Rankings internacionais de sustentabilidade
reflexões sobre os limites da Agenda 2030 como métrica de impacto social da produção acadêmica das universidades
DOI:
https://doi.org/10.21530/ci.v21n2.2026.1619Palavras-chave:
Sustentabilidade, Universidades, ODS, Rankings, Agenda 2030, Desigualdade RacialResumo
Os rankings internacionais de sustentabilidade têm se consolidado como instrumentos de avaliação do impacto social das universidades, tendo como referência estruturante os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Partindo da pergunta sobre como a adoção dessa métrica pelos rankings afeta a produção acadêmica universitária, este artigo argumenta que tais rankings tendem a gerar invisibilidades sistemáticas nesse campo. Para demonstrar esse argumento empiricamente, realizamos um mapeamento bibliométrico das dissertações e teses da PUC-SP entre 2017 e 2021, aplicando e testando a metodologia de classificação da plataforma SciVal/Elsevier e construindo strings complementares para o ODS 17 e para o tema da desigualdade racial. Os resultados mostram que 78% dos 4.956 trabalhos analisados não foram classificados por nenhum ODS, e que as strings complementares identificaram 182 trabalhos adicionais inteiramente invisíveis para os critérios dos rankings. Esses achados evidenciam que as invisibilidades produzidas não são limitações técnicas inevitáveis, mas reflexo de escolhas metodológicas e políticas que transferem para o campo acadêmico as disputas que marcaram a própria construção da Agenda 2030.
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