatullah (2016),
Blaney e Tickner (2016), e Shilliam (2009), mesmo que não identicamente.13
Estas obras endereçam ao DDC uma crítica por esta ideia conter um caráter
13 Vale conferir textos em que Rosenberg apresenta balanços críticos sobre diferentes engajamentos acerca do
DDC e respostas a críticas — incluindo a crítica sobre eurocentrismo (Rosenberg 2009; 2010; 2017; 2020;
2021a) —, assim como os fóruns de discussão de suas ideias, compostos de autores de variados backgrounds
(Rosenberg 2021b; Rosenberg et al. 2022; 2023).
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
15-23
eurocêntrico. Segundo tais autores, a formulação do DDC, apesar de conseguir
fazer as RI saírem da prisão da Ciência Política, ainda a deixaria situada numa
estrutura moderna e colonial (Blaney e Tickner 2017). Esse aprisionamento
se manifestaria, por exemplo, levando em conta como o DDC contém uma
noção de “desenvolvimento” (Blaney e Inayatullah 2016; Blaney e Tickner
2017). Neste sentido, entende-se que por falar em “desenvolvimento”, leituras
pautadas pela noção de DDC contemplariam noções de “atraso”, “avanço”,
ou seja, desenvolvimento como progresso civilizatório, modernização. Isso
também implicaria no reconhecimento de apenas um universo único e moderno,
pautado pelo paradigma do desenvolvimento, ocultando e excluindo outros
universos e cosmologias, e, portanto, a possibilidade de entender o mundo sob
o prisma de um pluriverso (Blaney e Inayatullah 2016; Blaney e Tickner 2017;
Tickner 2023).14
Tendo isso em vista, aponta-se para a necessidade de entendimentos do
DDC abordarem experiências fora do eixo eurocêntrico, moderno, ocidental
(Blaney e Inayatullah 2016; Shilliam 2009). Fundamentalmente, nessas leituras
defende-se a necessidade de uma perspectiva que seja capaz de reconhecer
não apenas de forma descritiva os movimentos de interação, desigualdade e
combinação da história humana pré-moderna, moderna ou no capitalismo em
termos materiais, mas principalmente o resultado histórico qualitativo destes
movimentos e suas implicações para a humanidade. Isto é, uma perspectiva que
abarque o modo como a história humana é pautada em encontros de culturas
que tinham potencial construtivo, positivo (por assim dizer), mas que em
larga medida resultaram em processos de dominação, extermínio e exclusão
(Blaney e Inayatullah 2016). É nesse contexto que Tickner (2023) interage com a
multiplicidade, mas não a partir do DDC, bem como Shilliam (2009). Dentro do
que se propõem, enquanto a primeira sugere a noção de “pluriverso”, o segundo
aponta para a “creolização” como a gramática adequada para se entender o DDC
na modernidade.
14 Rosenberg (2017) responde essas críticas apontando que o chama de “desenvolvimento” é simplesmente o
resultado dos movimentos de “desigualdade” e “combinação”, indicando apenas uma mudança, sucessão.
Antunes de Oliveira (2019) ecoa essas afirmações, depois também tentando pensar um sentido não-etapista/
moderno/eurocêntrico para o “desenvolvimento” em outras ocasiões (Antunes de Oliveira 2020; 2024). Vieira
(2025), por outro lado, oferece uma visão que contrapõe ambos.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
16-23
Apropriação periférica do não internalismo: levando adiante
o potencial crítico do DDC
Tais intervenções apontam para problemas importantes na teorização de
Rosenberg, principalmente na maneira em como o DDC, como definido pelo
autor, não é capaz de caracterizar o internacional para além de dizer que ele é
múltiplo, esquecendo dimensões incontornáveis para se entender a realidade.
Porém, é possível, ao mesmo tempo, aliviá-las e propor um caminho crítico não
explícito na teorização rosenbergiana do DDC. Neste sentido, cabe resgatar as
pontuações feitas sobre o potencial da sua crítica ao internalismo, bem como
sobre a abertura teórica existente nestas formulações.
Entende-se aqui que o DDC não é necessariamente eurocêntrico e colonial.
Ao contrário, seu drible em relação ao internalismo é um passo que rompe
com o próprio estabelecimento da experiência europeia como universal, e por
consequência o silenciamento de seu sustentamento histórico colonial (Matin
2022; Rutazibwa 2022). Por outro lado, compreende-se que ao mesmo tempo que
o sentido “básico” do DDC — oriundo da reformulação do conceito de Trotsky
feita por Rosenberg — faz com que sofra críticas sobre eurocentrismo, esse mesmo
sentido permite que literaturas periféricas sejam aproximadas à esta formulação.
Com isso, abre-se espaço para caracterizações do internacional que explicitam
um complexo de desigualdades criadas e perpetuadas dentre a multiplicidade
no tempo moderno, geradas precisamente através dos processos em que os
silenciamentos de vozes marginais sobre o internacional estão inclusos. Isso
possibilita não só descentrar entendimentos do internacional de uma história
intraeuropeia, mas também explorar e explicitar agências silenciadas e oprimidas.
Dessa forma, o DDC é aqui tomado tanto como alvo de crítica quanto como
um meio de traçar novas ideias. Ao promover esse diálogo com perspectivas
periféricas, trazem-se à tona problemáticas não explicitadas em sua forma
básica — ultrapassando os limites expostos pelas críticas sobre eurocentrismo
e colonialidade — e leva-se adiante a abertura crítica oferecida pelo seu ponto
de partida não internalista. Seguindo esse caminho, é possível fazer com que
as proposições do DDC, na captura da multiplicidade, resgatem as RI não só
da “prisão da Ciência Política” (Rosenberg 2016a), mas também da “prisão
da modernidade colonial” em que estão situadas junto de demais áreas do
conhecimento (Blaney e Tickner 2017).
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
17-23
Por outro lado, esse diálogo proposto é interessante para perspectivas
periféricas já estabelecidas, visto que, com isso, são conectadas com um
esforço de teorização mais amplo (e, claro, não internalista). Dessa maneira,
é feito um desvio de uma tendência presente dentre leituras nesse âmbito de
fecharem-se para abordagens de larga abrangência, universais — considerando
que se põem contra a universalização da experiência europeia, uma forma
particular desse movimento —, assim engendrando novos internalismos ou
essencialismos (Matin 2012).
Indicações de como fazer essas aproximações já existem. Talvez o exemplo
mais famoso dentre essa literatura seja o já mencionado Shilliam (2009). Partindo
de diversas leituras em torno da escravidão transatlântica, busca ressaltar
como o “vetor Atlântico” — isto é, o tráfico transatlântico de escravizados, a
escravização no “Novo Mundo” e a “creolização” — foi um processo profundamente
transformativo, que promoveu a criação de subjetividades no novo mundo
marcadas por uma creolité; identidades nativas, gestadas em profunda articulação
com as do velho mundo, mas sem se confundir com estas (Shilliam 2009).
Outra indicação reside em Lage (2020). Conversando com apropriações
literárias sobre o DDC, o autor busca ir além de possibilidades que Rosenberg
(2016b) encontra em estudos neste âmbito. Enquanto este último aponta para a
crítica literária de Roberto Schwarz como um caminho possível de mobilização
do DDC para estudos de história das ideias e produção artística/cultural, o
primeiro ressalta que certas obras também podem ser mobilizadas para críticas
da modernidade. Desse modo, interage com as chamadas “Interpretações do
Brasil”, apontando como estas permitem traçar um fio crítico do descompasso
da modernidade periférica brasileira para a modernidade em geral, informando
sobre um complexo de discriminações, desigualdades, combinações e mutações
que residem no internacional dentre a modernidade, resvalando na própria
história dos continentes europeu e africano. Ou seja, uma apropriação do DDC
que busca explorar “particulares” fissuras periféricas, a fim de problematizar
dinâmica mais “gerais” do internacional em sua multiplicidade.
Por fim, aponta-se aqui para uma aproximação do DDC com a Teoria Marxista
da Dependência, sentido esse que já encontra respaldo nessa literatura (Antunes de
Oliveira 2019; 2024). Esta é uma perspectiva que ressalta como — pelo impacto do
capitalismo, imperialismo e colonialismo na estruturação do internacional dentre
a modernidade — os países periféricos experienciam a interação de sociedades
de forma distinta, oferecendo uma teorização capaz de reconhecer sensibilidades
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
18-23
não ocidentais e do Sul Global (Tickner 2023). Entende-se que as sociedades
latinoamericanas são dependentes, isto é, combinam-se de modo profundamente
contraditório com o centro imperialista, movendo (“desenvolvendo”) o próprio
capitalismo global, mas infligindo determinações negativas aos países dependentes.
O aparente “atraso” da periferia (vulgarmente chamado de subdesenvolvimento)
é um resultado dessa relação de subordinação, exercida pelo centro imperialista.
A partir desse prisma, promove-se um melhor entendimento das consequências
da multiplicidade no capitalismo, sobretudo por abarcar formulações teóricas em
níveis de alcance mais imediatos (Antunes de Oliveira 2019), como as categorias
de transferência de valor e superexploração da força de trabalho (Marini 2022).
Elas deixam em maior evidência o que se apreende também com o DDC na mesma
situação (e conforme lembrado a partir de Lage [2020]): como desigualdades
“internas” de certas sociedades na verdade estão conectadas com a própria
sustentação do sistema capitalista como o é.
Considerações finais
A reconstrução das ideias de Rosenberg e as variadas considerações propostas
ao longo do texto ajudam a tensionar as formulações do autor, a fim de não
promover uma aceitação acrítica delas no campo das RI e na subárea de TRI,
assim como melhor examinar seu alcance e potencial crítico dentre o que
inicialmente pretendem. Como mencionado, estes são debates que ainda têm
sido pouco explorados na academia brasileira, e este texto se propôs a dar um
passo introdutório na expansão dessas discussões no país.
De maneira central, viu-se que o “problema do internacional” e a “prisão
da Ciência Política” apontados por Rosenberg, longe de serem meros problemas
metodológicos ou disciplinares, vistos de outro modo, leva a reflexões sobre
a constituição das RI como área do conhecimento e os espaços políticos e
simbólicos que produz e legitima no mundo moderno, bem como as desigualdades
e opressões aí situadas. Diante disso, este artigo buscou argumentar a favor de
uma apropriação periférica do fio não internalista do DDC, utilizando-se de sua
abertura teórica, propondo mobilizá-lo com perspectivas capazes de caracterizar
o internacional revelando precisamente questões ocultadas em seu caráter mais
básico. Ou seja, entende-se que não é necessário rejeitar o internacional como
conceito (cf: Tickner 2023), mas imaginá-lo de maneiras críticas, subversivas,
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
19-23
pautado por mundos outros (Santos Filho 2019). Ênfase no plural: o ponto reside
em trazer diversas narrativas que cristalizem um mosaico alternativo do que seria
o internacional, e não em suplantar um novo entendimento único como o atual,
moderno. O DDC, por outro lado, oferece a essas perspectivas uma articulação
com o internacional que não é internalista, ao passo em que as delineia um
mínimo direcionamento metodológico (Matin 2012). Sendo este um esforço em
construção, buscou-se apontar para alguns caminhos já existentes na literatura
que contemplam tal proposta sugerida.
Referências
Allinson, Jamie C, e Alexander Anievas. 2009. “The uses and misuses of uneven and
combined development: an anatomy of a concept”. Cambridge Review of International
Affairs 22 (1): 47–67. https://doi.org/10.1080/09557570802680132.
Anievas, Alexander, e Kerem Nişancıoğlu. 2015. How the West Came to Rule: The
Geopolitical Origins of Capitalism. Pluto Press.
Antunes de Oliveira, Felipe. 2019. “The Rise of the Latin American Far-Right Explained:
Dependency Theory Meets Uneven and Combined Development”. Globalizations
16 (7): 1145–1164. https://doi.org/10.1080/14747731.2019.1567977.
Antunes de Oliveira, Felipe. 2020. “Development for Whom? Beyond the Developed/
Underdeveloped Dichotomy”. Journal of International Relations and Development
23 (4): 924–946. https://doi.org/10.1057/s41268-019-00173-9.
Antunes de Oliveira, Felipe. 2024. Dependency and Crisis in Brazil and Argentina: A
Critique of Market and State Utopias. Pitt Latin American Series. University of
Pittsburgh Press.
Armele, Vinícius. 2025. Ontocídio: “Por uma Radicalização Ôntica da Crítica Decolonial
nas Relações Internacionais”. Carta Internacional 20 (3): e1556. https://doi.
org/10.21530/ci.v20n3.2025.1556.
Bittencourt, Paulo, e Rodrigo Duarte Fernandes dos Passos. 2025. “Gramscian and
Trotskist alternatives to Waltz’s International Relations”. Tensões Mundiais 21
(46–47): 77–97. https://doi.org/10.33956/tensoesmundiais.v21i46e47.15271.
Blaney, David L., e Naeem Inayatullah. 2016. “The Stakes of Uneven and Combined
Development”. Em Historical Sociology and World History: Uneven and Combined
Development over the Longue Durée, organizado por Alexander Anievas e Kamran
Matin. Rowman & Littlefield International.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
20-23
Blaney, David L., e Arlene B. Tickner. 2017. “International Relations in the Prison
of Colonial Modernity”. International Relations 31 (1): 71–75. https://doi.
org/10.1177/0047117817691349.
Booth, Ken, e Milja Kurki. 2017. “Editors’ Introduction: Rethinking International
Relations — Again”. International Relations 31 (1): 68–70. https://doi.
org/10.1177/0047117817690568.
Callinicos, Alex, e Justin Rosenberg. 2008. “Uneven and combined development:
the social-relational substratum of ‘the international’? An exchange of
letters”. Cambridge Review of International Affairs 21 (1): 77–112. https://doi.
org/10.1080/09557570701828600.
Christie, James, e Nesrin Degirmencioglu, orgs. 2019. Cultures of Uneven and Combined
Development: From International Relations to World Literature. Brill.
Corry, Olaf. 2022. “What’s the Point of Being a Discipline? Four Disciplinary Strategies
and the Future of International Relations”. Cooperation and Conflict 57 (3): 290–310.
https://doi.org/10.1177/00108367221098492.
Krishna, Sankaran. 2018. “The relevance of postcolonialism for IR”. Em Race, Gender, and
Culture in International Relations: Postcolonial Perspectives, organizado por Randolph
B. Persaud e Alina Sajed. Routledge. https://doi.org/10.4324/9781315227542.
Kurki, Milja. 2020. “Multiplicity Expanded: IR Theories, Multiplicity, and the Potential
of Trans-Disciplinary Dialogue”. Globalizations 17 (3): 560–575. https://doi.org/1
0.1080/14747731.2019.1670532.
Kurki, Milja, e Justin Rosenberg. 2020. “Multiplicity: a new common ground for
international theory?” Globalizations 17 (3): 397–403. https://doi.org/10.1080/14
747731.2020.1717771.
Lage, Victor Coutinho. 2020. “Desigual e combinado: As ‘Interpretações do Brasil’
diante do complexo prisional das ‘Teorias de Relações Internacionais’”. Em Relações
Internacionais para um mundo em mutação: Policentrismo e diálogo transdisciplinas,
organizado por Luciano da Rosa Muñoz e Raphael Spode. Appris Editora.
Lage, Victor Coutinho. 2022. “Interpretações do Brasil, ‘formação’ e ‘desenvolvimento
desigual e combinado’”. Em Política externa e desenvolvimento no Sul geopolítico,
organizado por Carlos R. S. Milani e Elsa Sousa Kraychete. Edufba.
Löwy, Michael. 1998. “A teoria do desenvolvimento desigual e combinado”. outubro
1: 73–80.
Marini, Ruy Mauro. 2022. “Dialética da dependência”. Em Ruy Mauro Marini: dialética
da dependência e outros escritos, 2a ed., organizado por Roberta Traspadini e João
Pedro Stedile. Expressão Popular.
Marx, Karl, e Friedrich Engels. 2008. Manifesto do partido comunista. Expressão Popular.
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
21-23
Matin, Kamran. 2012. “Redeeming the Universal: Postcolonialism and the Inner Life
of Eurocentrism”. European Journal of International Relations 19 (2): 353–377.
https://doi.org/10.1177/1354066111425263.
Matin, Kamran. 2022. “Is ‘Uneven and Combined Development’ White?” Millennium.
50 (2): 316–320.
Passos, Rodrigo Duarte Fernandes Dos. 2017. “MULHERES E GÊNERO NAS RELAÇÕES
INTERNACIONAIS: PARA ALÉM DAS ‘PRISÕES COTIDIANAS’ E EPISTEMOLÓGICAS”.
Revista do Instituto de Políticas Públicas de Marília 3 (1): 47–64. https://doi.
org/10.33027/2447-780X.2017.v3.n1.05.p47.
Passos, Rodrigo Duarte Fernandes Dos. 2022. “Notas sobre Gênero, Desenvolvimento
Desigual e Combinado e Teoria das Relações Internacionais”. Em Direitos Humanos,
gênero, cidadania e educação, organizado por Tânia Suely Antonelli Marcelino
Brabo. Oficina Universitária; Cultura Acadêmica. https://doi.org/10.36311/2022.978-
65-5954-279-6.p243-266.
Rosenberg, Justin. 1992. “Social Structures and Geopolitical Systems: A Critique of the
Realist Theory of International Relations”. Tese de Doutorado, London School of
Economics and Political Science, London University.
Rosenberg, Justin. 1996. “Isaac Deutscher and the Lost History of International Relations”.
New Left Review, no I/215: 3–15.
Rosenberg, Justin. 2006. “Why Is There No International Historical Sociology?”
European Journal of International Relations 12 (3): 307–340. https://doi.
org/10.1177/1354066106067345.
Rosenberg, Justin. 2009. “Basic problems in the theory of uneven and combined
development: a reply to the CRIA forum”. Cambridge Review of International Affairs
22 (1): 107–110. https://doi.org/10.1080/09557570802692392.
Rosenberg, Justin. 2010. “Basic problems in the theory of uneven and combined
development. Part II: unevenness and political multiplicity”. Cambridge Review of
International Affairs 23 (1): 165–189. https://doi.org/10.1080/09557570903524270.
Rosenberg, Justin. 2013. “The ‘Philosophical Premises’ of Uneven and Combined
Development”. Review of International Studies 39 (3): 569–597. https://doi.
org/10.1017/S0260210512000381.
Rosenberg, Justin. 2016a. “International Relations in the Prison of Political Science”.
International Relations 30 (2): 127–153. https://doi.org/10.1177/0047117816644662.
Rosenberg, Justin. 2016b. “Uneven and Combined Development: ‘The International’
in Theory and History”. Em Historical Sociology and World History: Uneven and
Combined Development over the Longue Durée, organizado por Alexander Anievas
e Kamran Matin. Rowman & Littlefield International.
Desenvolvimento Desigual e Combinado e a crítica do internalismo nas Relações Internacionais [...]
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
22-23
Rosenberg, Justin. 2017. “The Elusive International”. International Relations 31 (1):
90–103. https://doi.org/10.1177/0047117817691353.
Rosenberg, Justin. 2020. “Uneven and combined development: a defense of the general
abstraction”. Cambridge Review of International Affairs 35 (3): 267–290. https://
doi.org/10.1080/09557571.2020.1835824.
Rosenberg, Justin. 2021a. “Results and prospects: an introduction to the CRIA special
issue on UCD”. Cambridge Review of International Affairs 34 (2): 146–163. https://
doi.org/10.1080/09557571.2021.1890694.
Rosenberg, Justin. 2021b. “UCD and IPE: an introduction to the forum”. Cambridge
Review of International Affairs 34 (2): 316–317. https://doi.org/10.1080/0955757
1.2021.1894037.
Rosenberg, Justin. 2025. “Multiplicity”. Em Elgar Encyclopedia of International Relations,
organizado por Beate Jahn e Sebastian Schindler. Edward Elgar Publishing.
Rosenberg, Justin, e Benjamin Tallis. 2022. “Introduction: The International of
Everything”. Cooperation and Conflict 57 (3): 250–267. https://doi.
org/10.1177/00108367221098490.
Rosenberg, Justin, Ole Wæver, Viacheslav Morozov, et al. 2023. “Multiplicity and ‘The
International’ as Critique—A Forum”. Millennium 52 (2): 499–529. https://doi.
org/10.1177/03058298231205236.
Rosenberg, Justin, Ayşe Zarakol, David Blagden, et al. 2022. “Debating Uneven and
Combined Development/Debating International Relations: A Forum”. Millennium
50 (2): 291–327. https://doi.org/10.1177/03058298211064346.
Rutazibwa, Olivia. U. 2022. “Engaging Uneven and Combined Development in
Anticolonial Epistemic blackness”. Millennium. 50 (2): 304–308.
Sabaratnam, Meera. 2020. “Is IR Theory White? Racialised Subject-Positioning
in Three Canonical Texts”. Millennium 49 (1): 3–31. https://doi.
org/10.1177/0305829820971687.
Santos Filho, Onofre dos. 2019. “Ultra Aequinoxialem Non Peccari: anarquia, estado
de natureza e a construção da ordem político-espacial”. Monções: Revista de
Relações Internacionais da UFGD 8 (15): 486–518. https://doi.org/10.30612/rmufgd.
v8i15.11553.
Santos, Tiago Matos dos. 2024. “The Global Competition, Uneven and Combined
Development, and Regulatory Reforms: A Critical Analysis of the World Bank’s
Doing Business Ranking”. Mural Internacional 15 (dezembro): e86378–e86378.
https://doi.org/10.12957/rmi.2024.86378.
Shilliam, Robbie. 2009. “The Atlantic as a vector of uneven and combined
development”. Cambridge Review of International Affairs 22 (1): 69–88. https://
doi.org/10.1080/09557570802683904.
Francisco Luiz de Andrade Neto
Rev. Carta Inter., Belo Horizonte, v. 21, n. 1, e1636, 2026
23-23
Silva, Karine de Souza. 2021. “‘Esse silêncio todo me atordoa’: a surdez e a cegueira
seletivas para as dinâmicas raciais nas Relações Internacionais”. Revista de Informação
Legislativa 58 (229): 37–55.
Tickner, Arlene. B. 2023. “Decolonizing the ‘International’”. Millenium 52 (2): 522–525.
Trotsky, Leon. 2017. A história da Revolução Russa: a queda do tzarismo. Vol. 1. Senado
Federal.
Uneven and Combined Development. 2025. “News and updates”. https://
unevencombined.wordpress.com/.
Vieira, Marco. 2025. “Uneven and Combined Desires: A Psychological Rethinking of
Societal Multiplicity in World Politics”. Cooperation and Conflict, advance online
publication, fevereiro 14. https://doi.org/10.1177/00108367251316463.
Waltz, Kenneth. 1979. Theory of International Politics. Addisson-Wesley.