As três tendências da guerra cibernética: novo domínio, arma combinada e arma estratégica

  • Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior Universidade Federal da Paraíba/ Departamento de Relações Internacionais/ Programa de Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais
  • Gills Vilar Lopes Professor Adjunto de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da UNIR.
  • Marco Túlio Delgobbo Freitas Professor do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG).
Palavras-chave: Guerra Cibernética, Domínio de Operações, Arma Combinada, Arma Estratégica, Segurança Internacional

Resumo

O presente trabalho analisa como a guerra cibernética impacta a conduta da guerra hodierna. Partindo da teoria da guerra de Clausewitz e dos debates sobre revolução dos assuntos militares e poder aéreo, postulam-se três tendências com distintos níveis de modificação das formas de beligerância advindos do ciberespaço. A primeira delas se refere à criação de um novo domínio, o cibernético. A segunda vislumbra a incorporação do ciberespaço à guerra enquanto arma combinada, ou seja, incorporando-a aos instrumentos de força convencionais para a produção de efeitos cinéticos. A terceira tendência estipula o uso da guerra cibernética como uma arma estratégica, em moldes pareios aos da estratégia de dissuasão nuclear. Em termos metodológicos, a pesquisa se baseia, em primeiro plano, na revisão bibliográfica da literatura de segurança internacional e guerra cibernética e, secundariamente, na análise histórica dos seguintes acontecimentos recentes: Rússia-Estônia (2007), Rússia-Geórgia (2008), Stuxnet (2010) e Rússia-Ucrânia (2014). Objetiva-se assim construir um quadro de análise para melhor compreender como o fenômeno da guerra cibernética afeta a conduta da guerra do século XXI.

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Biografia do Autor

Augusto Wagner Menezes Teixeira Júnior, Universidade Federal da Paraíba/ Departamento de Relações Internacionais/ Programa de Pós-graduação em Ciência Política e Relações Internacionais
Doutor em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Área de Concentração de Relações Internacionais e na Linha de Pesquisa de Política Internacional Comparada. Mestre em Ciência Política e Bacharel em Ciências Sociais pela mesma instituição. Atualmente é professor Adjunto II do Departamento de Relações Internacionais da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política e Relações Internacionais (PPGCPRI/UFPB). Líder do Grupo de Pesquisa em Estudos Estratégicos e Segurança Internacional (GEESI/UFPB /CNPq). Membro da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (diretor financeiro, gestão 2014 - 2016). Palestrou em Cursos de Extensão e Congressos Acadêmicos do Ministério da Defesa (Brasil). Pesquisa na área de concentração de Relações Internacionais, atuando principalmente nos seguintes temas: Defesa e Segurança Internacional, América do Sul e Métodos Qualitativos Aplicados às Relações Internacionais. Conta com artigos publicados em periódicos e comunicações em anais de congressos e periódicos sobre os temas acima citados.
Gills Vilar Lopes, Professor Adjunto de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da UNIR.
Professor Adjunto de Ciência Política do Departamento de Ciências Sociais da UNIR. Specialized Course em Cybersecurity: Issues in National and International Security pela National Defense University (NDU). Pesquisador do GEESI/CNPq/UFPB.
Marco Túlio Delgobbo Freitas, Professor do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG).
Professor do Instituto Nacional de Pós-Graduação (INPG). Pesquisador do Instituto Brasileiro de Estudos em Defesa Pandiá Calógeras (IBED) do Ministério da Defesa e do GEESI/CNPq/UFPB.

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Publicado
30-12-2017
Como Citar
Teixeira Júnior, A. W. M., Lopes, G. V., & Freitas, M. T. D. (2017). As três tendências da guerra cibernética: novo domínio, arma combinada e arma estratégica. Carta Internacional, 12(3), 30 - 53. https://doi.org/10.21530/ci.v12n3.2017.620
Seção
Artigos