A política externa turca no pós-2011: das revoltas árabes à ascensão do Estado Islâmico

  • Reginaldo Nasser PUC-SP
  • Willian Roberto Moraes Pós-Graduação em Relações Internacionais San Tiago Dantas (UNESP – UNICAMP – PUC-SP
Palavras-chave: POLÍTICA EXTERNA TURCA, revoltas arabes, oriente medio

Resumo

Com a eclosão das revoltas árabes a partir de 2011, a Turquia adotou uma nova postura externa, mais assertiva, tornando-se ator de suma importância no Oriente Médio, sobretudo na Síria. Entretanto, o país veio a enfrentar limites à sua projeção, e suas respostas a esses problemas acabaram colocando a Turquia ainda mais no centro de uma série de crises. Esse artigo, portanto, tem como objetivo compreender por que a Turquia realizou tamanha inflexão a partir de 2011 e como sua estratégia internacional evoluiu frente às transformações no Oriente Médio. Argumenta-se que fatores domésticos e choques externos levaram o país a adotar uma estratégia assertiva de liderança regional via apoio a grupos que poderiam adotar seu modelo político. Posteriormente, devido a novos choques externos e mudanças domésticas, a Turquia teve de reposicionar-se e mudar seus objetivos, adotando postura mais cautelosa, de contenção de danos. Passou, então, a utilizar-se de sua centralidade estratégica no conflito sírio e suas crises correlacionadas para barganhar frente às grandes potências, tentando consolidar-se como um ator indispensável, a fim de obter suficiente liberdade de ação para enfrentar aquilo que o governo turco considera como principais ameaças ao país – a expansão curda na Síria e o Estado Islâmico

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Biografia do Autor

Reginaldo Nasser, PUC-SP
departamento de relações internacionais.

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Publicado
31-08-2016
Como Citar
Nasser, R., & Moraes, W. R. (2016). A política externa turca no pós-2011: das revoltas árabes à ascensão do Estado Islâmico. Carta Internacional, 11(2), 5 - 27. https://doi.org/10.21530/ci.v11n2.2016.555
Seção
Artigos